A minha primeira entrevista foi feita a Richard Miran, ponta de lança brasileiro, que no nosso país já representou Sp. Braga, E. Amadora, Santa Clara, Beira Mar, Portimonense e Varzim.Esta curta entrevista, serve para percebermos um pouco mais, o trajecto feito pelo avançado brasileiro, no nosso futebol.
Nascido em São Paulo no ano de 1975, Richard Garcia Miranda da Silva, deve a alcunha Miran, ao seu terceiro nome. Tem como curiosidade o facto de ser filho de Mirandinha, ex jogador do São Paulo e do Corinthians, que também foi internacional brasileiro, tendo mesmo representado a "Canarinha" no Mundial de 1974.
Conversas Redondas (CR): O Miran chegou a Portugal em 2001. Sentiu dificuldades em se adaptar ao futebol português?
Richard Miran (RM): Senti algumas, mas por motivos inesperados. Cheguei bem e tive um bom começo de época, porém como já vinha de uma época desgastante em que por vezes jogávamos três jogos durante a semana e não tive férias, acabei por contrair uma pubalgia que me limitou bastante a época.
CR: Vinha de uma época em que fez mais de 30 golos ao serviço do Sampaio Corrêa no Brasil, mas em Braga não conseguiu marcar mais do que 5 golos no Campeonato. O que se passou?
RM: Resposta similar à da primeira pergunta: a pubalgia infelizmente condicionou-me bastante!
CR: Depois do Braga, seguiu-se o E. Amadora durante duas temporadas. Apesar dos salários em atraso, foi o melhor marcador da equipa que subiu à Superliga (02/03). Gostou da experiência?
RM: Apenas pra rectificar: nesse ano não tivemos salários em atraso e se calhar também por isso alcançamos os objectivos traçados. Gostei muito da experiência. Foi um ano excelente por termos subido de divisão, porém, mais uma vez tive o azar de contrair uma lesão grave: fracturei o perónio e rompi alguns ligamentos do tornozelo. Apesar desse contra tempo ainda consegui ser o melhor marcador da equipa e ajudei-a a subir.
CR: Saiu do Estrela para o Santa Clara, representando depois Beira Mar e Portimonense. Em todos os clubes, nunca fez mais do que uma temporada. Quais os motivos principais dessa “instabilidade”?
RM: Eu sempre fiz contratos de apenas uma época e não me posso queixar de falta de oportunidades no futebol português. Posso sim, dizer que nem sempre a sorte me sorriu e fui assolado com lesões que me tiraram a sequência de jogos que necessitava para demonstrar as minhas qualidades.
CR: Terminado o vínculo com o Portimonense, rumou à Bulgária para representar o Vihren. Com que objectivos partiu rumo a um país tão frio, tão diferente e tão longíquo do seu?
RM: Parti com vontade de vencer noutro lado, de conhecer uma nova cultura e também um novo país. E como vinha de uma intervenção cirúrgica, foi uma boa escolha para recomeçar.
CR: Ouvem-se vários relatos de “coisas estranhas” que acontecem aos jogadores portugueses na Bulgária. Alguma vez passou por uma situação indelicada? Tal como racismo, etc.?
RM: Da minha parte não senti nem racismo nem dificuldades em lidar com o povo Búlgaro. Gostei da experiência, pois fui sempre bem tratado.
CR: Acabou por voltar a Portugal, juntamente com o mesmo treinador que o havia “levado” para a Bulgária (Rui Dias). Imaginava que iría passar as dificuldades financeiras, que passou no Varzim?
RM: Bem, nunca ninguém imagina que há-de ficar cinco ou seis meses sem receber. Porém foi uma boa oportunidade de voltar a Portugal e o Varzim é uma grande instituição pela qual tenho muito respeito e carinho.
CR: Saiu do Varzim para Angola. Mais uma nova experiência, desta vez num Continente que não conhecia. Adaptou-se fácilmente ao futebol angolano?
RM: É um futebol que se está a desenvolver e tem muito talento puro. Apenas precisa, é de ser trabalhado. Senti alguma dificuldade não na parte do futebol especificamente, mas sim, nas deslocações para os treinos. Todos os dias levávamos duas horas para ir e mais duas para voltar do campo de treinos.
CR: Marcou três golos pelo Progresso de Sambizanga, ajudando a equipa a fazer uma boa campanha na segunda divisão. Não foi convidado a renovar?RM: Eu tinha contrato até ao final deste ano (2010), porém rescindimos de comum acordo porque havia interesse meu em saír e como não alcançamos os objectivos também havia interesse da parte da direcção em reduzir a folha salarial.
CR: Actualmente é um jogador livre. Já foi contactado por algum clube tendo em vista a próxima temporada ? Gostaria de prosseguir a sua carreira no futebol português?
RM: Já recebi alguns convites para a época 2010/2011, porém prefiro não revelar mais nada, apesar de ser aliciante poder voltar a jogar no futebol português.
CR: Até agora, jogou sete temporadas em Portugal e apenas duas foram na Primeira Divisão. Sente alguma mágoa por não ter “passado” mais tempo no primeiro escalão?
RM: Não tenho mágoa, se não cheguei mais longe foi porque não pude ou não sabia mais, e também devido às relações extra-futebol.
CR: Além de ter trabalho com o já referido Rui Dias, trabalhou ainda com treinadores com alguns pergaminhos no futebol português, como Cajuda, Jesus ou Inácio. Algum treinador o marcou de alguma maneira em especial?
RM: Tive a felicidade e oportunidade de trabalhar com grandes treinadores do futebol português e aprendi muito com todos eles. Sou-lhes muito grato!
CR: Depois de terminar a carreira de jogador, passa-lhe pela cabeça integrar alguma equipa técnica ou até mesmo ser treinador?
RM: Para já, ainda não pensei nisso.
Questões rápidas.
CR: Melhor momento no futebol português?
RM: Melhores momentos foram as duas subidas de divisão. Uma pelo Estrela e outra pelo Beira Mar.
CR: Pior momento no futebol português?
RM: Piores momentos foram todos aqueles em que sofri uma fractura, ou uma lesão de grande gravidade, e que me afastaram muito tempo dos relvados.
CR: Clube português que mais gostou de representar?
RM: Gosto de todos os clubes que representei. São todos especiais para mim.
CR: Pretende jogar mais quantos anos como profissional?
RM: Isso só o tempo o dirá. Ainda não sei.
O "Conversas Redondas" agradece a Miran o tempo dispendido para esta curta entrevista, e deseja-lhe as maiores felicidades tanto na vida desportiva como na vida pessoal.
Pode ver o trajecto de Miran, aqui.
fizeste-lhe a entrevista?acho k esta uma boa entrevista,gostei .
ResponderEliminarque bem...nao conheço o jogador....mas gostei do trabalho e da entrevista:D parabens
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