Formado no Arrifanense, sagrou-se campeão Distrital de Júniores, levando o seu clube de 'sempre' aos Nacionais da categoria.
Este título e outros feitos conseguidos, permitiram-lhe que fosse "coleccionando" várias chamadas à Selecção Distrital de Aveiro em vários escalões.
Já como sénior representou o Arrifanense, durante quatro temporadas consecutivas, três delas na III Divisão Nacional.
Saiu em 07/08 para o Paços de Brandão, tendo efectuado uma pausa na sua carreira na temporada 08/09, por motivos profissionais.
Regressou ao futebol, para representar o Carregosense em 09/10, clube com o qual já renovou contrato para 10/11. É médio direito.
ConversasRedondas (CR): Depois de três temporadas consecutivas na III Divisão Nacional conheceu em 06/07 um novo campeonato, neste caso a 1ª Divisão Distrital de Aveiro. A ideia que tinha acerca dos campeonatos Distritais, confirmou-se nessa temporada?
Manuel Aniceto (MA): Não senti tantas dificuldades nessa época porque ainda existiam equipas fortes na Primeira Divisão Distrital como o Arouca e o Cesarense, que agora estão na Liga Vitalis e na Segunda Divisão Nacional. Senti realmente mais quando iniciei a Segunda Divisão Distrital pelo Carregosense. Mas penso que cada época é uma época diferente, com mentalidades diferentes e com equipas diferentes, e isso é que distingue uma mentalidade distrital duma mentalidade nacional e profissional.
CR: Esteve parado em 08/09. Com que motivação voltou ao futebol para 09/10? Se o "projecto" do Carregosense não lhe tivesse agradado, teria ficado mais um ano sem jogar futebol?
MA: Parei por motivos profissionais. Foi um ano em que passei o tempo todo a viajar para fora, e tive mesmo que fazer uma pausa.
No entanto, a vontade de jogar e o 'bichinho' do futebol permaneceram. Tinha em mente voltar a jogar, caso o meu emprego assim o permitisse, e o 'mister' Martins sabia que eu estava parado e ainda a época 08/09 não tinha terminado, já me tinha convidado para representar o Carregosense na temporada 09/10. Apresentaram-me um projecto interessante, e não me colocariam entraves caso tivesse de me ausentar devido ao trabalho.
E o facto de poder voltar a trabalhar com os 'Mister's' Martins e Sá, pessoas com as quais ainda tenho muito a aprender, foi um factor de motivação para regressar.
CR: O Manel sagrou-se há pouco tempo campeão Distrital. Qual foi a sensação?
MA: Quem se sagra campeão, independentemente do escalão ou da modalidade, fica sempre muito feliz. São momentos únicos e inesquecíveis, mesmo que seja um campeonato a 'feijões'.
Campeão é sempre Campeão, seja nos matraquilhos, ou no Golfe.
CR: No fim da 8ª Jornada, o Carregosense estava a nove pontos do líder. Alguma vez pensou que não seria possível chegar ao título?
MA: Pensei, pois tinha consciência de que seria muito difícil recuperar, e que tudo dependeria de ganharmos em casa do líder, Canedo.
Era quase como uma 'missão impossível' mas felizmente ganhamos, e aí sim, senti que voltávamos a entrar na luta, e todos os pensamentos negativos desapareceram.
CR: Uma vitória em casa do líder Canedo, à 10ª Jornada, mudou o rumo dos acontecimentos ou foi mais uma 'simples' vitória?
MA: Foi muito importante, apesar do campeonato não se decidir apenas naquele jogo.
Mas vencer em Canedo foi importante, pois deu-nos ânimo e arrasou psicologicamente a equipa do Canedo, pois eles tinham vencido praticamente todos os jogos até então.
A invencibilidade do líder acabou aí, e depois fomos vencendo, e só tivemos de 'esperar' que o Canedo perdesse pontos, para assumirmos o primeiro lugar.
CR: À 17ª Jornada, o Carregosense assumiu a liderança e não mais a largou. Quais foram os principais motivos para um fim de época tão consistente?
MA: Humildade, União, e a enorme vontade de vencer por parte de todos os jogadores do Carregosense.
CR: Seguiu-se depois o 'play-off' de apuramento de Campeão, onde enfrentou os vencedores das outras séries, onde se destacava o nome da Ovarense. Qual a equipa que mais 'trabalho' deu nesta 'segunda fase'?
MA: Todas as equipas deram 'trabalho', cada uma à sua maneira.
O Mealhada e a Ovarense, deram 'trabalho' por terem um estilo de jogo, que privilegia o futebol rápido e a troca de bola, e ainda por terem jogadores experientes e que fisicamente são muito fortes. Já o Oiã, deu 'trabalho' por ser uma equipa agressiva, e por jogar com alguma maldade. Foram sempre uma equipa muito dura, e penso que se os árbitros fossem mais rigorosos, o Oiã raramente acabava um jogo com mais de 9 jogadores.
CR: Ser Campeão em plena casa da Ovarense, no estádio Dr. Marques da Silva, um estádio que não há muitos anos andava pela Liga de Honra, foi de certa forma 'especial'?
MA: Já joguei em vários estádios que de uma ou de outra forma já receberam grandes clubes e grandes jogos de futebol. Desde o Estádio do Jamor pela selecção de Aveiro; no velhinho estádio de Aveiro (Mário Duarte), passando pelo Estádio Dr. Abel Alves de Figueiredo (Tirsense) e até mesmo pelo Estádio das Antas, entre muitos outros.
No da Ovarense, nunca tinha jogado, apesar de já conhecer as instalações por ir lá ver jogos.Mas nos bastidores nunca tinha estado e adorei. O mais fascinante foi mesmo o clima criado pelas pessoas. Grande ambiente. Foi 'especial'.
CR: Sobre a próxima temporada desportiva, confirma que continuará a representar o Carregosense? Segundo sei, o Manel recebeu convites de clubes que disputam os 'Nacionais'.
MA: Sim, optei por ficar pelo menos, mais uma temporada no Carregosense. Nesta altura da minha vida não posso arriscar em ir para uma divisão superior, pois teria que deixar o meu emprego, e o meu emprego é o que me garante estabilidade na minha vida pessoal.
Tive convites de clubes que irão disputar o mesmo campeonato do Carregosense, mas por mais 100€ ou 200€ não abandono uma casa com excelentes pessoas, que me acolheram muito bem, e onde eu me sinto completamente à vontade.
Na vida, o dinheiro não é tudo, e no futebol a amizade, o companheirismo, o bom ambiente e uma boa saúde mental, estão em primeiro lugar.
MA: Espero cumprir com aquilo que me for pedido, respeitando sempre as opções do 'Mister', e ajudar o Carregosense a atingir os objectivos estipulados.
Espero também melhorar e aprender ainda mais, pois uma dia irei deixar o futebol, sem saber tudo. Aliás, acho que sei pouco ainda.
CR: No Carregosense é orientado por Joaquim Martins, que foi jogador do Rio Ave, ao mais alto nível. A experiência que o agora treinador, adquiriu enquanto jogador, terá sido decisiva na vossa luta pela subida?
MA: Sim, muito. Acima de tudo, o 'Mister' Martins é um grande Homem, e muito amigo de todos os seus jogadores. Esses dois factores aliados à experiência que adquiriu como jogador na I Divisão ajudaram-nos bastante, e estou convicto de que foram elementos 'chave' na nossa luta pela subida.
CR: A 1ª Divisão Distrital da AF Aveiro 2010/2011, será um campeonato fortíssimo, já que conta com clubes como Águeda, Valecambrense, Ovarense, Milheiroense, U. Lamas, Gafanha entre outros. Os objectivos do Carregosense passarão apenas pela manutenção, ou a direcção quer algo mais?
MA: Primeiro objectivo penso que será alcançar a manutenção o mais rapidamente possível. Depois, o que vier por acréscimo será bem vindo, penso que essa será a opinião de todos.
Não entraremos em loucuras, e não vamos ser candidatos à subida. Acima de tudo queremos honrar a camisola da JD Carregosense, e alcançar a melhor classificação possível.
CR: Sendo o Distrito de Aveiro, um distrito que conta com equipas muito fortes a nível futebolístico, não acha que seria melhor a I Divisão Distrital ter 20 clubes em vez dos actuais 18?
MA: Sinceramente, acho que 18 é o ideal, pois o campeonato seria mais longo, e toda a gente começaria a entrar numa fase de saturação.
E, também temos de pensar, que mais dois clubes, implicariam obrigatoriamente mais quatro semanas de contrato, e nem todos os clubes têm orçamento para cumprirem contratos tão longos. É mais um mês de trabalho.
Se já é complicado cumprir os acordos com 18 clubes, imaginemos o que seria pagar mais um mês a 23 ou 24 jogadores, independentemente do valor dos ordenados.
CR: Antes da temporada que terminou recentemente, nunca havia jogado na II Divisão Distrital de Aveiro. Quais as principais diferenças entre este escalão e a I Divisão Distrital?
MA: Da educação 'futebolística' dos jogadores e adeptos, passando pelas condições dos estádios de futebol, as diferenças não são muito significativas. Vê-se de tudo mesmo. Já passei por situações bastante caricatas.
Mas penso, que tudo depende das equipas que constituem o campeonato. Cada uma tem a sua mentalidade.
Estou bem mais motivado para a época que aí vem, pois a I Divisão Distrital será uma autêntica Série C da III Divisão Nacional, com equipas muito fortes, e isso é o mais importante. Boas equipas, bons estádios, penso que estão reunidas excelentes condições. Esperemos que seja uma época de autêntico futebol espectáculo.
CR: Já representou três clubes nos Distritais (Arrifanense, Paços de Brandão e Carregosense). Em qual deles teve a sua melhor temporada num campeonato Distrital?
MA: O último ano em que joguei no Arrifanense (06/07), onde também fui treinado pelos 'Mister's' Martins e Sá. Tínhamos um excelente balneário, e quem lá esteve jamais me desmentirá !
CR: Tendo em conta a situação económica que o País atravessa, o futebol 'sofre' bastante com isso, ainda para mais nos Distritais onde os apoios são ainda mais escassos. Alguma vez passou por situações de salários em atraso?
MA: Sim. No Arrifanense, no último ano na III Divisão Nacional e no Distrital (06/07). Acabei por não receber tudo o que havia estipulado com os dirigentes, porque o clube estava numa fase de decadência brutal. Mas, compreendi a situação.
CR: O 'seu' Arrifanense fechou as portas do futebol sénior, depois de ter feito uma excelente temporada na I Divisão Distrital da AF Aveiro (07/08). Que razões encontra para um fim tão dramático?
MA: No tempo em que esteve na II Divisão B, o Arrifanense gastou o que não podia e o que não tinha. Depois foi sempre a acumular dívidas, até se formar uma autêntica "bola de neve".
CR: Caso o Arrifanense volte ao futebol sénior (e com certeza que voltará), pretende voltar a representar o clube?
MA: Representei o Arrifanense durante quinze temporadas. Entrei com sete anos de idade. Com certeza que gostava de terminar a minha carreira lá.
CR: Marcou catorze golos ao serviço do Carregosense esta temporada que terminou recentemente: oito na fase regular; quatro na "segunda fase" e dois na Taça Distrito de Aveiro. Destaca algum?
MA: Sim, fiz três golos que me marcaram.
O primeiro foi o que marquei ao Canedo, fora de casa, porque deu-nos a vitória, e impulsionou-nos para a conquista do campeonato; o segundo foi em Oiã, já na segunda fase, pelo facto de um minuto antes de marcar o golo, ter estado a ser assistido fora das quatro linhas. Sangrava abundantemente por todo o lado, pois tinha levado uma bolada no rosto. Entrei, 'peguei' na bola, e fui por lá 'baixo' até fazer o golo. Soube muito bem, descarregar toda a minha 'fúria' daquela maneira.
O terceiro que destaco, foi no último jogo da temporada, frente à Ovarense, também na segunda fase. Por ter sido o último jogo, e por ter contribuído para o empate que nos permitiu a conquista do título num estádio tão emblemático. Foi um dia que nunca mais esquecerei.
CR: É capaz de eleger um '11' formado por companheiros de equipa (actuais ou passados) que teve nos Campeonatos Distritais?
MA: Sim, sou.
Guarda-Redes: Fábio (Arrifanense);
Defesa Direito: Pedro Castro (Arrifanense e Carregosense);
Defesa Central de Marcação: Rui Manuel (Arrifanense);
Defesa Central 'Livre': Gagá (Arrifanense);
Defesa Esquerdo: Porto (Arrifanense e Carregosense);
Trinco: Simão (Arrifanense);
Médio Interior Direito: Tiago (Paços de Brandão);
Médio Interior Esquerdo: Bruno Fonseca (Arrifanense);
Extremo Direito: Manel;
Extremo Esquerdo: Nandinho (Carregosense);
Ponta de Lança: Brinca (Carregosense);
*Entre parêntesis, o clube onde Manel jogou com o respectivo colega.
Para terminar, tenho que te dar os parabéns pelo teu trabalho e por toda esta 'cobertura' que tens feito, informando todos nós acerca do futebol nacional e distrital. Continua com o excelente trabalho, porque tens capacidade para ir longe.
O "Conversas Redondas" agradece a Manel as palavras elogiosas, e o tempo despendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.
Pode ver o trajecto de Manel, aqui.
Uma boa entrevista de um bom jogador, só é pena não estares numa divisão superior, tens qualidades para isso. És um desiquilibrador nato onde a velocidade é a tua principal arma. Clubes de divisões superiores ponham o olho neste menino... Espero que faças uma excelente época no Carregosense, pois este campeonato vai ser uma boa montra para ti.
ResponderEliminarGRANDE ABRAÇO
Ass.: ex.22 :)