quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Entrevista a: Márcio Vieira


Márcio Vieira de Vasconcelos, nasceu em Andorra a 10 de Outubro de 1984.
Filho de pais portugueses, veio para Portugal com doze anos, e aos quinze ingressou nas camadas jovens do FC Marco.
Na temporada 01/02, ainda cumpria o seu primeiro ano de júnior, e já trabalhava com os Séniores do FC Marco, que lutavam na altura pela subida à Liga de Honra.
Completou o seu processo de formação, e permaneceu nos séniores do Marco por três temporadas: 03/04, 04/05 e 05/06. Nas duas primeiras temporadas, Márcio Vieira não teve oportunidades para mostrar o seu valor, não tendo realizado qualquer partida.
No seu último ano de ligação ao FC Marco, Márcio acabou por conseguir as oportunidades desejadas anteriormente, acabando por realizar quinze partidas com a camisola marcoense no segundo escalão do nosso futebol.
Com a "queda" do Marco, Márcio Vieira deu início a uma aventura no futebol espanhol, ingressando no Ibiza em 06/07, passando pelo Teruel em 07/08 e, finalmente, o Atlético Monzón desde 08/09, clube onde ainda se mantém.
Foi quando representava o FC Marco, que Márcio Vieira foi chamado a representar a Selecção de Andorra. A sua estreia pela selecção andorrana aconteceu em 2006 e, até ao momento, Márcio Vieira já somou 35 internacionalizações.
Actualmente, o Monzón luta pela subida à II Divisão B espanhola, e Márcio não põe de parte um regresso ao futebol português e ao Marco, claro está.
Joga preferencialmente a médio centro, podendo também desempenhar as funções de trinco.


ConversasRedondas (CR): O seu processo de formação foi, digamos, um pouco atribulado. Entrou aos 15 anos para as camadas jovens do Marco, e aos 16 já estava integrado no plantel Sénior. Como foi essa experiência?
Márcio Vieira (MV): É verdade. Foi tudo muito rápido, mas lembro-me como se fosse hoje. Foi uma boa experiência.

CR: A verdade é que, apesar de aos 16 anos já estar nos Séniores, passou depois as duas primeiras temporadas enquanto sénior, arredado da competição: Isto é, sem jogar oficialmente. Não quis sair do FC Marco ou nunca surgiu a oportunidade certa?
MV: Tive oportunidades para sair por empréstimo, mas a verdade é que o Marco nunca quis, e nunca compreenderam que eu queria jogar.

CR: Depois, em 05/06, teve "finalmente" a sua oportunidade na equipa principal do Marco, e agarrou-a bem, jogando com regularidade na segunda volta do campeonato. O clube acabou por descer, mas em termos pessoais, a temporada correu-lhe bem.
MV: Sim, foi muito bom para mim em termos pessoais, mas recordo muitas vezes essa época com tristeza, pois foi aí que o FC Marco começou a "caír".

CR: Todos os anos, o Marco reforçava-se bastante no mercado brasileiro. Entende que com a chegada de muitos brasileiros todas as épocas, o Márcio foi perdendo espaço na equipa?
MV: A verdade vê-se agora: quem acabou por perder, foram os jogadores marcoenses. Eu e muitos outros jogadores que podiam representar o clube nessa altura, algo que hoje em dia se está a fazer e muito bem: trabalhar com gente da casa. Mas, no meu caso, aprendi muito no tempo em que estive no Marco. Com tudo e com todos.

CR: Nessa temporada, o Marco perdeu grande parte do seu plantel em Janeiro, devido à crise financeira. Curiosamente, essa debandada geral, permitiu que o Márcio agarrasse um lugar no "onze". Caso os jogadores que saíram, tivessem permanecido, acredita que teria as mesmas oportunidades de jogar?
MV: Acredito que continuariam com a mesma política: apostar nos de fora. No entanto, lembro-me perfeitamente que já tinha pedido à Direcção para sair por empréstimo em Janeiro, para que pudesse jogar regularmente.

CR: Graças a essa temporada, o Márcio teve depois alguns convites vantajosos, optando por ingressar no Ibiza de Espanha. Não teve convites de Portugal?
MV: Tive propostas de equipas da II Divisão B, mas naquele momento optei por sair para Espanha, porque a situação económica em Portugal estava má e recebi uma boa proposta de Espanha.

CR: O que o levou a optar por Espanha? O facto de ser internacional por Andorra, e poder ficar assim, mais perto da sua Selecção, condicionou a sua escolha?
MV: Não teve nada a ver com a Selecção. Apenas naquele momento, as condições financeiras em Espanha eram bem diferentes das do nosso País.

CR: Apesar de conseguir a subida de divisão ao serviço do Ibiza, não permaneceu no clube na temporada seguinte, ingressando no Teruel, também da III Divisão Espanhola. Qual o motivo desta mudança?
MV: A história é um bocado grande (risos). Mas fiquei contente por conseguir outra subida de divisão (já havia conseguido uma pelo FC Marco em 01/02).


CR: Em 2008, voltou a mudar de "ares", assinando pelo Atlético de Monzón, também da III Divisão espanhola, não voltando a trocar de clube. Foi aqui, que encontrou a estabilidade que procurava para a sua carreira?
MV: Na verdade, o Atlético de Monzón é uma das equipas mais fortes de Aragão. É um clube que tem boas condições, e sinto-me bem neste clube, porque todos me tratam muito bem.

CR: O Márcio está à três temporadas no Atlético de Monzón, e em todas elas jogou na III Divisão de Espanha. Os objectivos do clube não passam pela ascensão à II Divisão B?
MV: Sim, o objectivo é subir de divisão. Ainda na temporada passada, fomos campeões na primeira fase, mas depois no play-off não conseguimos atingir os nossos objectivos.

CR: Agora, a selecção. Como se deu a sua chamada à Selecção de Andorra?
MV: Foi tudo muito rápido. Lembro-me que estava para começar o treino no Marco, e recebi uma chamada do seleccionador de Andorra, a dizer que me queria convocar pela primeira vez, e se eu aceitaria.
Eu aceitei e fui treinar, naturalmente, com o FC Marco. No início do treino, lesionei-me com gravidade no joelho, e perdi então os jogos contra Holanda e Finlândia.

CR: A sua estreia pela Selecção de Andorra, aconteceu frente à Arménia, num jogo de qualificação para o Mundial 2006. Como se sentiu nos momentos que antecederam a partida?
MV: Estava com muita vontade de fazer bem as coisas, e lembrando que era o meu primeiro jogo internacional, estava algo nervoso (risos).

CR: O nível da Selecção de Andorra, ainda é muito baixo, comparando com grande parte dos restantes países europeus. Ainda assim, o Márcio já enfrentou grandes selecções e futebolistas de renome internacional. Até que ponto, esses confrontos têm contribuído para a sua evolução?
MV: A verdade, é que ganhei muita experiência a jogar em estádios como Wembley e Old Trafford, com 65 mil pessoas nas bancadas. Chegámos a jogar como se estivéssemos no nosso clube.

CR: Nasceu em Andorra, cresceu em Portugal, e agora está "fixado" em Espanha. Sente-se mais português ou andorrano?
MV: As duas coisas.

CR: Voltando aos clubes: um dos objectivos da sua carreira, é chegar à I Divisão Espanhola?
MV: Uiiii, já vou tarde. Já não chego a tempo. (risos)

CR: O FC Marco já não existe, mas no seu "lugar" foi criada a AD Marco 09. Caso fosse convidado, regressaria à cidade do Marco, para representar este "novo" clube?
MV: Fico muito feliz por os marcoenses voltarem a ver futebol no Estádio do Marco. Ainda para mais, com gente da casa, e que estão a fazer um bom trabalho. Espero que continuem. Sobre representar o clube, nunca se sabe o futuro.

CR: O Márcio, praticamente sentiu na pele, o fim do FC Marco. Quem está por "dentro" nestas situações, o que sente? Em 05/06 ficaram com vários meses de salários em atraso, e o clube em 2007 acabou mesmo por fechar as portas.
MV: No caso dos outros jogadores não sei, mas no meu foi triste, porque sentia o clube da minha terra, e ver o seu fim não era nada agradável.

CR: Terminar a carreira em Portugal, é o objectivo do Márcio, ou tem intenções de continuar por terras de "nuestros hermanos" ou de jogar noutro País?
MV: Sim, o meu objectivo é voltar a Portugal. Tive a oportunidade no ano passado de ir para a Grécia e para o Chipre, mas não aceitei porque algo dentro de mim, me diz que já chega de experiências fora de Portugal.


Questões rápidas:

CR: Internacionalmente falando, qual o jogador (ou selecção) que mais gostou de enfrentar?
MV: Gerrard e Inglaterra em Wembley (2009).

CR: Qual foi, para si, o seu melhor jogo ao serviço da Selecção de Andorra?
MV: Andorra 0-2 Inglaterra, no Estádio Olimpico de Montjuic (2008).

CR: O FC Marco é o seu clube do coração?
MV: Tenho dois: FC Marco e FC Barcelona.

CR: É capaz de eleger um onze formado por companheiros de equipa? (Actuais ou Passados)
MV: Guarda-Redes: Beto (FC Marco)
Defesa Direito: Albertino (FC Marco)
Defesa Central de Marcação: Ildefons Lima (Selecção de Andorra)
Defesa Central Livre: Torrico (Atlético de Monzón)
Defesa Esquerdo: Vitinha (FC Marco)
Trinco: Fílipe Fernandes (FC Marco)
Médio "Interior" Direito: Márcio
Médio "Interior" Esquerdo: Marc Pujol (Selecção de Andorra)
Extremo Direito: Vieirinha (FC Marco)
Ponta de Lança: Brito (FC Marco)
Extremo Esquerdo: Matheus (FC Marco)

* Entre parêntesis, o clube onde Márcio jogou com o respectivo colega.

O "ConversasRedondas" agradece a Márcio, o tempo dispendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Márcio, aqui.

1 comentário:

  1. Grande surpresa ver uma entrevista com este jogador! Louve-se a iniciativa de dar voz a um talento nato ao qual nunca foram dadas não só as devidas oportunidades como também o devido mérito por tudo o que tem conseguido e tem dignificado na sua Selecção. Quem viu os jogos frente a Inglaterra para as qualificações do Euro e do Mundial sabe que este "menino" tem um talento muito grande e trata a bola de uma maneira muito singular.

    Os meus parabéns pela entrevista e também ao jogador que espero ainda ver noutros palcos bem mais condizentes com as suas reais capacidades.

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