domingo, 27 de fevereiro de 2011

Entrevista a: César Lopes

César Augusto Duarte Sousa Morais Lopes, nasceu a 29 de Julho de 1981 em Canelas, Vila Nova de Gaia.
Conhecido no "Mundo do futebol" por César, o gaiense começou por dar os primeiros passos no futebol ao serviço do clube da sua terra, o Canelas,  transitando depois para o Boavista, de onde saiu para o Espinho, clube onde além de completar a formação, se estreou como sénior, e logo numa competição profissional, neste caso, a Liga de Honra.
"Tapado" em Espinho, seguiu para o Canelas na sua segunda temporada enquanto sénior, regressando aos "Tigres" em 02/03 e 03/04, representando depois Canedo (04/05), Estarreja (05/06 e 07/08), Marítimo da Graciosa nos Açores (06/07), Arcozelo (08/09 e 09/10) e Perosinho (08/09).
Actualmente representa o Grijó, clube que compete nos Distritais da AF Porto e luta pela subida aos Nacionais.
A sua posição de origem é extremo, mas pode também actuar como ponta de lança ou segundo avançado.

ConversasRedondas: Começou a jogar futebol no Canelas, mas ainda nas camadas jovens, teve uma curta passagem pelo Boavista. Porque razão não deu seguimento à sua carreira no Bessa?
César Lopes: É verdade. O meu inicio no futebol de onze foi no CF Canelas, clube da terra onde nasci, nos iniciados. Nos juvenis surgiu a oportunidade de ingressar no Boavista FC, onde passei uma época com a condição de se realmente fosse para dar continuidade à minha "estadia" no Bessa, na segunda época de juvenil o Boavista teria de pagar 600€ (120 contos na altura) em material desportivo ao Canelas e se eu ascendesse aos séniores do Boavista a "indemnização" chegaria aos 5000€ (1000 contos na altura). Finda a primeira época de juvenil no Boavista houve mudança de treinador, o dos iniciados passou para os juvenis e dadas as contrapartidas que "me vinham associadas" o treinador achou por bem me dispensar.

CR: Depois do Boavista, regressou ao Canelas, e mais tarde ingressou no Espinho. Foi precisamente no Sp. Espinho, que teve o primeiro contacto com o futebol sénior.  De que forma viveu a sua integração no plantel sénior do Sp. Espinho 2000/2001?
CL: Foi sem dúvida a concretização de um sonho, um dos dias de maior felicidade da minha vida, aquele em que recebi a notícia que iria fazer parte do plantel sénior de futebol profissional do S.C. de Espinho!

CR: Na primeira temporada como sénior, e ainda por cima num escalão profissional (Liga de Honra), participar em dez jogos, é um bom registo ...
CL: Sim, foi sem dúvida um bom registo, apesar de até Dezembro não ter sido convocado uma única vez. Houve mudança de técnico em Dezembro e com a chegada de Carlos Garcia, que "só" era, pelo menos até há bem pouco tempo, o técnico com mais jogos de II Liga, e isso diz bem das suas capacidades, comecei a ser convocado, chegando até a ser titular numa partida frente ao Freamunde.

CR: Para 01/02, seguiu-se um empréstimo ao Canelas. No fundo, tratou-se de um regresso à “casa mãe”. Porquê esse ingresso no Canelas? Não contavam consigo em Espinho ou o César preferiu sair, de modo a jogar com regularidade?
CL: No meu segundo ano de sénior houve novamente mudança de treinador, começou a época Norton de Matos à frente do plantel e após me terem subido o ordenado substancialmente e me terem dito que eu seria uma aposta da formação no plantel sénior do S.C. de Espinho, um mês depois de ter iniciado a pré-época, veio o vice-presidente da altura falar comigo (a mesma pessoa que me tinha dito que iria ser uma aposta) e disse-me que afinal o treinador não iria contar muito comigo e que seria melhor para mim ser emprestado para jogar com mais regularidade. Aceitei de imediato, apesar de achar um bocado estranho, mas sabia que se não jogasse começava a ficar para trás, e por isso aceitei o empréstimo ao Canelas. De salientar que nesse ano passaram pelo Espinho mais de sessenta jogadores com contrato, coisa estranha e raríssima num plantel profissional!

CR: Num campeonato super-equilibrado, o Canelas acabou por garantir a manutenção, depois de ter tido um péssimo arranque. Falando em termos pessoais, como lhe correu a temporada?
CL: A temporada a nível pessoal não me correu lá muito bem, pois estive bastante tempo suspenso por um erro que me foi completamente alheio, troca de nomes e números na ficha de jogo, um colega meu com o mesmo nome foi expulso e na ficha de jogo vinha eu com o número dele, no jogo a seguir joguei sem saber que estava alegadamente suspenso e foi aberto um inquérito para averiguar o que realmente se tinha passado sem eu poder jogar entretanto, e foi assim que fiquei alguns meses sem jogar.

CR: A temporada que fez em Canelas, “abriu-lhe” por assim dizer, as portas do Sp. Espinho. Os “Tigres” voltaram a contar consigo, e o César fez uma temporada muito regular, estando presente em 35 dos 38 jogos do Campeonato.
CL: Não foi propriamente a época em Canelas, como se podem aperceber pela resposta anterior, que me abriu as portas de novo no S.C. Espinho, mas sim a aposta de um Senhor, que infelizmente já não se encontra entre nós, o treinador António Jesus, que conhecia o meu valor já desde as camadas jovens e me acolheu de novo no S.C.Espinho. 

CR: Na temporada seguinte, não foi opção com tanta regularidade, mas a verdade é que o Espinho se sagrou Campeão Nacional da II Divisão B. Este foi um dos melhores momentos da sua carreira, suponho…
CL: É verdade, estaria a mentir se não afirmasse que é, sem dúvida, o momento mais alto da minha carreira enquanto profissional de futebol. Ter sido Campeão Nacional da II Divisão B, pelo meu clube do coração, foi especial! 

CR: De um Campeão Nacional, mudou-se para o Canedo, que acabava de chegar pela primeira vez na sua história à III Divisão. A que se deveu esta escolha?
CL: Recebi a proposta de um projecto ambicioso e seguro, de um clube que tinha acabado chegar aos nacionais e decidi abraçar esse projecto, pois agradou-me bastante e pelo grupo que estava a ser formado percebi que esse projecto tinha "pernas para andar". Ás vezes, é preciso dar um passo atrás para dar dois em frente, pensei eu, e de campeão da II Divisão B, "mudei-me" para a terceira e para o Canedo.

CR: O Canedo acabou por fazer uma boa temporada, garantindo a manutenção sem sobressaltos, e o César até foi dos jogadores mais em destaque ao longo da temporada…
CL: É verdade, fizemos uma época excelente, o grupo era maravilhoso e cheio de qualidade, a direcção estava com o plantel, resumindo, foi um ano fantástico!!!

CR: Do Canedo mudou-se para o Estarreja, continuando a jogar na III Divisão. O Estarreja vinha da II Divisão B, e era apontado como um candidato à subida. No entanto acabou por descer ao Distrital. Na sua opinião, o que “falhou” ao longo da temporada?
CL: Penso que o que falhou foi logo de inicio, na escolha do plantel, pois tínhamos um plantel com qualidade, é verdade, mas muito muito jovem e isso revelou-se fatal pois perdemos muitos jogos por ingenuidade fruto da inexperiência do plantel.

CR: Para 06/07, mudou-se de “armas e bagagens” para os Açores, tornando-se reforço do Marítimo da Graciosa. O clube terminou a 1ª Fase no terceiro lugar, e até esteve na luta pela subida de divisão. Ainda assim, o César abandonou o Marítimo, poucos meses antes do fim da temporada. A que se deveu essa saída?
CL: A minha saída do Marítimo da Graciosa no final da primeira fase do campeonato, e deveu-se pura e simplesmente a dificuldades de adaptação à vida local, mas quero deixar bem presente que só me vim embora depois de o objectivo que me foi proposto pelo clube, que era a manutenção, estar garantido!

CR: Nessa temporada, o Marítimo enfrentou o Penafiel para a Taça de Portugal, tendo sído derrotado por 1-0. Embora o Penafiel competisse na Liga de Honra, a sua equipa esteve perto de fazer uma surpresa…
CL: É verdade, fizemos um jogo excelente, foi uma partida de futebol de alto nível tanto da parte de uma equipa como de outra, e o resultado poderia ter "caído em beneficio" de qualquer uma das equipas mas quem marca mais é quem ganha e quem marcou acabou por ser o Penafiel e nós não conseguimos dar a volta mas deixamos uma excelente imagem do clube e da qualidade daquela equipa, que era o Marítimo da Graciosa!

CR: Depois de se “aventurar” nos Açores, regressou a Estarreja, desta vez para competir no Distrital. Quais foram as principais diferenças que notou entre os Campeonatos Nacionais e os Campeonatos Distritais?
CL: Sinceramente, acho que não há assim tanta diferença entre, principalmente a III Divisão e os Distritais, principalmente nos distritais da Associação de Aveiro, onde, a nível global, se deixa jogar mais à bola, ou seja não são tão agressivos dentro de campo, comparativamente aos campeonatos da Associação de Futebol do Porto.

CR:Veio mais uma temporada, e mais uma mudança de clube. Desta feita, regressou ao “seu” concelho, para representar o Arcozelo, que competia na Divisão de Honra da AF Porto. Sentiu alguma diferença entre o futebol apresentado no Distrital de Aveiro e o Distrital do Porto?
CL: Penso que a resposta a esta pergunta, está dada na resposta à pergunta anterior...

CR: Nessa temporada, o César em Dezembro mudou-se para o Perosinho, também de VN Gaia e também a competir na Divisão de Honra. Porque razão mudou de clube a meio da época?
CL: Pura e simplesmente, por opção do treinador, para o qual eu não me encaixava no sistema dele!!!

CR: Curiosamente, voltou ao Arcozelo para 09/10. Desta vez completou a temporada, e ajudou o clube a ser uma das sensações da prova. Ainda assim, o principal problema foram os salários em atraso. Como foi lidar com essa situação? Já havia passado por situações idênticas?
CL: Foi muito complicado, já tinha passado por uma situação idêntica mas nunca tão grave, nós jogadores e equipa técnica estivemos entregues a nós próprios e tudo o que fizemos foi derivado à qualidade do plantel, que era um grupo excelente e equipa técnica, pois não sentíamos apoio de mais ninguém.

CR: Na presente época, o César representa o Grijó, um clube com aspirações de promoção à III Divisão Nacional. Como lhe tem corrido a temporada?
CL: Tem corrido bem, neste momento estamos em segundo lugar, lugar que à partida dá acesso à III Divisão Nacional e foi esse o objectivo a que nos propusemos, logo por isso está a ser uma boa época até ao momento!

CR: A Divisão de Honra da AF Porto 10/11, tem sido um campeonato muito equilibrado, e o Grijó está neste momento, a dez pontos do líder Infesta, quando estão decorridas 21 Jornadas. Acredita que ainda vão chegar ao topo da tabela, e deste modo subirem sem ser “à custa” de desclassificações ou desistências?
CL: Não tem sido assim tão equilibrado, pelo menos para o Infesta que já leva, como referiste dez pontos de vantagem sobre nós que somos o segundo classificado, e só tem uma derrota em 21 jornadas, mas ainda assim, claro que enquanto for matematicamente possível vamos continuar a acreditar que vamos conseguir chegar ao topo da tabela.

CR: Já representou três clubes em Campeonatos Distritais (sem contar com a presente temporada). Em qual deles fez a sua melhor época num Campeonato Distrital?
CL: Penso que em Estarreja, onde estivemos muito perto de subir à III Divisão.
Questões rápidas.
CR: É capaz de eleger um 11 formado por companheiros de equipa? (Actuais ou Passados)
CL: Não...:) Teria que fazer para aí quatro equipas, derivado à qualidade dos imensos jogadores com quem já joguei!

CR: No fim de semana passado, o Grijó quebrou a invencibilidade do Infesta, e o César jogou os 90' minutos. Como foi derrotar uma equipa que chegou à 21ª Jornada sem qualquer derrota?
CL: Teve um sabor especial, não vou negar, por eles ainda não terem perdido mas foram mais três pontos e uma final ganha das quinze que nos faltam jogar!

CR: Em Espinho, foi colega de jogadores como Ali, Jorge Baptista, Sérgio Leite e Mickey. Algum destes ou outro colega, o marcou de uma forma “especial”?
CL: Muitos deles me marcaram de forma especial, mas destes quatro que mencionas, vou destacar o Jorge Baptista e o Mickey pela qualidade e sobretudo Humildade que tinham!

CR: Se pudesse mudar algo do que já construiu ao longo destes anos no futebol, o que seria?
CL: Não mudava nada do que já fiz, no máximo mudaria algo que não tenha feito, mas acima de tudo faço tudo para dormir de consciência tranquila e de bem comigo mesmo!

CR: A sua posição de origem é extremo. Ainda assim, pode actuar como avançado centro. Prefere marcar ou assistir?
CL: Sinceramente, é-me indiferente. Tanto me dá prazer marcar um golo, como fazer uma assistência.

O "Conversas Redondas" agradece a César, o tempo dispendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de César, aqui.

1 comentário:

  1. Sem duvidas um dos melhores jogadores que joguei ate hoje e guardo este rapaz no coracao, pk me ajudou muito como jogador e como homem, é um amigo especial. Desejo-te as maiores felicidades do mundo grande Cesar



    Fortes#5 CDE

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