domingo, 15 de abril de 2012

Os loucos de Manchester


(Tévez e Balotelli. Juntos, têm dado cabo da paciência a Mancini.)
Existem vários tipos de loucos: os loucos que nascem loucos; os loucos que se tornam loucos com o tempo; e os loucos que querem ser loucos, vá se lá saber porquê.
Procurei na minha mente algo que encaixe perfeitamente nisto, e dei de caras com um exemplo vindo de Manchester: jogam de azul, são o clube da ‘cidade’, mas não ganham nada há anos. São uma ‘vítima’ do futebol moderno, que fez com que uns simples milhões os tornassem num sério candidato aos títulos ingleses e europeus. Mas até agora, zero de aproveitamento. Ou melhor, ganharam uma Taça de Inglaterra. Pouco, muito pouco.
O City atraiu todos os tipos de loucos possíveis: para começar, Al-Mubarak, um xeique árabe que investiu nada menos nada mais, do que cerca de 430 milhões de euros nas últimas três épocas. É que nem vale a pena vermos o que investiu anteriormente.
O dinheiro de Mubarak trouxe para os Citizens, grandes vedetas do futebol Mundial, mas o problema, segundo os ingleses, está no treinador. Será?
Tudo bem que o treinador escolhe os jogadores, mas o Homem não tem culpa que os jogadores que ele quer/tem na sua equipa sejam loucos.
Senão vejamos: no primeiro tipo de loucos descrito no primeiro parágrafo, temos Nigel de Jong. Um trinco holandês adepto do ‘antes quebrar do que torcer’, conhecido por um feitio terrível dentro de campo. E não só. Existem também múltiplas fracturas causadas a adversários, e para a história, ficou uma patada no peito do espanhol Xabi Alonso, em plena…final do Mundial de 2010. Como jogador, devo dizer que me encanta o estilo durinho de jogar do holandês.
No segundo tipo de loucos, encontro Carlos Tévez. Aquele que para mim é um dos melhores avançados do futebol Mundial, nasceu saudável, até que um acidente de viação o obrigou a uma operação na face, que lhe deixou uma enorme cicatriz bem patente ainda hoje.
Este tornou-se louco com o tempo, e talvez o acidente lhe tenha deixado mossa. De grande promessa argentina, transferiu-se do Boca para o Corinthians, saltou para o West Ham, e daí para o Manchester United. O City acenou-lhe com os milhões em 2009, e Tévez nem pestanejou. Ao longo destes três anos, já criticou fortemente o United, até se ter ‘lembrado’ de não querer entrar na edição deste ano da Champions. Mancini afastou-o da equipa, mas viu-se quase obrigado a recuperar Carlitos no passado mês de Março. Quanto aos adeptos, se já o perdoaram, devem estar arrependidos de terem queimado a sua camisola com o 32 nas costas.
Finalmente, no terceiro tipo de loucos…bem, este todos adivinham! Mario Balotelli, pois claro.
Por incrível que possa parecer, também admiro as qualidades futebolistícas do bad-boy transalpino. Filho de pais ganeses, ‘Super Mario’ foi abandonado à nascença, tendo sido adoptado por um casal italiano. Balotelli deu nas vistas no Lumezzane, por quem se estreou na equipa principal aos 15 anos, tendo saído dali para o Inter. Nos nerazurri, Balotelli não festejava os golos que marcava pela equipa de Reservas, pois segundo o próprio, só festejaria quando chegasse à equipa principal. Chegou, marcou, e deu cabo da paciência de toda a gente, saindo para o City no Verão de 2010 pela mão de Mancini. Já perdi a conta ao número de peripécias e sarilhos em que já se meteu, mas a conclusão a que chego, é que Balotelli é louco apenas por que quer.
Posto isto, Mancini e o City tiveram a capacidade de reunir três génios-loucos, que raramente estão bem com a vida que têm, mas que encantam os amantes do futebol.

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