O campeonato do Mundo terminou ontem, e hoje é dia de "reflexões" em todo o Mundo.
É o que vou fazer aqui: analisar a "performance" obtida por cada uma das trinta e duas selecções que viajaram até à África do Sul. Bom, trinta e duas não, porque a equipa da casa não precisou de sair do seu território, como é óbvio.
Comecemos então pelo Grupo A:
Uruguai: O sonho dos uruguaios era apenas um: chegar ao tri. Depois das vitórias em 30' e 50' os Uruguaios apresentaram-se muito fortes na África do Sul, com um estilo de jogo alegre, e demonstrando em todos os jogos a raça típica dos sul-americanos.
Foram superando obstáculos, e por pouco não estiveram na final. Bravo !
"Levaram" na comitiva três "portugueses" (Alvaro Pereira, Maxi Pereira, Fucile) e ainda um outro que em Janeiro deste ano deixou o nosso país e o Vitória de Setúbal (Alvaro Fernandez).
México: Como é hábito, o México demonstrou ter uma equipa aguerrida, e capaz de disputar o jogo com qualquer selecção. Começou com um empate, venceu a França, e perdeu com o Uruguai.
Seguiram para os Oitavos, e não fosse o golo mal validado a Tevez, quem sabe se os mexicanos não teriam sido capazes de efectuarem uma surpresa...
África do Sul: A equipa da casa. Apesar da muita desorganização táctica, a África do Sul possuí vários jogadores com valor. Tshabalala é um bom exemplo.
O empate na ronda inaugural contra o sempre difícil México, ainda deu esperanças ao povo sul africano, mas a derrota com o Uruguai na 2ª jornada, praticamente assinou a sentença dos "Bafana Bafana".
Despediram-se com uma vitória perante a França, e tornaram-se na primeira equipa organizadora do Mundial a não passar da fase de grupos.
França: Depois de ter sido finalista em 2006, a selecção francesa chegou à África do Sul, sem duas grandes "estrelas": Nasry e Benzema. Ambos ficaram de fora devido a "caprichos" de Domenech.
Depois, na fase de grupos, foi o que se viu. Além do escandâlo de Anelka, e de outras coisas mais, a França foi uma tremenda decepção neste torneio, e não foi surpresa o facto de ter sido a primeira selecção a abandonar o Mundial.
Grupo B:
Argentina: Guiados por "D10S" Maradona, os argentinos entraram como candidatos à vitória na prova, e foram consolidando esse estatuto com o decorrer da competição.
Depois de um início algo tremido (vitória por 1-0 sobre a Nigéria), a "Celeste" fez depois duas exibições de "categoria", vencendo Coreia do Sul (4-1) e Grécia (2-0).
Nos Oitavos, uma vitória sobre o México por 3-1, confirmou o que se esperava: a Argentina estava forte, apesar do primeiro golo ser em posição irregular.
Mas, frente à Alemanha de Ozil, Schweinsteiger, Mueller e companhia, os argentinos cederam. Maradona quis ganhar o jogo sem ter meio-campo, e pagou (bem) cara a factura: Alemanha 4-0 Argentina. Será 2014, o ano dos Argentinos ?
Coreia do Sul: Terceira participação consecutiva em fases finais do Campeonato do Mundo, para os asiáticos, e mais uma vez, a fase de grupos foi ultrapassada.
Depois de uma excelente exibição na ronda inaugural frente à Grécia (vitória por 2-0), a goleada sofrida frente à Argentina não abalou os sul coreanos. O empate com a Nigéria, na última ronda bastou para garantir a qualificação.
Nos Oitavos, perderam frente à grande sensação da prova, Uruguai. Perderam, mas saíram com a cabeça levantada. E tiveram razões para isso.
Grécia: Os campeões da Europa em 2004, chegaram à África do Sul, com o mesmo seleccionador que há seis anos gelou Portugal. Com o mesmo seleccionador e praticamente com os mesmos jogadores.
O estilo de jogo também continua o mesmo: Defender, e bombear bolas para a frente de ataque. Mas no ataque, Charisteas (apesar dos 30 anos) já não tem o instinto de 2004 e Karagounis já não tem a capacidade para fazer os "rasgos" que fazia.
Depois de um péssimo início de prova (derrota por 2-0 frente à Coreia), os gregos ainda se levantaram e deram a volta ao resultado frente à Nigéria. Na última jornada, a derrota com a Argentina ditou "leis".
Ainda não foi desta que a Grécia juntou o Mundial ao título de campeã da Europa.
Nigéria: Depois de falharem o Mundial de 2006, os nigerianos regressaram a um campeonato do Mundo. A grande referência nigeriana de outros tempos, JJ Okocha já não joga, o que é uma pena. Agora, falta-lhes um JJ, claramente.
Apesar de contar com uma frente de ataque verdadeiramente assustadora (Yakubu, Martins e até mesmo Kanu), e com um guarda-redes capaz do melhor e do pior (Enyeama), a Nigéria não conseguiu mais do que um mísero ponto.
A derrota "normal" na ronda inaugural frente à Argentina, antecedeu o jogo com a Grécia, em que aí sim seria a "doer". Depois de um bom início, em que até teve a vencer, a Nigéria acabou derrotada pelos gregos, empatando na última jornada frente à Coreia.
A recepção aos jogadores não foi lá muito pacífica, e o governo já ordenou a suspensão da selecção de todas as competições durante dois anos.
Grupo C:
Inglaterra: A Inglaterra, era outra das selecções que vinha em crescendo de forma, e de quem se esperava muito. Capello "prometeu" este Mundo e o outro, mas a verdade é que não conseguiu nada.
Um início algo comprometedor (dois empates, frente a EUA e Argélia), deu lugar a uma vitória na última ronda sobre a Eslovénia que garantiu a qualificação aos ingleses.
Nos Oitavos, depois de estar a perder por 2-0, a Inglaterra chegou ao 2-2 em dois minutos, mas um erro grave da equipa de arbitragem, invalidou mal o segundo golo. No segundo tempo, a Alemanha chegou rapidamente ao 4-1, e foi o fecho para os ingleses...
EUA: Sinal evidente de que o futebol nos Estados Unidos, está a crescer foi esta participação no Mundial.
Um bom jogo na jornada inaugural valeu um ponto frente à Inglaterra, seguindo-se depois novo empate, frente à Eslovénia, num jogo em que os americanos estiveram a perder por 2-0.
Na última jornada o triunfo sobre a Argélia (1-0) valeu a passagem aos Oitavos de Final.
Depois, nos Oitavos, quis o destino que os Estados Unidos terminassem ali a sua participação no Mundial 2010. Frente à outra grande sensação deste campeonato do Mundo, o Gana, os americanos acabaram por ser eliminados já no prolongamento.
Eslovénia: Pela segunda vez na fase final de um Campeonato do Mundo, a Eslovénia foi uma boa surpresa, e tinha condições para ir mais além na prova.
Com uma equipa bastante talentosa, onde saltam à vista os nomes do guarda-redes Handanovic (Udinese) e do avançado Valter Birsa (Auxerre), os eslovenos contaram ainda com o "português" Pecnik do Nacional, e com um jogador que também já passou pelo nosso País e também pela Ilha da Madeira: Andrej Komac (Marítimo).
Depois de uma vitória sobre a Argélia na ronda inaugural, a Eslovénia teve tudo para selar a qualificação para os Oitavos logo na segunda ronda. Depois de terem estado a vencer os EUA por 2-0, os eslovenos deixaram-se empatar já no último segundo.
A derrota na última jornada frente à Inglaterra, acabou com o sonho da nação eslovena. Será que os eslovenos preferiam a famosa equipa de Zahovic, Acimovic e Cimirotic ?
Argélia: Uma das grandes "regressadas" às fases finais do Campeonato do Mundo (a última vez que a Argélia logrou participar num Mundial havia sido em 86 na Espanha), e que passou por muita coisa surreal para chegar ao Mundial.
Certamente, ninguém esqueceu o ataque que os argelinos sofreram na véspera do jogo decisivo frente ao Egipto. Só por isso, já mereciam o apuramento, mas conseguiram-no dentro das quatro linhas.
A derrota na jornada inaugural frente à Eslovénia, deixou antever que os argelinos iam mesmo embora na fase de grupos. No entanto, o empate na segunda jornada frente à Inglaterra, ainda fez reacender uma réstia de esperança.
Na última jornada, a derrota frente aos EUA confirmou a eliminação argelina.
O "português" Halliche do Nacional e o ainda jogador do Benfica, mas emprestado ao Portsmouth, Hassan Yebda, foram dois dos jogadores que participaram nos três jogos dos argelinos.
Grupo D:
Alemanha: A equipa de Ozil, Schweinsteiger, Mueller e Klose. Este quarteto fantástico, fez claramente das suas durante a "estadia" na África do Sul.
Um futebol entusiasmante, que permitiu aos alemães abrirem com goleada sobre a Austrália (4-0), deu lugar a uma grande decepção na segunda jornada, aquando da derrota germânica frente à Sérvia.
A fechar a fase de grupos, a vitória sobre o Gana confirmou a qualificação para os Oitavos.
Na fase decisiva, os alemães não tiveram sorte com os adversários. A verdade é essa. No entanto, duas espectaculares vitórias sobre Inglaterra (4-1 nos Oitavos) e Argentina (4-0 nos Quartos) fizeram sonhar o povo alemão.
A derrota contra a Espanha na meia final, acabou o sonho, mas mais uma vez os alemães fecharam o pódio do Mundial, depois de vencerem o Uruguai por 3-2 no jogo de atribuição do 3º e 4º lugar.
Gana: A grande sensação a par do Uruguai. Quis o destino que ambos se enfrentassem nos Quartos de Final.
Uma vitória na ronda inaugural sobre a Sérvia, e um empate na segunda jornada perante a Austrália praticamente confirmava o apuramento ganês.
A derrota na última jornada com a Alemanha, acabou por confirmar à mesma o apuramento do Gana para os Oitavos.
Nos Oitavos, uma vitória sofrida já no prolongamento sobre os EUA, mostrava que o Gana tinha condições para continuar a surpreender.
Nos Quartos de Final, e mais uma vez no prolongamento, Gyan desperdiçou uma oportunidade de ouro de dar a passagem à sua equipa, e nos penaltis os uruguaios foram mais felizes.
Austrália: A Austrália, é sempre uma das selecções mais queridas do público. Depois de uma boa participação em 2006, todos esperavam pelo menos que os australianos seguissem para os Oitavos.
No entanto, um péssimo arranque dos "Socceroos" (derrota 4-0 com a Alemanha), deixou antever o pior. Depois, o empate frente ao Gana também não ajudou nada.
Para terminar, os australianos despediram-se com uma vitória sobre a Sérvia.
Não deixa de ser curioso, o facto de nos dois primeiros jogos, os australianos terem terminado com 10 jogadores.
Sérvia: A Sérvia é outra das selecções, de quem se espera sempre algo de positivo em qualquer competição. Digamos, que é uma "tradição" que já vem dos tempos da Jugoslávia.
Com uma equipa bastante forte em termos individuais, que contava com jogadores como Kolarov (Lazio), Vidic (Man United), Ivanovic (Chelsea), Stankovic (Inter), Zigic (Valencia) entre outros, os sérvios começaram mal, ao perderem com o Gana por 1-0.
Seguiu-se depois uma surpreendente vitória sobre a Alemanha por 1-0, e para terminar uma derrota com a Austrália "mandou" os sérvios mais cedo para casa.
O guarda-redes titular foi Stojkovic que ainda pertence ao Sporting, e um dos seus suplentes foi Djuricic da União de Leiria.
(Continua no post seguinte...)