quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Liga dos Campeões: Braga goleado em Londres

Estreia infeliz do Sp. Braga na Champions League. Os bracarenses foram copiosamente goleados em Londres, 6-0, pelo Arsenal.
Outra conclusão que podemos tirar desta partida, é que as vítimas preferidas do Arsenal, são os clubes portugueses. Nas últimas temporadas, sempre que um clube português visitou o Emirates Stadium, acabou goleado (FC Porto em 08/09 por 4-0; e em 09/10 por 5-0).
Foi um jogo em que tudo saiu mal à equipa bracarense, que entrou na partida praticamente a perder, algo que pode ter condicionado a actuação no que restava para jogar.
O jogo começou algo morno, e só animou aos 9' minutos, quando o guarda-redes do Braga, Felipe, derrubou Chamakh dentro de área.
Chamado a converter a grande penalidade, Fabregas não perdoou e abriu a contagem ainda antes dos primeiros dez minutos de jogo.
De seguida, Felipe redimiu-se da grande penalidade cometida, e com uma boa defesa, negou o golo a Wilshere.
O primeiro remate do Braga à baliza, surgiu ao minuto 14'. Paulo César atirou de fora de área, mas Almunia agarrou sem problemas.
Seis minutos depois, novamente Paulo César a rematar à baliza dos "Gunners" e novamente o remate a ser facilmente encaixado por Almunia.
Aos 26', Luís Aguiar arriscou a sua sorte de fora de área, mas a bola acabou por sair muito por cima.
Na resposta, o Arsenal marcou o segundo golo. Excelente trabalho de Fabregas, que deu para Arshavin. Na hora de rematar à baliza, o russo não esteve com meias medidas, e fez o 2-0.
Ainda o Braga estava a pensar no segundo golo sofrido, e já o Arsenal fazia o terceiro. Aos 34', Wilshere desmarcou Chamakh de calcanhar, e o marroquino surpreendeu Felipe ao rematar. Estava feito o 3-0.
Até final do primeiro tempo, a partida não teve grandes momentos de registo, com o poderio dos londrinos a não encontrar grande oposição por parte dos minhotos.
O segundo tempo, começou praticamente com mais um golo do Arsenal. Miguel Garcia escorregou, e permitiu que Arshavin cruzasse sem oposição. Fabregas, sem marcação, empurrou para o 4-0 aos 53'.
Quatro minutos depois, novamente Fabregas (quem mais ?), a criar perigo. Chapéu do espanhol a Felipe, com Moisés a salvar quase em cima da linha.
Aos 59', Chamakh poderia ter ficado isolado perante Felipe, mas o árbitro assim não o entendeu, assinalando fora de jogo ao internacional marroquino.
O jogo estava mais do que "feito" e continuava a dar apenas Arsenal. Aos 68', Arshavin atirou ao poste, e na recarga deu para Fabregas, que acabou por perder a hipótese de fazer o 5-0.
No minuto seguinte, uma excelente assistência de Arshavin para Carlos Vela, culminou com o quinto golo da noite. Frente a Felipe, o mexicano não falhou e fez o 5-0.
Depois disto, o jogo voltou a perder interesse, animando já perto do fim, quando aos 84', Fabregas isolou Carlos Vela, dando oportunidade ao mexicano de bisar na partida.
Frente a Felipe, Vela não desperdiçou e aumentou para 6-0! Que pesado!
O jogo caminhou depois a passos largos para o fim, e esta estreia do Braga na Champions, foi um autêntico filme de terror. Há dias em que nada sai bem...Ficha de Jogo:

Arsenal: Almunia; Sagna, Koscielny, Squillaci e Clichy; Song (Denilson 63') e Fabregas; Wilshere, Arshavin (Eboué 69') e Nasri; Chamakh (Vela 63').
Treinador: Arséne Wenger. Suplentes Não Utilizados: Fabianski; Gibbs, Djorou e Rosicky.

Sp. Braga: Felipe; Miguel Garcia, Moisés, Rodríguez e Sílvio; Vandinho, Hugo Viana (Márcio Mossoró 55') e Luís Aguiar; Alan, Matheus (Lima 60') e Paulo César (Hélder Barbosa 70').
Treinador: Domingos Paciência. Suplentes Não Utilizados: Arthur; Paulão, Andrés Madrid e Elton.

Disciplina:
Amarelos: Felipe 8'; Rodríguez 20'; Sagna 64';

Golos: 1-0 Fabregas aos 9' de grande penalidade; 2-0 Arshavin aos 30'; 3-0 Chamakh aos 34'; 4-0 Fabregas aos 53'; 5-0 Vela aos 69'; 6-0 Vela aos 84';

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Liga dos Campeões: Benfica abre com triunfo

Dois anos depois, o Benfica voltou à fase de grupos da Champions, e nada melhor do que começar com um triunfo. Os encarnados superiorizaram-se ao Hapoel Tel-Aviv, e venceram por 2-0.
O Benfica entrou mais forte na partida, tal como lhe competia, pois estava a jogar no seu reduto.
Mais atrevidos, os encarnados, efectuaram o primeiro disparo à baliza adversária, quando estavam decorridos 6' minutos por intermédio de David Luiz. Contudo, o remate foi fácil para Enyeama.
Aos 11', Cardozo apareceu no lado esquerdo do ataque encarnado, e cruzou para o interior da área israelita, onde não estava nenhum jogador encarnado para fazer o golo.
Três minutos depois, o mesmo Cardozo surgiu isolado na cara de Enyeama, mas não conseguiu bater o guardião nigeriano. De seguida, Gaitán rematou fraco e à figura.
Na resposta, ficou uma grande penalidade por assinalar, favorável aos israelitas. Luisão agarrou Shechter na área encarnada, mas o árbitro Aleksei Nikolaev, deixou seguir.
Aos 19', o israelita Ben Sahar por pouco não marcou, após cruzamento perigoso de Shechter.
No minuto seguinte, golo do Benfica. Pontapé de canto mal marcado por Aimar na esquerda, com a bola a sobrar para Carlos Martins. O médio português cruzou para o interior da área, onde Luisão, rematou com estilo para o 1-0, aos 20' minutos.
Aos 22', Shechter voltou a cair na grande área do Benfica, mas desta vez o avançado israelita, simulou.
Dois minutos volvidos, Roberto opôs-se com grandes reflexos a um cruzamento vindo da esquerda, de Zahavi e evitou o pior para o Benfica.
Aos 27', grande assistência de Carlos Martins para Aimar, com o argentino em esforço, a tocar a bola com a ponta da bota, valendo a saída de Enyeama aos israelitas.
Depois, foi Gaitán, que aos 32' minutos tentou a sua sorte, mas a bola saiu enrolada e fácil de agarrar para Enyeama.
Aos 35', novamente Roberto a brilhar, após um remate em arco de Bondarv. O Hapoel esteve perto do empate.
Aos 39', foi Carlos Martins quem esteve perto do segundo. Bom remate do jogador encarnado, com Enyeama a ser obrigado a esticar-se, e a negar o segundo aos encarnados.Em cima do intervalo, novamente Carlos Martins a tentar o golo, com Enyeama a opôr-se ao jogador do Benfica, com uma defesa a dois tempos.
No segundo tempo, o Benfica entrou um pouco adormecido, e só aos 52' conseguiu criar um lance de perigo. Gaitán trabalhou bem na esquerda e serviu Cardozo, mas o paraguaio não conseguiu dar o melhor seguimento ao lance, rematando fraco para as mãos de Enyeama.
Aos 56', bom lance de Pablo Aimar, que depois de ultrapassar dois adversários serviu Cardozo, que voltou a falhar.
Cinco minutos depois, Carlos Martins de muito longe e na conversão de um livre directo, atirou forte, mas Enyeama defendeu sem problemas.
Aos 63', cruzamento de Rúben Amorim na esquerda, com Saviola a antecipar-se a um defesa israelita, mas a rematar ao lado.
Aos 68', mais um golo do Benfica. Maxi Pereira apareceu no interior da área israelita e rematou para defesa incompleta de Enyeama. Na recarga, Oscar Cardozo empurrou para o 2-0 e "matou" a partida. Nos festejos, o paraguaio colocou o dedo à frente da boca, mandando calar os adeptos benfiquistas, que minutos antes o haviam assobiado. Como "castigo", Cardozo foi novamente vaiado.
Aos 79', Rúben Amorim irrompeu pela direita e rematou para defesa de Enyeama, enquanto que na recarga, Saviola poderia ter feito o terceiro da noite, mas rematou por cima.
Na resposta, Yadin aos 82', disparou de fora da área, com Roberto a ficar pregado ao relvado. No entanto, o esférico saiu ao lado da baliza encarnada.
Aos 86', novamente os israelitas a criarem perigo, com Tamuz a rematar ao poste direito da baliza encarnada. Mais uma vez, Roberto ficou a olhar.
Pouco depois, a partida terminou e o Benfica abriu a fase de grupos da Champions com um triunfo.Ficha de Jogo:

Benfica: Roberto; Rúben Amorim, Luisão, David Luiz e Fábio Coentrão; Javi García, Carlos Martins, Aimar (Airton 70') e Gaitán (Maxi Pereira 56'); Cardozo e Saviola (César Peixoto 86').
Treinador: Jorge Jesus. Suplentes Não Utilizados: Júlio César; Sidnei, Jara e Nuno Gomes.

Hapoel Tel-Aviv: Enyeama; Bondarev, Douglas da Silva, Fransman (Badier 73') e Ben Dayan; Rocchi (Shivhon 60'), Yadin, Vermouth e Zahavi; Ben Sahar (Tamuz 56') e Shechter.
Treinador: Eli Gutman. Suplentes Não Utilizados: Ben Shanan; Shish, Kende e Abutbul.

Disciplina:
Amarelos: Shechter 22'; Ben Dayan 59';

Golos: 1-0 Luisão aos 20'; 2-0 Cardozo aos 68';

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

II Divisão: Farense 0-0 Louletano

Um derby é sempre um jogo diferente. Um jogo de emoções e sentimentos fortes.
Esta temporada, a Zona Sul da II Divisão volta a ter um 'adicionante' especial. Depois do Estrela da Amadora na temporada passada, este ano é a vez do também histórico Farense, marcar presença no terceiro escalão do futebol português.
E, para iniciar o campeonato, não há melhor do que um derby logo a abrir. No velhinho Estádio São Luís, que noutros tempos recebeu o Ol. Lyon para a Taça UEFA, entre outros grandes jogos, Farense e Louletano, reeditaram um confronto histórico e que já vem de há muitos anos.
A última vez que os "Leões de Faro" estiveram na II Divisão, não escaparam à descida de divisão (03/04), enquanto que o Louletano ascendeu ao terceiro escalão, na temporada 08/09 depois de levar de vencida a Série F da III Divisão.
Apesar de na temporada 08/09, ambos se terem encontrado na III Divisão, o confronto de ontem, é ainda mais "especial", porque ambos anseiam pelo regresso aos campeonatos profissionais, e porque o escalão é superior.Este derby, ficou marcado, tal como quase todos os outros derbys, pelo equilíbrio existente entre ambos os conjuntos.
A primeira grande oportunidade de golo do jogo, surgiu já depois de alcançada a meia hora de jogo, com o jogador do Farense, Adérito, a isolar-se mas a não conseguir bater o guardião forasteiro, Bruno Lúcio.
Na resposta, Alberto atirou forte, com a bola passar ao lado da baliza de Serrão, guarda-redes do Farense, e que entre outros, já representou Marco, Covilhã e Ovarense.
O Louletano, continuou à procura do golo, e na sequência de um pontapé de canto, Léo rematou com perigo, mas a bola saiu ao lado da baliza do Farense.
No segundo tempo, a turma de Loulé entrou melhor, enquanto que os da casa aproveitaram para responder em situações de contra-ataque.
Ao minuto 75', o Louletano desperdiçou a sua melhor ocasião para marcar. Gary apareceu dentro de área completamente solto, e atirou para uma defesa incompleta de Serrão. Na recarga, o central Fausto Lúcio (jogador formado no Benfica) atirou por cima da barra, desperdiçando assim uma ocasião soberana para que a sua equipa abrisse o marcador.
Na resposta, o farense Kéu, rematou à meia volta, mas a bola saiu ligeiramente por cima da baliza de Bruno Lúcio.
A seis minutos do fim, gritou-se golo no São Luís, mas o lance acabou invalidado. Adérito, jogador do Farense, desviou já dentro de área, para o fundo das redes, mas o árbitro da partida (o também algarvio Nuno Almeida) anulou o lance e mostrou cartão amarelo ao avançado do Farense.
Minutos depois, o jogo chegou ao fim.
Ficha de Jogo:

Jogo realizado no Estádio São Luís, em Faro (relvado natural)
Árbitro Principal: Nuno Almeida (AF Algarve)

Farense: Serrão; Cannigia, N'Diaye, Tiago Sousa e Joshua Silva; Gualter Bilro, Eduardo Barão, Davide Justo (Bruno Carvalho 55') e Adérito; Kéu e Luís Zambujo (Luís Afonso 68').
Treinador: Joaquim Mendes. Suplentes Não Utilizados: Zé Silva; Carlinhos, André Calado, China e Paulinho.

Louletano: Bruno Lúcio; Pedro Eugénio, Fausto Lúcio, Cordeiro e Dante; Fábio Teixeira, Léo e Alberto; Bruninho (João Reis 75'), Ben (Gary 68') e Fábio (Nicola 89').
Treinador: Paulo Renato. Suplentes Não Utilizados: Kula; Romício, André David e Rafael.

Disciplina:
Amarelos: Luís Zambujo 27'; Gualter Bilro 34'; Tiago Sousa 51'; Fábio Teixeira 66'; Bruno Carvalho 72'; Pedro Eugénio 81'; Adérito 84';

Marcador: Nada a assinalar.

Fotos retiradas do blog SC Farense 1910.

sábado, 11 de setembro de 2010

11 Setembro 2001: A tragédia bateu à porta de Cláudio Serra

(Digitalização proveniente da revista "Record - Ao desafio 1999/2000".)
O dia 11 de Setembro de 2001, ficará para sempre marcado na história Mundial, como um dia de tragédia, devido ao atentado da Al Qaeda ao World Trade Center, nos Estados Unidos. Milhares de pessoas morreram, naquele que foi um dia muito chuvoso em Portugal.
Faz hoje precisamente nove anos, e o futebol português também ficou mais pobre. E não, não perdeu nenhum atleta no World Trade Center.
José Cláudio Amorim Martins Serra, Cláudio Serra no mundo do futebol, e na altura jogador do Gondomar, perdeu a vida num acidente de viação ocorrido no IP4.
Cláudio, havia reforçado o Gondomar meses antes, tendo em vista a temporada futebolística 01/02, mas acabou por fazer apenas um jogo ao serviço dos gondomarenses.
Antes de chegar a Gondomar, Cláudio Serra começou a sua carreira sénior ao serviço do São Pedro da Cova, passando depois pelo Rio Tinto, antes de novo regresso a São Pedro da Cova.
Saiu para o Maia em 96/97, levando o clube maiato à Liga de Honra, permanecendo no clube em 97/98, disputando o segundo escalão do futebol português.
Em 98/99 rumou ao Vianense, da III Divisão, onde sob as ordens de Rogério Gonçalves deu nas vistas, fazendo com que o seu técnico o levasse com ele para o Varzim na temporada seguinte.
Ao serviço do Varzim, na temporada 99/00, Cláudio Serra regressou à Liga de Honra, participando em 25 jogos, tendo marcado um golo.
Apesar da regularidade, não continuou no clube para 00/01, rumando ao Bragança, que iria disputar a II Divisão B.
Na temporada seguinte, rumou como eu já aqui disse, ao Gondomar, que também estava na II Divisão B.
Ironia do destino ou não, o último clube que Cláudio Serra representou foi precisamente o clube do seu concelho, pois ele era natural de São Pedro da Cova, freguesia pertencente ao concelho de Gondomar.
Era extremo esquerdo, e faleceu com 27 anos (nasceu a 20 de Dezembro de 1973).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Selecção: Fim da era Queiroz

Depois de tanta guerra, entre várias entidades do desporto nacional e Carlos Queiroz, e já depois de todos defenderem que o melhor era o técnico ser afastado do cargo de seleccionador, eis que a notícia se torna oficial: Carlos Queiroz foi demitido.
Num comunicado lido há cerca de uma hora atrás, Gilberto Madaíl dá conta do despedimento do técnico, e informou ainda que os dirigentes irão procurar agora um susbtituto e que serão marcadas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.
Arrisco-me a dizer que o substituto de Queiroz, será o espanhol Luis Aragonés, apesar de outros nomes como os de Paulo Bento e Manuel Cajuda, já terem vindo "à baila".
Eis algumas das palavras ditas pelo presidente da FPF, Gilberto Madaíl:

"No dia 14 anunciámos que se cumpriram dois dos objectivos, que foram a qualificação para a fase final e o apuramento para a fase a eliminar. Dissemos que o resultado fica aquém do que esperávamos, mas ficaram cumpridos estes objectivos. Depois da análise foi decidido resolver o contrato de serviços com Queiroz de forma imediata."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entrevista a: Diogo Fonseca

Aos 25 anos, Diogo Fonseca, tem já um currículo de fazer inveja a muita gente. Santa Clara, V. Setúbal, Mallorca e mais recentemente Boavista, são alguns dos clubes que o ponta de lança açoriano já representou.
Formado nas camadas jovens do U. Micaelense e do Santa Clara, chegou ao primeiro escalão ainda com idade júnior, estando em foco nas suas duas primeiras aparições entre os "grandes".
Depois de algum "desaproveitamento" por parte do Santa Clara, rumou ao Setúbal, onde disputou a final da Taça de Portugal em 2006 e a Supertaça meses depois, ambos troféus perdidos para o FC Porto.
Seguiu-se, depois, um empréstimo ao Operário, e a mudança para Espanha em 07/08. Por terras de "nuestros hermanos" representou a equipa B do Mallorca e ainda o Granada, regressando a Portugal na temporada anterior, para representar o Boavista.
Depois de ser o melhor marcador dos axadrezados, rumou ao Feirense, da Liga Orangina.
Em entrevista exclusiva ao "Conversas Redondas", Fonseca mantém a esperança de chegar à Selecção principal e lamenta ainda o facto dos açorianos não acreditarem nos seus jogadores.
É ponta de lança.

Conversas Redondas (CR): Mudou-se das camadas jovens do U. Micaelense para o Santa Clara em 1999. Sentiu a mudança de um clube teoricamente mais pequeno, para um clube que começava a dar os primeiros passos na I Divisão Nacional?
Diogo Fonseca (DF): Não muito, porque era algo que já queria há algum tempo. Isto é, mudar-me para um clube onde pudesse ter uma hipótese de no futuro, seguir no futebol profissional.

CR: O Fonseca não defradou as expectativas de quem havia apostado em si, e ainda com idade Júnior, foi lançado na equipa sénior, que competia na SuperLiga. Recorda-se do jogo da sua estreia no primeiro escalão, frente ao Gil Vicente?
DF: Sim, tenho boas recordações desse jogo. Entrei em campo faltavam 15 minutos, e entrei bem, já que fiz a assistência para o golo do Bruno Ribeiro. Festejei, como se tivesse sido eu a marcar.

CR: Depois da estreia na 22ª Jornada, veio o golo na jornada seguinte, frente ao V. Guimarães. Como se sentiu depois de marcar o seu primeiro golo na I Divisão, é, ainda por cima, um golo que valeu três pontos?
DF: Não poderia ter tido melhor estreia em casa, na minha própria terra. Quando entrei em campo, senti logo a esperança e a ilusão que a massa adepta santaclarense tinha em mim. Foram momentos muito bonitos.

CR: O Santa Clara acabou por não conseguir evitar a despromoção no final da temporada, mas o Fonseca permaneceu no clube para 03/04. Não teve convites de clubes da I Divisão? 
DF: Na altura, estava a começar a ser convocado para a Selecção Sub-19, e estava a par do interesse de alguns clubes da Primeira Liga. Porém, o Santa Clara não permitiu a saída, afirmando que era uma aposta do futuro, coisa que nunca entendi, visto que joguei muito pouco nas temporadas seguintes.

CR: Seguiram-se duas temporadas pelo Santa Clara na Liga de Honra, com poucas oportunidades para jogar, e, claro, poucos golos. Na sua opinião, o que "falhou" para não ter jogado com a regularidade que pretendia, especialmente na segunda temporada? 
DF: Como disse, nunca percebi o porquê. Mas sempre trabalhei no máximo e ninguém me pôde apontar nada. O meu ciclo no Santa Clara acabou no final do contrato, e não fui contactado pelo clube, nem para me dizerem que tinha sido dispensado. Para trás, tive o previlégio de trabalhar com Homens como Carlos Alberto Silva, Ricardo Formosinho, Francisco Agatão e Manuel Fernandes, estes dois últimos talvez os treinadores que mais me marcaram até à data. Manuel Fernandes, porque assumiu a minha promoção dos Júniores para os Seniores, e porque foi um enorme prazer ser treinado por um dos melhores pontas de lança da história do futebol português. Francisco Agatão, porque sempre confiou em mim e nas minhas qualidades. Se um dia vier a ganhar algum troféu como jogador, ele sem dúvida, teve muita influência nisso.

CR: Na temporada 05/06 mudou-se para o V. Setúbal. O Vitória era o detentor da Taça de Portugal e ia participar nas competições europeias. Estes dois factores, além do clube histórico que é o V. Setúbal, e ainda o facto de poder voltar a jogar na I Divisão, tornaram mais fácil a aceitação do convite? 
DF: Cheguei pela mão de Ricardo Formosinho à equipa B do Vitória, muito por culpa de ter saído do Santa Clara pela "porta pequena". Mas, o meu pensamento sempre esteve em chegar o mais rápido à equipa principal. Foi algo que sempre quis. Saí dos Açores, porque me apercebi cedo que quem menos acreditava no meu valor, eram as pessoas da minha própria terra. Sempre foi assim, e sempre será até que surja alguém, que decida dar um pontapé no cepticismo em relação ao jogador açoriano.

CR: Apesar de não ter jogado na Europa, e de não ter marcado qualquer golo na SuperLiga, foi seu o golo que permitiu ao Setúbal vencer em Fafe, na 4ª Eliminatória da Taça de Portugal. Como foi marcar um golo que acabou por ser decisivo para o futuro do Vitória na Taça? 
DF: Foi bom poder contribuir para que o Vitória nesse ano, chegasse outra vez ao Jamor. Se calhar, gostaria de ter ajudado mais o clube noutras frentes, mas na realidade, não era dos jogadores mais utilizados.

CR: Nessa mesma edição da Taça, o Fonseca participou em mais três jogos. Se bem que um deles é inesquecível. Falo do jogo da final frente ao FC Porto, em que o Fonseca "saltou" do banco aos 81'. Pisar o Jamor, num jogo daqueles, e logo frente ao recém-Campeão é, presumo, uma enorme emoção e alegria.
DF: Foi um sonho tornado realidade. São emoções e sentimentos que me vão acompanhar para o resto da vida. Infelizmente, não ganhamos porque tivemos uma grande equipa pela frente. Mas como sou ambicioso, espero um dia voltar a pisar aquele palco.

CR: Pelo meio, foi presença assídua nos jogos da equipa B do Vitória na II Divisão B, onde conseguiu marcar cinco golos, incluíndo um "bis" ao Imortal. O Vitória apesar de utilizar vários jogadores da equipa principal, acabou por descer à III Divisão. Na sua opinião, porque razão o Setúbal B desceu de divisão, se utilizava semanalmente vários jogadores da "primeira" equipa? Esses jogadores vinham desmoralizados por terem de jogar na II Divisão B? 
DF: Acredito que talvez houvesse um pouco de desmoralização em alguns jogadores, mas sei que nunca houve falta de profissionalismo. Também é preciso lembrar que nessa altura, o Vitória tinha muitos problemas financeiros e estava em falta em vários meses para com os jogadores. Também a falta de entrosamento entre os jogadores, pode ter sido um factor desmoralizante. Acredito que se fosse hoje, noutras circunstâncias, o Setúbal B nunca teria descido de divisão, visto que só no último jogo se confirmou a descida.
CR: Continuou no Setúbal para 06/07, mas desta vez foi muito pouco utilizado. Apenas três jogos como suplente utilizado no primeiro escalão. Em Janeiro, optou por sair para o Operário dos Açores, de forma a poder jogar com mais regularidade, ficando ao mesmo tempo, mais perto de casa.
DF: Sim. Passava por uma situação económica dramática e decidi reorganizar a minha vida por seis meses, ao pé da minha família. Aí, entra em cena o "Mister" Agatão, que praticamente me ressuscitou para o futebol e recuperou a minha alegria de jogar futebol. Adorei todos os momentos naquele clube, e encontrei um dos melhores balneários (Miguel Lopes por exemplo, estava no Operário) onde já estive. Estou profundamente agradecido, a todas as pessoas que lá estavam porque foram as ÚNICAS na ilha, que acreditaram que o Fonseca não ficaria por ali.

CR: Depois de passagens intercaladas pela I Divisão e pela II Divisão B, assinou pelo Mallorca de Espanha. Como surgiu essa hipótese de assinar contrato com um clube muito prestigiado em Espanha? 
DF: Foi através do empresário que me representava naquela altura. Já antes de ingressar no Operário, soube do interesse, mas não passou disso. No final da época, depois de me conformar que teria de ficar outro ano na ilha, surgiu essa oportunidade, e claro que não a poderia desperdiçar.

CR: Acabou por passar a temporada na equipa B do Mallorca, onde deu nas vistas, ao apontar 18 golos em 28 jogos. Mesmo assim, não jogou pela equipa principal. Alguma vez lhe explicaram o porquê de não ser aposta? 
DF: Não, nunca percebi. Ainda hoje, vejo muitos dos meus colegas da altura, que jogam e estão sendo aposta na presente temporada na equipa principal do Mallorca, e acredito que se tivesse tido uma oportunidade, talvez o meu trajecto actual seria outro. Às vezes, no futebol, joga-se muito mais fora de campo, e fuí vítima dos interesses dos bastidores. Mas, a minha personalidade não me permite ficar a "chorar" e ser coitadinho. Nunca desistirei. Sei que sou o orgulho da minha família e amigos, e isso é o mais importante para mim.

CR: A boa temporada ao serviço do Mallorca, abriu-lhe novas "portas" no futebol espanhol, e para 08/09, assinou com o Granada, da II Divisão B espanhola. No entanto, marcou poucos golos, saíndo no final da temporada. Que balanço faz da sua passagem pelo futebol espanhol? 
DF: Vivi muitas experiências. Positivas e negativas, naturalmente. Ajudou-me a crescer como Homem e como jogador. No primeiro ano em Mallorca, cresci muito como jogador; no segundo ano, em Granada, cresci muito como Homem.

CR: Depois de dois anos em Espanha, regressou a Portugal, e logo para um clube com grandes pergaminhos no nosso futebol. Como surgiu a hipótese de jogar no Boavista?
DF: Já depois de ter travado uma dura batalha com o Mallorca, para chegar a um acordo para a rescisão do meu contrato, fechado o mercado de transferências, recebi uma chamada do Sr. Barbosa (antigo director-desportivo do Boavista) e decidi que não tinha nada a perder, apesar de muita gente me aconselhar a não ir para o Boavista, devido aos problemas do clube. Não me arrependi em nada.

CR: Quando chegou ao clube, a situação era tão "caótica" como as pessoas falavam ou o Boavista dava claros sinais de melhorias ?
DF: Realmente, a situação era difícil, mas com a união do grupo de trabalho e o esforço que as pessoas na parte directiva, fizeram para que o clube pudesse ser inscrito, foi uma boa base para a temporada difícil e sofrida que viemos a ter. Só com um grupo forte, foi possível alcançarmos a manutenção.

CR: Alheio aos problemas do Boavista fora das quatro linhas, o Fonseca conseguiu ser o melhor marcador da equipa, ao apontar 11 golos em 26 jogos. Isto fez de sí um ídolo para os adeptos do Boavista, como já tive oportunidade de constatar. Sente-se honrado por se ter tornado numa das grandes referências dos adeptos "axadrezados"? 
DF: Cheguei ao Boavista, com o intuito de relançar a minha carreira, e apesar dos problemas do clube, o Boavista será sempre um grande clube. Digam o que disserem, é um clube diferente, com uma massa adepta diferente. Com o passar do tempo, fui aprendendo a gostar e a perceber a mística através das pessoas que lá estão. Um clube, onde se formaram alguns dos melhores jogadores portugueses nos últimos tempos e alguns da actualidade. O meu objectivo, sempre foi ajudar a levantar o clube, juntamente com os meus companheiros, e se pelo meio ganhei o respeito e a admiração dos adeptos boavisteiros, fico muito contente que assim seja, e agradeço todo o apoio que tive durante a época. Mas, realmente, eu não teria sido aquilo que fui, sem os meus companheiros. Fico agradecido ao Boavista, porque foi o clube que confiou em mim quando mais ninguém confiava.

CR: Depois de uma boa temporada na II Divisão Nacional, teve vários convites, mas optou pelo Feirense. Porquê essa opção? 
DF: Foi a melhor oferta que tive no defeso, também pela estabilidade económica que o clube oferece para o meu futuro, que é muito importante. Foi difícil para mim deixar o Boavista, pelo carinho que tenho pelas pessoas de lá, mas o meu futuro imediato teria que passar por um clube onde possa dar continuidade à boa época que fiz no ano passado e que me dê estabilidade económica, algo que, infelizmente, o Boavista não me pode oferecer de momento. Gostaria, isso sim, de poder vestir de novo o "xadrez" no futuro.

CR: Quais os objectivos do Feirense para a temporada 2010/2011? Depois da prestação da temporada passada, arrisco-me a dizer que o grande objectivo vai ser lutar pela subida.
DF: O clube fez um investimento inferior à época passada, mas a ambição está redobrada. Acredito que podemos formar uma boa equipa e lutar pela subida até ao fim num campeonato difícil. Mas, o nosso pensamento, terá de ser jogo-a-jogo.

CR: E o Fonseca, que objectivos tem para esta temporada? Superar os 11 golos de 09/10, é um dos objectivos estabelecidos?
DF: Quero dar seguimento ao que fiz na temporada passada. Sou ambicioso e não desisto da primeira. Sei que tenho qualidades para estar mais acima no panorama do futebol português, e vou tentar agarrar todas as oportunidades que surgirem, para apresentar trabalho e golos. Não gosto de fixar número de golos, mas claramente, espero fazer algo igual ou superior à época passada.

CR: Tem várias internacionalizações pelas selecções jovens e ainda é novo. Continua a manter a esperança de chegar à Selecção A? Ainda por cima, na sua posição, Portugal ultimamente não tem tido grandes referências e viu-se "obrigado" a naturalizar Liedson...
DF: Sou ambicioso, e gostaria um dia de jogar novamente pela Selecção. Mas sou realista, e não vivo obcecado com isso. Mas acredito que o País tem matéria-prima suficiente, para não ter que naturalizar ninguém.Questões rápidas.
CR: Sendo o Fonseca ponta de lança, não posso deixar de lhe fazer esta pergunta: Melhor golo da carreira?
DF: Todos os golos são importantes para mim. Não há grandes golos. Há o golo que passa a linha final, uns mais importantes que outros, é claro. Posso dizer que o golo que nunca esquecerei, foi o da minha estreia na 1ª Liga nos Açores, contra o Guimarães.

CR: Em grande parte dos clubes que representou, utilizou sempre a camisola 47. Por que razão usa constantemente a camisola 47 ? É superstição? 
DF: O número 47, significa uma vontade e ambição em conseguir o seu objectivo de qualquer maneira, independentemente dos obstáculos que se atravessem no meio. Adicionando também 4+7 dá 11, que significa o poder de um guerreiro. Pode-se dizer que sim, que sou supersticioso.

CR: Ao longo da sua carreira, já trabalhou ao lado de jogadores com "nome" no futebol português, como Jorge Silva, Sandro ou Sérgio Nunes. Algum destes ou outro colega, o marcou de uma maneira "especial"?
DF: Jorge Silva, pela sua liderança e capacidade motivacional.

CR: Em Setúbal, jogou com Silvestre Varela. Já naquela altura se percebia que o Varela tinha tudo para triunfar numa grande equipa como o Sporting? Ou, neste caso, como o FC Porto...
DF: Há talentos que não enganam, e o Varela já no Vitória demonstrava o grande jogador que é. Na minha opinião, é o jogador com mais talento, que o Sporting conseguiu formar depois de Futre, Figo e Ronaldo. O tempo encarregar-se-á de o confirmar, para tristeza dos adeptos leoninos.

CR: É capaz de eleger um onze formado por companheiros de equipa (Actuais ou Passados)? 
DF: Guarda-Redes: Hugo Ferreira (Mallorca)
Defesa Direito: Ribeiro (Boavista)
Defesa Central de Marcação: Kali (Santa Clara)
Defesa Central Livre: Jorge Silva (Boavista)
Defesa Esquerdo: Bruno Ribeiro (Santa Clara e V. Setúbal)
Médio Direito: Paulo Campos (Boavista)
Médio Centro: Ariel Ibagaza (Mallorca)
Médio Centro: Pacheco (Santa Clara)
Médio Esquerdo: Garba Lawal (Santa Clara)
Ponta de Lança: Brandão (Santa Clara)
Ponta de Lança: Emilio N'Sue (Mallorca)

*Entre parêntesis, o clube onde Fonseca jogou com o respectivo colega.

O "Conversas Redondas" agradece a Fonseca, o tempo dispendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Fonseca, aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ovarense - Beira Mar: O reencontro quatro anos depois

(Aveiro, 8 de Janeiro de 2006. À falta de jogadores, os guarda-redes da Ovarense, Évora (a sair) e Armando (a entrar), foram utilizados como pontas de lança. O Beira Mar venceu 2-0.)
Longe vão os tempos, em que a Ovarense lutava ombro a ombro com os seus principais rivais, como Feirense, Oliveirense e Beira Mar.
Foi precisamente o Beira Mar, o último clube a defrontar a Ovarense num campeonato profissional. Aveirenses e vareiros, andaram juntos durante alguns anos. Principalmente no surgimento do futebol no Distrito de Aveiro.
Juntamente com outras equipas, fundaram a AF Aveiro, e disputaram as liguilhas de apuramento para a II Divisão Nacional, na década de 40.
Depois, o Beira Mar cresceu mais rápido que a Ovarense, e chegou mesmo à I Divisão. Os de Ovar, continuaram a disputar os escalões mais baixos, e com calma, foram trepando a "escada" do futebol português.
Passaram muitos anos, e alguns confrontos, mas os mais marcantes foram mesmo os da temporada 2005/2006. Talvez, por terem sido os últimos de forma oficial.
Se o Beira Mar lutava para subir, a Ovarense lutava para não descer, mas a crise económica que atravessava, já lhe tinha levado metade do plantel.
Foi assim, que a equipa vareira se apresentou em Aveiro na 1ª volta: com apenas 12 jogadores, entre eles três guarda-redes. Évora foi titular, saíndo aos 60' para entrar o outro guardião: Armando. Na baliza, ficou Rui Correia, ex FC Porto e Sporting.
Na segunda volta, já com o Beira Mar promovido e a Ovarense despromovida, ambas as equipas apresentaram-se sem grandes pressões. Assim, a Ovarense venceu por 2-1, naquele que foi o seu último jogo num escalão profissional. Na baliza dos vareiros, estava Zito. Um...extremo esquerdo.
Ontem, quatro anos depois, e com a Ovarense quase de regresso ao quadro do futebol nacional em Portugal, o duelo voltou a ser reeditado. Mais do que a apresentação da Ovarense, este jogo foi histórico, uma vez que se tratava de um reencontro entre dois rivais.
O "ConversasRedondas" não esteve presente, mas contou com uma colaboração especial. Portanto, cá fica a história da partida:

Em tarde de festa (realizava-se a apresentação do futebol de formação vareiro e também da equipa sénior), Leonardo Jardim apresentou um Beira Mar, com alguns jogadores à experiência e com muitos juniores, contando ainda com alguns elementos do plantel sénior.
A Ovarense entrou de forma mais atrevida na partida, e chegou mesmo a acercar-se da área do Beira Mar, embora sem nunca criar grande perigo.
Ao minuto 15', Bruno Conceição, guarda-redes do Beira Mar, quis fintar Nino, jogador da Ovarense, mas o jovem vareiro roubou-lhe o esférico e encostou para o fundo das redes. O golo levou público presente no Estádio Manuel Marques da Silva ao delírio, enquanto os aveirenses ficaram surpreendidos.
O Beira Mar, tomou então conta da partida, criando várias ocasiões de golo, mas os jogadores aveirenses revelavam grande desacerto na hora de rematarem. Nas vezes em que conseguiam rematar, estava lá Daniel, guardião da Ovarense, que teve várias intervenções decisivas, segurando assim a magra vantagem da equipa da casa.
Os da casa, tentavam dar um ar da sua graça, sempre com Nino, Danny e Marmelo, a assumirem as rédeas do jogo.
Aos 41', o Beira Mar chegou ao golo. Luís Tinoco, na conversão de um livre bateu o recém-entrado Crujeira, e empatou a partida.
Ao intervalo, o balanço da partida era positivo. Não parecia um jogo entre uma equipa da Liga Sagres e outra dos Distritais de Aveiro, tal era o equilíbrio.
Para o segundo tempo, ambos os técnicos fizeram algumas mexidas nas suas equipas, com o Beira Mar a manter a posse de bola e o controlo do jogo, e com a Ovarense a explorar o contra-ataque, demonstrando ser uma equipa forte nas transições defesa-ataque.
Aos 61', os aveirenses chegaram ao segundo golo. Lance delicioso de Renan, que deixou para trás quatro jogadores da Ovarense, ultrapassando ainda o guardião vareiro, fazendo depois o 1-2.
Aos 75', uma situação que em nada dignifica o futebol e, neste caso, o Beira Mar: a claque aveirense "Ultras Auri-Negros" envolveram-se numa troca de palavras azeda com os adeptos da Ovarense, e tentaram mesmo o cofronto físico, valendo a intervenção decisiva dos agentes de segurança, que encaminharam mesmo alguns elementos da claque do Beira Mar, para fora do estádio.
Voltando ao jogo dentro das quatro linhas, a Ovarense já havia assumido o controlo da partida, e continuava a apostar na velocidade do seu ataque. Foi assim, que Sabry, cavou uma grande penalidade. Excelente arrancada do jovem vareiro, que já dentro de área, acabou por ser completamente abalrroado por um defensor aveirense.
Chamado a converter o castigo máximo, Fábio Ferreira que representou a Ovarense na Liga de Honra, não perdoou e empatou a partida.
A poucos minutos do fim, destaque para a entrada de Cassamá no Beira Mar, jovem de apenas 16 anos, e que representava anteriormente os escalões de formação da Ovarense.
E, a dois minutos dos 90' regulamentares, na sequência de um contra-ataque rápido, Tom, jogador que se encontra à experiencia no Beira Mar, concluiu com êxito o ataque dos aveirenses, estabelecendo o resultado final: 2-3.
Deste jogo, fica sobretudo a excelente réplica dada pela Ovarense ao Beira Mar, que embora sem alguns jogadores da equipa principal, apresentou-se com outros jogadores, também eles de qualidade.
Quanto ao público presente, os adeptos da Ovarense compareceram em massa à partida, enquanto de Aveiro, viajaram alguns elementos afectos à claque "Ultras Auri-Negros".

Ficha de Jogo:

Árbitro: André Pardal; auxiliado por: Hugo Santos e Nuno Pina.

Ovarense: Daniel; Tiago Silva, Pereira, Fábio Nunes e Dário; Toninho, Danny e Humberto; Marmelo, Nino e David Joel.
Jogaram ainda: Crujeira; Bruno; Cristiano, Sérgio, Gamarra, Pombinho, Luís Leite, Veiros, Fábio Ferreira, Sabry, Monteiro, Edson, Vitinha e Carlos Alberto.
Treinador: Marco Silva; Suplentes Não Utilizados: João e Teles.

Beira Mar: Bruno Conceição: Pedro Araújo, Berna, Sefal e Rúben Lima; Tom, Luís Tinoco e Figueiredo; Nélson, Hugo Seixas e Renan.
Jogaram ainda: Jaime, Rui, Cassamá, Granja, Ibraima e Fílipe.
Treinador: Leonardo Jardim; Suplentes Não Utilizados: Jan Oblak.

Golos: 1-0 Nino 15'; 1-1 Luís Tinoco 41'; 1-2 Renan 61'; 2-2 Fábio Ferreira 82'; 2-3 Tom 89';

Colaboração especial: Nuno Leite.

domingo, 5 de setembro de 2010

Taça de Portugal: 1ª Eliminatória já completa

(Depois da festa na temporada passada, o Chaves caíu "à primeira" na Taça, esta temporada.)
Completou-se hoje a primeira eliminatória da Taça de Portugal 2010/2011.
A derrota mais marcante, é certamente a do finalista vencido da edição anterior, o D. Chaves, que acabou afastado no desempate por grandes penalidades em casa, frente ao Amares da III Divisão.
Outra derrota "marcante", foi a do Vizela, candidato à vitória na Zona Norte da II Divisão, que acabou afastado nos penaltis pelo Ribeirão, do mesmo escalão.
O Farense, em ano de regresso à II Divisão, arrancou a época oficial com uma vitória por 3-0 sobre o Santana da Madeira.
Fafe e Mafra, são os grandes destaques pela positiva. Ambos venceram fora, marcando oito golos. O Fafe venceu 8-1 a equipa do Beira Mar Monte Gordo; enquanto que o Mafra goleou 8-0 o At. Tojal.
O "ConversasRedondas" marcou presença no encontro entre Lourosa e Vila Meã, que os amarantinos levaram de vencida por 0-2.
Cá ficam todos os resultados da 1ª Eliminatória da Taça de Portugal 2010/2011:

Sábado:
Bom Sucesso (III) 1-2 Santacruzense (III)
Avanca (III) 0-5 Messinense (III)
Portosantense (III) 2-1 Casa Pia (IIB)
Bombarralense (III) 2-1 Sp. Ideal (III)
Vianense (IIB) 2-0 Praínha (III)
Vitória Pico (IIB) 2-3 Bragança (III)

Domingo:
Farense (IIB) 3-0 Santana (III)
Juv. Évora (IIB) 3-0 Valenciano (III)
At. Reguengos (IIB) 0-1 Tourizense (IIB)
Lourosa (III) 0-2 Vila Meã (III)
Sp. Espinho (IIB) 1-0 Sesimbra (III) - Após Prolongamento
Gondomar (IIB) 1-1 Caniçal (IIB) - 4-3 G. P.
Caldas (III) 2-1 Ol. Bairro (III)
Vizela (IIB) 0-0 Ribeirão (IIB) - 3-4 G. P.
Crato (III) 0-1 Ac. Viseu (III)
Operário (IIB) 3-2 Sp. Pombal (IIB)
Santiago (III) 0-2 SJ Vêr (III)
Oriental (IIB) 4-0 Odemirense (III)
Vigor Mocidade (III) 0-0 Ribeira Brava (III) - 3-4 G. P.
Sacavenense (III) 2-0 Alba (III)
Merelinense (IIB) 4-2 Rebordosa (III)
Xavelhas (III) 0-6 Vieira (III)
E. V. Novas (III) 4-2 Angrense (IIB)
Pinhalnovense (IIB) 5-0 U. Micaelense (III)
Tocha (III) 0-1 Torreense (IIB)
Macedo Cavaleiros (IIB) 3-1 B. C. Branco (III)
Oeiras (III) 1-0 Real (IIB) - Após Prolongamento
Sourense (III) 1-0 Câmara Lobos (III)
U. Montemor (III) 2-1 Leça (III)
Carregado (IIB) 3-1 Eléctrico (IIB)
Louletano (IIB) 5-0 Andorinha (III)
Santa Maria (III) 2-0 Taipas (III)
Sintrense (III) 0-1 Alpendorada (III)
Aguiar Beira (III) 0-2 Melgacense (III)
Anadia (IIB) 2-0 AD Oliveirense (IIB)
Ol. Douro (III) 1-2 Sampedrense (III)
Cova Piedade (III) 3-0 Esmoriz (IIB) - Após Prolongamento
U. Madeira (IIB) 6-0 AD Nogueirense (III)
Serzedelo (III) 0-0 Famalicão (III) - 6-5 G. P.
At. Tojal (III) 0-8 Mafra (IIB)
Beira Mar MG (III) 1-8 Fafe (IIB)
D. Chaves (IIB) 2-2 Amares (III) - 3-4 G. P.
Lusitânia (III) 1-2 Padroense (IIB) - Após Prolongamento
Mirandela (III) 3-0 Fão (III)
Joane (III) 1-3 Bustelo (III) - Após Prolongamento
Lousada (IIB) 1-0 Peniche (III)
Cesarense (IIB) 1-0 Riachense (III) - Após Prolongamento
União Serra (IIB) 3-0 Juventude Gaula (III)
Odivelas (III) 1-0 Pampilhosa (IIB)
Capelense (III) 0-1 Ol. Frades (III)
Canicense (III) 2-2 Atlético (IIB) - 4-5 G. P.
Gândara (III) 0-3 Fiães (III)
SC Vilanovense (III) 0-2 Cinfães (III)
Candal (III) 3-1 Águias Moradal (III)
Marinhense (III) 0-1 Esp. Lagos (III)
1º Dezembro (III) 1-0 Fabril (III)
Aljustrelense (III) 1-1 Boavista São Mateus (III) - 1-3 G. P.
Sertanense (IIB) 2-0 Machico (III)
Madalena (IIB) 3-0 Pescadores (III)
Estrela Calheta (III) 1-2 Lagoa (IIB)

Isentos:
1º Maio (III); Alcochetense (III); Aliados Lordelo (IIB); Amarante (III); Camacha (IIB); Coimbrões (IIB); Esposende (III); Limianos (III); Malveira (III); Maria da Fonte (III); Mondinense (III); Monsanto (III); Moura (III); Penalva Castelo (III); Paredes (III); Pontassolense (IIB); Praiense (IIB); Sousense (III); Tirsense (IIB); Tondela (III).

Nota: A negrito as equipas apuradas para a 2ª Eliminatória.

sábado, 4 de setembro de 2010

Colômbia: Jogador desmaia devido à fome

É mau demais para acontecer, mas aconteceu.
Ronald Quintero, jogador do Deportivo Pereira, do primeiro escalão colombiano, desmaiou em pleno treino, devido à fraqueza que tem tido, por não se alimentar em condições nos últimos dias.
O Deportivo não paga salários há vários meses, e há vários jogadores a passarem fome. Ronald Quintero é um deles.
"Alguns dos meus companheiros não se têm alimentado e por isso decidimos não jogar este domingo. Não temos dinheiro nem para o supermercado. Os directores não se comprometem com nada, dizem que não têm um centavo e estão a esperar que saia algo de bom de uma negociação pendente" falou aos jornalistas Gustavo Victoria, o capitão de equipa.
Esta é uma situação, idêntica à que muitos futebolistas passam em Portugal durante as temporadas em curso. Serve, sobretudo, para alertar aqueles que não têm consciência, e que preferem meter o dinheiro "ao bolso", em vez de pagarem, a quem trabalha e o merece.

Taça de Portugal arrancou hoje

(Adversários na 4ª Eliminatória da Taça em 04/05, Alverca e Boavista não marcarão presença na edição de 2010/2011.)
Arrancou hoje mais uma edição da Taça de Portugal. Nesta primeira eliminatória, apenas entram clubes da III Divisão e da II Divisão Nacional.
O primeiro dia de competição, teve seis jogos, com três clubes das Ilhas a deslocarem-se ao Continente um dia mais cedo do que o previsto, talvez, por causa das viagens aéreas.
Apenas houve um jogo entre equipas do Continente, e curiosamente, ambas disputarão a III Divisão Nacional. O Avanca acabou goleado em casa pelo Messinense, 0-5.
Também houve um jogo entre ilhéus. Na Madeira, o Bom Sucesso acabou afastado em casa pelo Santacruzense. 1-2 foi o resultado.
Nos Açores, o Vitória do Pico, recentemente despromovido à III Divisão, acabou afastado pelo Bragança da II Divisão, por 2-3; enquanto na Madeira, o Casa Pia, que irá disputar a II Divisão, perdeu no reduto do Portosantense da III por 2-1.
No Continente, Bombarralense e Vianense, receberam ambos equipas açoreanas, e ambos saíram vencedores. No Bombarral, os da casa bateram o Sp. Ideal por 2-1; enquanto que em Viana do Castelo, o Praínha saiu derrotado por 2-0.
A primeira eliminatória prossegue amanhã, com a realização de 54 jogos, onde se destacam as presenças de Vizela, Gondomar, D. Chaves e Farense.
Isentos, e por isso já apurados para a 2ª Eliminatória, ficaram vinte clubes, entre eles o Tirsense.
Resultados da 1ª Eliminatória da Taça de Portugal até ao momento:

Vitória do Pico (III) 2-3 Bragança (IIB)
Bombarralense (III) 2-1 Sp. Ideal (III)
Portosantense (III) 2-1 Casa Pia (IIB)
Vianense (III) 2-0 Praínha (III)
Avanca (III) 0-5 Messinense (III)
Bom Sucesso (III) 1-2 Santacruzense (III)

Nota: A negrito os apurados para a 2ª Eliminatória.