sábado, 20 de novembro de 2010

Recordar: Rui Costa em Itália

Hoje joga-se um clássico em Itália: Milan e Fiorentina, encontram-se logo mais, pelas 19h45 (hora portuguesa).
Por isso mesmo, decidi recordar aqui a passagem de Rui Costa pelo futebol italiano. Curiosamente, Rui Costa é o único português, que até aos dias de hoje, já representou Fiorentina e AC Milan.
Rui Manuel César Costa, foi Príncipe em Florença, e Rei em Milão.
A qualidade do futebol que praticava ao serviço do Benfica, levou a que a Fiorentina pagasse cerca de seis milhões de euros pelo seu passe em 1994.
A Fiorentina regressava à Série A, e em mente, estava a formação de uma "sociedade": Rui Costa juntou-se ao argentino Gabriel Batistuta, e juntos deram inúmeras vitórias à Fiorentina, bem como alguns troféus.
Esta "sociedade" durou até ao ano de 2000, altura em que a Roma comprou o argentino ao clube de Florença. Batistuta até dizia que para onde ele fosse, Rui Costa o acompanharia, mas tal não aconteceu.
Rui Costa permaneceu no clube "Viola", e até recebeu a companhia de Nuno Gomes, também ele contratado ao Benfica.
A Fiorentina terminou o campeonato de 2000/2001 no 8º lugar, e já demonstrava sinais de crise. Por isso mesmo, Rui Costa acabou vendido ao AC Milan a troco de trinta e cinco milhões de euros.
Para trás, ficaram sete temporadas passadas ao serviço do clube "Viola", onde conquistou duas Taças de Itália e uma Supertaça, bem como várias distinções que o elegeram o melhor nr.10 do campeonato Italiano, superando jogadores como Zidane, na altura em representação da Juventus.
Em Milão, Rui Costa também teve muitas e boas "parcerias": Inzaghi, Shevchenko, Rivaldo, Tomasson etc. No entanto, no AC Milan as coisas foram diferentes: os milanenses contrataram em 2003, um menino-prodígio, de seu nome Kaká, que acabou por "sentar" o português no banco de suplentes.
Ainda assim, Rui Costa "saltou" muitas vezes do banco de suplentes, a tempo de ser decisivo em vários jogos, ajudando o Milan a sair vitorioso.
Em 2006, e depois de uma época pouco "produtiva", Rui Costa rescindiu o contrato com o Milan, e regressou a Portugal, para o Benfica.
Nas cinco temporadas em que esteve ao serviço do Milan, Rui Costa venceu um "Scudetto", uma Taça de Itália, uma Supertaça, uma Supertaça Europeia (frente ao FC Porto), e uma Liga dos Campeões.
Continua a ser recordado com muita saudade em Itália, pelos adeptos dos dois clubes. Ele que até capitaneou o clube "Viola".
Palmarés de Rui Costa em Itália:

Campeonato Italiano ("Scudetto"): 1 (2003/2004 - AC Milan)
Taça de Itália: 3 (1995/1996; 2000/2001 - Fiorentina; 2002/2003 - AC Milan)
Supertaça de Itália: 2 (1996 - Fiorentina; 2004 - AC Milan)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Entrevista a: Márcio Vieira


Márcio Vieira de Vasconcelos, nasceu em Andorra a 10 de Outubro de 1984.
Filho de pais portugueses, veio para Portugal com doze anos, e aos quinze ingressou nas camadas jovens do FC Marco.
Na temporada 01/02, ainda cumpria o seu primeiro ano de júnior, e já trabalhava com os Séniores do FC Marco, que lutavam na altura pela subida à Liga de Honra.
Completou o seu processo de formação, e permaneceu nos séniores do Marco por três temporadas: 03/04, 04/05 e 05/06. Nas duas primeiras temporadas, Márcio Vieira não teve oportunidades para mostrar o seu valor, não tendo realizado qualquer partida.
No seu último ano de ligação ao FC Marco, Márcio acabou por conseguir as oportunidades desejadas anteriormente, acabando por realizar quinze partidas com a camisola marcoense no segundo escalão do nosso futebol.
Com a "queda" do Marco, Márcio Vieira deu início a uma aventura no futebol espanhol, ingressando no Ibiza em 06/07, passando pelo Teruel em 07/08 e, finalmente, o Atlético Monzón desde 08/09, clube onde ainda se mantém.
Foi quando representava o FC Marco, que Márcio Vieira foi chamado a representar a Selecção de Andorra. A sua estreia pela selecção andorrana aconteceu em 2006 e, até ao momento, Márcio Vieira já somou 35 internacionalizações.
Actualmente, o Monzón luta pela subida à II Divisão B espanhola, e Márcio não põe de parte um regresso ao futebol português e ao Marco, claro está.
Joga preferencialmente a médio centro, podendo também desempenhar as funções de trinco.


ConversasRedondas (CR): O seu processo de formação foi, digamos, um pouco atribulado. Entrou aos 15 anos para as camadas jovens do Marco, e aos 16 já estava integrado no plantel Sénior. Como foi essa experiência?
Márcio Vieira (MV): É verdade. Foi tudo muito rápido, mas lembro-me como se fosse hoje. Foi uma boa experiência.

CR: A verdade é que, apesar de aos 16 anos já estar nos Séniores, passou depois as duas primeiras temporadas enquanto sénior, arredado da competição: Isto é, sem jogar oficialmente. Não quis sair do FC Marco ou nunca surgiu a oportunidade certa?
MV: Tive oportunidades para sair por empréstimo, mas a verdade é que o Marco nunca quis, e nunca compreenderam que eu queria jogar.

CR: Depois, em 05/06, teve "finalmente" a sua oportunidade na equipa principal do Marco, e agarrou-a bem, jogando com regularidade na segunda volta do campeonato. O clube acabou por descer, mas em termos pessoais, a temporada correu-lhe bem.
MV: Sim, foi muito bom para mim em termos pessoais, mas recordo muitas vezes essa época com tristeza, pois foi aí que o FC Marco começou a "caír".

CR: Todos os anos, o Marco reforçava-se bastante no mercado brasileiro. Entende que com a chegada de muitos brasileiros todas as épocas, o Márcio foi perdendo espaço na equipa?
MV: A verdade vê-se agora: quem acabou por perder, foram os jogadores marcoenses. Eu e muitos outros jogadores que podiam representar o clube nessa altura, algo que hoje em dia se está a fazer e muito bem: trabalhar com gente da casa. Mas, no meu caso, aprendi muito no tempo em que estive no Marco. Com tudo e com todos.

CR: Nessa temporada, o Marco perdeu grande parte do seu plantel em Janeiro, devido à crise financeira. Curiosamente, essa debandada geral, permitiu que o Márcio agarrasse um lugar no "onze". Caso os jogadores que saíram, tivessem permanecido, acredita que teria as mesmas oportunidades de jogar?
MV: Acredito que continuariam com a mesma política: apostar nos de fora. No entanto, lembro-me perfeitamente que já tinha pedido à Direcção para sair por empréstimo em Janeiro, para que pudesse jogar regularmente.

CR: Graças a essa temporada, o Márcio teve depois alguns convites vantajosos, optando por ingressar no Ibiza de Espanha. Não teve convites de Portugal?
MV: Tive propostas de equipas da II Divisão B, mas naquele momento optei por sair para Espanha, porque a situação económica em Portugal estava má e recebi uma boa proposta de Espanha.

CR: O que o levou a optar por Espanha? O facto de ser internacional por Andorra, e poder ficar assim, mais perto da sua Selecção, condicionou a sua escolha?
MV: Não teve nada a ver com a Selecção. Apenas naquele momento, as condições financeiras em Espanha eram bem diferentes das do nosso País.

CR: Apesar de conseguir a subida de divisão ao serviço do Ibiza, não permaneceu no clube na temporada seguinte, ingressando no Teruel, também da III Divisão Espanhola. Qual o motivo desta mudança?
MV: A história é um bocado grande (risos). Mas fiquei contente por conseguir outra subida de divisão (já havia conseguido uma pelo FC Marco em 01/02).


CR: Em 2008, voltou a mudar de "ares", assinando pelo Atlético de Monzón, também da III Divisão espanhola, não voltando a trocar de clube. Foi aqui, que encontrou a estabilidade que procurava para a sua carreira?
MV: Na verdade, o Atlético de Monzón é uma das equipas mais fortes de Aragão. É um clube que tem boas condições, e sinto-me bem neste clube, porque todos me tratam muito bem.

CR: O Márcio está à três temporadas no Atlético de Monzón, e em todas elas jogou na III Divisão de Espanha. Os objectivos do clube não passam pela ascensão à II Divisão B?
MV: Sim, o objectivo é subir de divisão. Ainda na temporada passada, fomos campeões na primeira fase, mas depois no play-off não conseguimos atingir os nossos objectivos.

CR: Agora, a selecção. Como se deu a sua chamada à Selecção de Andorra?
MV: Foi tudo muito rápido. Lembro-me que estava para começar o treino no Marco, e recebi uma chamada do seleccionador de Andorra, a dizer que me queria convocar pela primeira vez, e se eu aceitaria.
Eu aceitei e fui treinar, naturalmente, com o FC Marco. No início do treino, lesionei-me com gravidade no joelho, e perdi então os jogos contra Holanda e Finlândia.

CR: A sua estreia pela Selecção de Andorra, aconteceu frente à Arménia, num jogo de qualificação para o Mundial 2006. Como se sentiu nos momentos que antecederam a partida?
MV: Estava com muita vontade de fazer bem as coisas, e lembrando que era o meu primeiro jogo internacional, estava algo nervoso (risos).

CR: O nível da Selecção de Andorra, ainda é muito baixo, comparando com grande parte dos restantes países europeus. Ainda assim, o Márcio já enfrentou grandes selecções e futebolistas de renome internacional. Até que ponto, esses confrontos têm contribuído para a sua evolução?
MV: A verdade, é que ganhei muita experiência a jogar em estádios como Wembley e Old Trafford, com 65 mil pessoas nas bancadas. Chegámos a jogar como se estivéssemos no nosso clube.

CR: Nasceu em Andorra, cresceu em Portugal, e agora está "fixado" em Espanha. Sente-se mais português ou andorrano?
MV: As duas coisas.

CR: Voltando aos clubes: um dos objectivos da sua carreira, é chegar à I Divisão Espanhola?
MV: Uiiii, já vou tarde. Já não chego a tempo. (risos)

CR: O FC Marco já não existe, mas no seu "lugar" foi criada a AD Marco 09. Caso fosse convidado, regressaria à cidade do Marco, para representar este "novo" clube?
MV: Fico muito feliz por os marcoenses voltarem a ver futebol no Estádio do Marco. Ainda para mais, com gente da casa, e que estão a fazer um bom trabalho. Espero que continuem. Sobre representar o clube, nunca se sabe o futuro.

CR: O Márcio, praticamente sentiu na pele, o fim do FC Marco. Quem está por "dentro" nestas situações, o que sente? Em 05/06 ficaram com vários meses de salários em atraso, e o clube em 2007 acabou mesmo por fechar as portas.
MV: No caso dos outros jogadores não sei, mas no meu foi triste, porque sentia o clube da minha terra, e ver o seu fim não era nada agradável.

CR: Terminar a carreira em Portugal, é o objectivo do Márcio, ou tem intenções de continuar por terras de "nuestros hermanos" ou de jogar noutro País?
MV: Sim, o meu objectivo é voltar a Portugal. Tive a oportunidade no ano passado de ir para a Grécia e para o Chipre, mas não aceitei porque algo dentro de mim, me diz que já chega de experiências fora de Portugal.


Questões rápidas:

CR: Internacionalmente falando, qual o jogador (ou selecção) que mais gostou de enfrentar?
MV: Gerrard e Inglaterra em Wembley (2009).

CR: Qual foi, para si, o seu melhor jogo ao serviço da Selecção de Andorra?
MV: Andorra 0-2 Inglaterra, no Estádio Olimpico de Montjuic (2008).

CR: O FC Marco é o seu clube do coração?
MV: Tenho dois: FC Marco e FC Barcelona.

CR: É capaz de eleger um onze formado por companheiros de equipa? (Actuais ou Passados)
MV: Guarda-Redes: Beto (FC Marco)
Defesa Direito: Albertino (FC Marco)
Defesa Central de Marcação: Ildefons Lima (Selecção de Andorra)
Defesa Central Livre: Torrico (Atlético de Monzón)
Defesa Esquerdo: Vitinha (FC Marco)
Trinco: Fílipe Fernandes (FC Marco)
Médio "Interior" Direito: Márcio
Médio "Interior" Esquerdo: Marc Pujol (Selecção de Andorra)
Extremo Direito: Vieirinha (FC Marco)
Ponta de Lança: Brito (FC Marco)
Extremo Esquerdo: Matheus (FC Marco)

* Entre parêntesis, o clube onde Márcio jogou com o respectivo colega.

O "ConversasRedondas" agradece a Márcio, o tempo dispendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Márcio, aqui.

Portugal "vulgarizou" Campeão do Mundo

O Portugal - Espanha de ontem, que foi apontado como um simpático particular que serviu de promoção à candidatura ibérica ao Mundial 2012, terminou com um resultado claramente inesperado.
Portugal alcançou um resultado que "vulgariza" a actual campeã do Mundo. Paulo Bento "trouxe" nove jogadores que não estiveram presentes no Mundial, e seis deles foram titulares: João Pereira a lateral direito e Bosingwa a lateral esquerdo; Moutinho e Martins no meio-campo; Nani numa das alas e Postiga na frente de ataque.
No início da partida, Cristiano Ronaldo e Busquets começaram a disputar o Real Madrid - Barcelona do próximo dia 29. Esta "picardia" valeu os únicos cartões amarelos de toda a partida.
A equipa das "Quinas" ao contrário do que havia feito na África do Sul, jogou sempre com "os olhos na baliza" espanhola. Ronaldo, mesmo a coxear depois da entrada dura de Busquets, "inventou" um lance extraordinário na área espanhola, primeiro sentado Piqué, e depois fazendo um "duplo chapéu" a Puyol e Casillas. A bola estava para passar a linha de golo, quando Nani decidiu tocá-la. Golo invalidado por ordem do árbitro da partida (era francês, já agora).
Em cima do intervalo, Ronaldo deu um "nó cego" em Sergio Busquets, e atirou com violência para defesa de Casillas. Na recarga, Carlos Martins abriu o marcador.
Antes, David Silva havia desperdiçado uma boa oportunidade de abrir o marcador.
Ao intervalo, Ronaldo ficou no balneário e Paulo Bento aproveitou ainda para "estrear" Rui Patrício. Vicente Del Bosque também mexeu na sua estrutura, e os actuais campeões do Mundo foram quem...piorou. Nem com as entradas de "Cesc" Fàbregas e Fernando Torres para os lugares de Xavi e David Villa, os espanhóis conseguiram alterar o rumo dos acontecimentos.
O 2-0 apareceu logo no início do segundo tempo: foi Hélder Postiga, quem de calcanhar (!) aumentou o "score" português. Logo depois, o 3-0 só não apareceu, porque Nani facilitou num chapéu.
Portugal continuava a jogar "à bola" e a fazer por merecer um resultado mais volumoso, e Hélder Postiga bisou na partida, aumentando a vantagem portuguesa para 3-0 aos 68'.
Aos 88', ainda deu para Paulo Bento lançar Paulo Machado, permitindo ao médio do Toulose estrear-se pela Selecção principal.
Por fim, Hugo Almeida concedeu a "estocada" final ao assinar o 4-0 já para lá do minuto 90'.
Deste jogo, fica sobretudo a convicção que esta Selecção ultrapassou os problemas do passado, e pode agora, voltar a olhar qualquer selecção "olhos nos olhos". Mas essa convicção terá de ser confirmada no futuro e em "jogos a doer".
Ficha de Jogo:

Jogo realizado no Estádio da Luz, em Lisboa
Equipa de arbitragem composta por: Anthony Gautier (Árbitro principal); Michael Annonier e Nicolas Pottier (Árbitros assistentes); Bruno Paixão (Quarto Árbitro).

Portugal: Eduardo (Rui Patrício 45'); João Pereira, Ricardo Carvalho (Pepe 45'), Bruno Alves e Bosingwa; Raúl Meireles, Carlos Martins (Manuel Fernandes 62') e João Moutinho; Nani (Paulo Machado 88'), Hélder Postiga (Hugo Almeida 76') e Cristiano Ronaldo (Danny 45').
Seleccionador: Paulo Bento. Suplentes Não Utilizados: Miguel Veloso.

Espanha: Casillas; Sergio Ramos, Piqué (Marchena 45'), Puyol (Arbeloa 73') e Capdevilla; Busquets, Xavi (Fàbregas 45'), Iniesta (Llorente 58') e Xabi Alonso (Cazorla 58'); David Silva e David Villa (Fernando Torres 45').
Seleccionador: Vicente Del Bosque. Suplentes Não Utilizados: Valdés, Reina; Raúl Albiol, Javi Martínez e Pedro Rodríguez.

Disciplina:
Amarelos: Busquets 08'; Cristiano Ronaldo 09';

Marcador: 1-0 Carlos Martins 45'; 2-0 Hélder Postiga 49'; 3-0 Hélder Postiga 68'; 4-0 Hugo Almeida 90';

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fora de Campo: Voleibol ou futevólei ?

O voleibol, prima por ser um desporto que se joga com as mãos.
No entanto, com o passar dos anos, a modalidade evoluiu, e agora, pode-se jogar com qualquer parte do corpo.
Na Liga Italiana de voleibol, o Diatec Trentino venceu fora de portas o Lube Banca Marche Macerata por 3-2, mas a equipa da casa, conseguiu um ponto no mínimo, curioso.
Após um bloqueio da equipa do Diatec Trentino, a bola ressaltou para o campo do Lube Banca, e Cristian Savani (na foto) alcançou uma bola que parecia perdida, com um toque de...calcanhar!
Os forasteiros ficaram de tal forma supreendidos com a habilidade técnica de Savani, que ficaram parados a ver a bola tocar o solo. Ponto para os da casa, que como eu já disse, perderam o jogo.
Após este belíssimo toque, fica a pergunta: Savani não teria futuro como jogador de futevólei?
Cá fica o vídeo:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

João Tomás e Nuno Gomes: velhos são os trapos!

João Tomás, trinta e cinco anos, onze jogos e sete golos na Liga; Nuno Gomes, trinta e quatro anos, doze (!) minutos na Liga e um golo.
Este é um bom caso para dizermos que "velhos são os trapos", uma vez que Tomás e Gomes, ambos da mesma geração - um nasceu em 75 e o outro em 76 -, estão, para muitos críticos, em condições de acabarem as respectivas carreiras.
No entanto, estes dois Senhores goleadores do futebol português, continuam a mostrar argumentos para manterem "vivas" as suas carreiras, continuando a marcar golos sempre que têm oportunidade.
Ontem, com o Rio Ave a perder 0-1 aos 18', João Tomás "apareceu" em cena, e fez dois golos em onze minutos: 1-1 aos 24'; 2-1 aos 35'. Os vilacondenses acabaram por vencer o Paços de Ferreira, por 3-1.
Os golos que João Tomás apontou aos pacenses, até já lhe permitiram superar a marca obtida na temporada passada: em quinze jogos, apontou seis golos. Esta temporada, em onze jogos, leva já sete golos.
Nuno Gomes, nas dez primeiras jornadas da Liga, apenas esteve em campo oito minutos, e foi na longínqua segunda jornada, quando os encarnados perderam com o Nacional.
Ontem, "saltou" do banco aos 86', para apontar o quarto golo encarnado quando estavam decorridos...89' minutos. Este foi também o golo 200 da Liga.
Ambos continuam com o sonho de voltarem a representar a Selecção Nacional, e eu pergunto: Paulo Bento, não dá jeito convocar jogadores com instinto "matador"?

domingo, 14 de novembro de 2010

Derby do Minho: Guimarães levou a melhor sobre Braga

Tal como na temporada passada, o V. Guimarães recebeu e venceu o Sp. Braga. Com esta vitória, a equipa vimaranense mantém-se no 2º lugar, passando a somar agora 21 pontos.
No derby minhoto, a vontade de vencer o rival, supera a habitual vontade de vencer "mais um jogo". Talvez por isso, nenhuma das equipas conseguiu ser superior à outra nos primeiros minutos.
Assim sendo, o primeiro golo do jogo surgiu após grande confusão na área do Vitória, com os bracarenses a contarem ainda com a ajuda da equipa de arbitragem.
Alan, em claro fora de jogo na sequência de um livre, "semeou" a confusão na área vimaranense, e foi dele o empurrão decisivo para o fundo da baliza. Estavam decorridos 19' minutos.
Nos festejos do golo, José Miguel Cardoso, adjunto de Domingos Paciência, foi atingido por, imagine-se...um telemóvel vindo da bancada.
O Vitória "arregaçou as mangas" e deitou mãos à obra, na procura do empate. O jogo começou a ficar mais duro, e Vandinho até andou perto de ser expulso ("ficou-se" apenas pelo amarelo).
Sobre o intervalo, e na sequência de um pontapé de canto, Maranhão disparou de fora de área, surpreendo Felipe, com a bola a passar por entre os dedos do guardião brasileiro.
Ainda antes do fim do primeiro tempo, João Ferreira entendeu que Alan agrediu João Alves, e expulsou o brasileiro, que já representou o V. Guimarães.
Com mais um elemento, Manuel Machado foi alterando a sua frente de ataque nos primeiros minutos do segundo tempo.
Mesmo que as substituições não tenham trazido o efeito desejado, o Vitória foi procurando o golo, pelos espaços que os bracarenses lhes iam concedido.
Domingos até havia lançado Madrid por troca com Lima aos 56', para ajudar ao bloqueio defensivo, deixando Matheus completamente só na frente de ataque, acreditando que podia matar o jogo numa transição rápida, como é a especialidade bracarense.
No entanto, Domingos deu-se mal, e ainda por cima com um auto-golo. Miguel Garcia fez aquilo que os jogadores do Guimarães não estavam a conseguir: furar o bloco do Sp. Braga.
Esta foi a terceira derrota consecutiva do Braga, e a quarta em cinco jogos. Sem dúvida, preocupante.
Quanto ao Vitória, depois de empatar com o FC Porto (até ao momento, foi a única equipa portuguesa a consegui-lo), e de vencer Benfica, Sporting e Sp. Braga, vai agora entrar numa fase, teoricamente, menos complicada do calendário. Fica a pergunta: até onde irá este Vitória ?
Ficha de Jogo:

V. Guimarães: Nilson; Alex, Ricardo, João Paulo e Bruno Teles; Cléber, João Alves e Edson Sitta (Rui Miguel 54'); João Ribeiro (Toscano 67'), Edson e Maranhão (Tiago Targino 63').
Treinador: Manuel Machado. Suplentes Não Utilizados: Serginho; Freire, Flávio Meireles e Pereirinha.

Sp. Braga: Felipe; Miguel Garcia, Moisés, Rodríguez e Elderson; Vandinho (Meyong 90+2'), Luís Aguiar e Leandro Salino (Elton 85'); Alan, Lima (Andrés Madrid 56') e Matheus.
Treinador: Domingos Paciência. Suplentes Não Utilizados: Arthur; Aníbal, Custódio e Hugo Viana.

Disciplina:
Amarelos: Rodríguez 26'; Vandinho 30'; Miguel Garcia 38'; João Alves 89'; Luís Aguiar 90';

Vermelhos: Alan 45';

Marcador: 0-1 Alan 19'; 1-1 Maranhão 44'; 2-1 Miguel Garcia 83' na própria baliza;

sábado, 13 de novembro de 2010

Momento da semana: Vukcevic "pede desculpa"

Na passada segunda-feira, no jogo entre Sporting e V. Guimarães, assistiu-se claramente ao melhor momento da semana: Vukcevic recebeu a bola junto a linha e simulou um passe para um colega seu. Toscano, jogador do Vitória, acreditou que o montenegrino ia passar a bola, e entrou de carrinho na tentativa de lhe roubar o esférico.
"Vuk" deixou o brasileiro entrar de carrinho e de seguida passou a bola a um compnaheiro de equipa. Toscano rapidamente se levantou, e Vukcevic "limitou-se" a erguer-lhe a mão, como quem "pede desculpa".
Se ainda não viu, não perca agora:

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Recordar: Enke no Benfica

Há um ano, a Alemanha "chorou" a morte de Robert Enke. Um ano depois da morte do ex guarda-redes do Benfica, aproveito para recordar aqui a passagem do alemão pelo clube da Luz.
De 98/99 para 99/00, o Benfica perdeu os três guarda-redes que tinha no plantel: Preud'Homme retirou-se; Ovchinnikov saiu rumo ao Alverca; e Paulo Lopes saiu por empréstimo rumo ao Gil Vicente.
Perante isto, os encarnados recrutaram o português Nuno Santos ao Leeds United de Inglaterra; o argentino Carlos Bossio ao Estudiantes da Argentina; e Robert Enke ao Borussia Mönchengladbach por influência do novo técnico dos encarnados na altura, Jupp Heynckes.
O alemão rapidamente assumiu a titularidade, e completou 26 dos 34 jogos que o Benfica realizou no campeonato português. 
Na Europa, Robert Enke ajudou os encarnados a chegarem à 4ª Eliminatória da Taça UEFA, sendo depois eliminados pelo Celta de Vigo de Espanha. (E sim. No jogo da segunda mão, em que os espanhóis "despacharam" o Benfica por 7-0, Enke era o guarda-redes. E foi dos melhores em campo do lado do encarnados!)
Na temporada seguinte, Enke permaneceu no Benfica, e voltou a realizar 26 dos 34 jogos do Benfica na Liga. Os encarnados acabaram por alcançar a sua pior classificação de sempre no campeonato português (6º lugar), e tiveram três treinadores no decorrer da temporada (Heynckes, Mourinho e Toni). Ainda assim, Enke foi "aposta" de todos eles.
Na Europa, o Benfica acabou eliminado pelo Halmstad da Suécia na pré-eliminatória de acesso à Taça UEFA. Enke realizou os dois jogos.
Em 01/02, Enke continuou a ser o titular da baliza encarnada, e realizou os primeiros vinte e cinco encontros do Benfica na Liga. Depois, uma lesão impediu-o de dar o seu contributo à equipa, não voltando a jogar no campeonato português, apesar de ter sido suplente não utilizado em três ocasões.
Nessa temporada, o Benfica não participou nas competições europeias, devido ao 6º lugar alcançado na temporada transacta e no final da época, Enke rumou ao Barcelona de Espanha.
Em três temporadas na Luz, ganhou o respeito e a admiração dos adeptos benfiquistas, mesmo sem ter ganho qualquer troféu ao serviço do clube "encarnado".
Foi, sem dúvida, o melhor guarda-redes do Benfica na última década, e um dos melhores guarda-redes que passaram por Portugal.
Número de Jogos efectuados por Robert Enke ao serviço do SL Benfica:

99/00 - 32 Jogos (26 no Campeonato; 6 na Taça UEFA; não tive acesso ao nr. de jogos na Taça de Portugal);
00/01 - 29 Jogos (26 no Campeonato; 2 na Taça UEFA; 1 na Taça de Portugal, não tive acesso à ficha de jogo dos restantes jogos);
01/02 - 25 Jogos (25 no Campeonato; não tive acesso ao nr. de jogos na Taça de Portugal);

Palmarés de Robert Enke no SL Benfica:

Nada a assinalar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Duas agradáveis surpresas: Beira Mar e V. Guimarães

A 10ª Jornada da Liga ZON Sagres, ficou marcada pela goleada do FC Porto ao Benfica, mas não só. Beira Mar e V. Guimarães, protagonizaram as principais surpresas da jornada, logo a seguir à goleada do Dragão.
Ambas as equipas, triunfaram 2-3 fora de portas, e logo em casa de adversários como...Sp. Braga e Sporting.
Em Braga, o Beira Mar apresentou-se "destemido", apresentando um rigor táctico que "obriga" os adversários a levarem bem a sério esta equipa.
O jogo do Braga, também nunca foi propriamente "brilhante", e apenas no início do encontro os bracarenses estiveram perto de marcar, quando Paulo César desperdiçou uma oportunidade flagrante.
Os minhotos falhavam muitos passes, e os seus adeptos iam ficando impacientes, enquanto que os aveirenses se empolgaram, e aos 24' minutos, Leandro Tatu na sequência de um livre abriu o activo, com um golpe de cabeça.
O Beira Mar passava para a frente do marcador, e no segundo tempo havia de dar as machadadas finais: aos 52' Ronny aumentou para 0-2 e Domingos sem grandes opções lançou Meyong por Custódio aos 66'.
Aos 69', num rápido contra-ataque aveirense, Ronny aproveitou para bisar e "fuzilou" autenticamente Felipe. 0-3 a vinte minutos do fim.
Os bracarenses ainda haveriam de reduzir por Meyong na conversão de uma grande penalidade (75') e por Lima já bem perto do fim (89').
Ontem, o V. Guimarães deslocou-se a Alvalade, com o firme propósito de vencer e de subir para o segundo lugar da tabela, em igualdade com o Benfica.
Aos 16' Hélder Postiga abriu o activo, num lance em que Valdés até estava ligeiramente adiantado em relação à defesa vimaranense. No entanto, em caso de dúvida a lei diz para a equipa de arbitragem "deixar seguir".
Aos 30' Vukcevic bateu um pontapé de canto na direita do ataque leonino, com o árbitro André Gralha a assinalar golo dos "Leões", quando na verdade a bola não entrou na baliza de Nilson.
No segundo tempo, o Vitória entrou determinado em mudar o resultado e foi claramente a melhor equipa em campo. Targino rendeu Edson Sitta aos 62', e no espaço de dois minutos, empatou a partida: primeiro aos 78'; depois aos 80'.
Aos 89' num rápido contra-ataque vitoriano, Rui Miguel e Targino trocaram várias vezes a bola na área sportinguista, deixando depois para Bruno Teles fuzilar e fazer o 2-3.
Num campeonato que se diz tão desequilibrado, em comparação com outros campeonatos na Europa, cada vez há mais equipas com qualidade para se superiorizarem aos "grandes".

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Clássico: FC Porto humilhou Benfica

Nunca ninguém imaginou que o FC Porto vencesse o Benfica por 5-0. Nem os próprios jogadores portistas, tal como disse Rúben Micael na zona de entrevistas rápidas, à saída do balneário azul e branco.
O FC Porto fez o que quis do Benfica de Jesus, que se apresentou com muitas mexidas. Jesus preocupou-se em demasia com o adversário, e esqueceu-se de preparar a sua equipa. Sidnei entrou para a zona central do terreno, fazendo dupla com Luisão, passando David Luiz para lateral esquerdo. Na óptica de Jesus, era importante o Benfica ter alguém naquele lado, com capacidade para segurar Hulk.
Fábio Coentrão "subiu" para médio esquerdo, e Aimar regressou para o centro do terreno. Outra das surpresas efectuadas por Jesus, foi a troca de Saviola por Salvio.
Assim, o Benfica deixou o 4-4-2 losango, para jogar em 4-5-1 com Alan Kardec sozinho na frente.
No FC Porto, Villas Boas fez regressar Maicon, Sapunaru, João Moutinho e Varela ao onze inicial, mantendo a aposta em Guarín para render o lesionado Fernando. Resumindo, foi um FC Porto igual a si próprio.
Se David Luiz, havia passado para lateral, apenas com o intuito de segurar Hulk, então Jesus deu-se muito mal. Em 28' minutos, o FC Porto fez três golos, e todos eles surgiram do lado...esquerdo da defesa encarnada.
Aos 12', arrancada de Hulk a deixar David Luiz para trás, e Varela solto de marcação a empurrar para o 1-0.
Aos 24' Belluschi "desceu" pelo corredor direito do ataque portista, deixou David Luiz mais uma vez para trás, e assistiu Falcao para um golo "artistíco" do colombiano.
Quatro minutos depois, mais uma vez Belluschi a tomar a iniciativa pelo lado direito, a deixar Sidnei "nas covas" e a assistir Falcao para o 3-0.
Ao intervalo, Jesus tirou Sidnei e colocou em campo Gaitán, passando David Luiz para central, e recuando Fábio Coentrão para lateral esquerdo.
Aos 66' Luisão teve clara intenção de agredir Guarín, e viu vermelho directo. Perante isto, Jesus não hesitou e lançou "às feras" o jovem Roderick Miranda, para "compôr" a defensiva.
Apesar de todas as trocas na equipa encarnada, o Porto voltou a marcar e novamente numa jogada criada no lado esquerdo da defensiva encarnada. Fábio Coentrão aliviou mal a bola, colocando-a em Hulk, e o brasileiro arrancou imparável rumo à baliza de Roberto. Imparável como quem diz: é que Fábio Coentrão derrubou o "Incrível" em falta. Na conversão da grande penalidade, o mesmo Hulk fez 4-0 aos 80'.
À entrada para o período de descontos, Hulk recebeu a bola na direita do ataque portista, e voltou a fazer das dele: de fora da área, disferiu um remate potente, com Roberto a ser traído pelo facto do esférico embater no relvado, no momento em que o guardião se "atirou" à bola. Goleada no Dragão: 5-0.
Questiono ainda o porquê de Jorge Jesus ter excluído Nuno Gomes dos "18". Não bastava ter deixado Saviola no banco, e ainda deixou um dos melhores pontas de lança portugueses de sempre, na bancada.
Fosse qual fosse o resultado, era importante, a meu ver, que Nuno Gomes estivesse pelo menos no banco de suplentes, pois a sua experiência e os muitos anos que leva de "águia ao peito" são uma referência para qualquer companheiro de equipa.
Fora das quatro linhas, foi o mesmo de sempre: espectáculo colorido momentos antes da partida, com as coreografias das claques portistas. Também não houve confrontos entre adeptos das duas equipas, o que é sempre bom de realçar.
O que em nada dignifica o futebol, são as bolas de golfe e os isqueiros que os "SuperDragões" insistem em arremeçar para dentro do relvado do Dragão, sempre que o Benfica vem ao Porto.
Mas há mais: vários cartazes com o objectivo de desmoralizarem Roberto, foram colocados estrategicamente nas bancadas do Estádio do Dragão; e no início do segundo tempo, até foi lançada uma galinha para a baliza onde o guardião espanhol iria estar. Tudo em jeito de provocação pelos erros cometidos por Roberto no início da temporada. Triste espectáculo!
Ficha de Jogo:

FC Porto: Helton; Sapunaru, Maicon, Rolando e Alvaro Pereira; Guarín (Walter 88'), Belluschi (Rúben Micael 79') e João Moutinho; Hulk, Falcao e Varela (James Rodríguez 83').
Treinador: André Villas Boas. Suplentes Não Utilizados: Beto; Otamendi, Fucile e Souza.

Benfica: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei (Gaitán 45') e David Luiz; Javi García, Salvio (Rúben Amorim 79'), Carlos Martins (Roderick 72'), Aimar e Fábio Coentrão; Alan Kardec.
Treinador: Jorge Jesus. Suplentes Não Utilizados: Júlio César; César Peixoto, Saviola e Jara.

Disciplina:
Amarelos: Carlos Martins 19'; Maxi Pereira 30'; Alvaro Pereira 45'; Alan Kardec 63'; Salvio 74'; Fábio Coentrão 79'; Hulk 80'; João Moutinho 84';

Vermelhos: Luisão 66';

Marcador: 1-0 Varela 12'; 2-0 Falcao 24'; 3-0 Falcao 28'; 4-0 Hulk 80' G. P.; 5-0 Hulk 90';