Conhecido no "Mundo do futebol" pelo seu primeiro e último nome, Bruno Resende começou por jogar futebol no clube da sua terra, o Avanca, onde jogou nos escalões de escola e infantil.
Como iniciado representou o Válega, de onde se transferiu para o Beira-Mar, clube onde concluiu a sua formação, representando os aveirenses nos escalões Juvenil e Júnior.
Cumpriu a primeira temporada enquanto sénior na principal equipa "auri-negra", sendo emprestado ao clube da sua terra, o Avanca, nas duas temporadas seguintes (05/06 e 06/07).
Seguiu-se uma temporada no Lousada, já sem vinculação ao Beira-Mar, e o regresso aos aveirenses na temporada 08/09, regresso esse que acabaria por não dar certo, acabando o jogador por ser emprestado ao Amarante na segunda metade da época.
A época passada representou o Pampilhosa, e esta temporada luta pela subida à III Divisão Nacional com as cores do Valecambrense do Distrito de Aveiro.
É internacional sub-19 e sub-20, tendo "coleccionado" convocatórias à Selecção de Aveiro em todos os escalões. É defesa central de raiz, podendo também actuar como trinco.
ConversasRedondas: Começou a jogar futebol no Avanca. Lembra-se do primeiro treino?
Bruno Resende: Sim, lembro. Numa manhã de sábado, eu com sete anos, e o meu amigo Bruninho, actual companheiro no Valecambrense, 'pegámos' na nossa bicicleta e como morávamos em Avanca, aparecemos a um treino dos Escolinhas do Avanca. Envergonhados, pedimos se podíamos treinar. Eu queria ser guarda-redes, aliás, o primeiro treino foi nessa posição. Cheguei todo cheio de feridas a casa e o meu Pai perguntou-me o que se tinha passado. Contei-lhe, e ele disse que podia ir, mas não para guarda-redes. Foi assim que dei os primeiros passos.CR: Depois do Avanca, seguiram-se o Válega nos Iniciados, e o Beira-Mar como Juvenil e Júnior. Como surgiu a oportunidade de representar um clube como o Beira-Mar?
BR: No Válega cheguei à Selecção de Aveiro, que foi um passo para ser mais visto por outras equipas. Então, na transição de Iniciado para Juvenil recebi um telefonema do actual director de formação do Taboeira, Mário Moreira, a perguntar se queria ir fazer captações à Académica. Fui, fiz dois treinos, eu e mais cem miúdos, e vim-me embora. Foi então que o Sr. Moreira foi para director de formação do Beira-Mar e me perguntou se eu queria ir para lá, que também estavam na Nacional e na série da Académica. E ainda me lembro de ele dizer para que não ficasse triste, porque nesse ano ia fazer uma boa época, a Académica ia me querer, e ele ia fazer como eles me fizeram: dizer que não. E assim foi.CR: Pelo meio da sua formação, "coleccionou" chamadas à Selecção de Aveiro, bem como às Selecções Nacionais de Sub-19 e sub-20. Fale-nos um pouco dessas "experiências".
BR: Talvez tenha sido dos melhores momentos que já tive. Ainda me lembro da primeira internacionalização, pelos sub-19, como se fosse hoje, e arrepio-me como se estivesse a acontecer. Foi um particular em Gondomar frente à Irlanda, com o estádio completamente cheio e estava no onze inicial. Entrámos, perfilámos para os hinos, primeiro o da Irlanda, depois "A Portuguesa". Foi o melhor momento da minha vida, ver os cachecóis no ar e toda a gente a cantar o nosso hino. Foi um momento que nunca esquecerei. E convivi também com jogadores que agora estão a dar 'cartas' como Manuel Fernandes, Varela, Rúben Amorim, Paulo Machado, Vieirinha, entre outros, o que também é um motivo de orgulho.CR: No seu primeiro ano de sénior, teve a oportunidade de integrar o plantel do Beira-Mar. Lembra-se de quando recebeu a notícia? Era algo pelo qual estava à espera ou surpreendeu-o?
BR: Lembro. Já na parte final de Júnior ia treinar aos Seniores e sabia que ia fazer a pré-época com os Seniores, que na altura pertenciam a uma empresa inglesa. O treinador era inglês (Mick Wadsworth), fiz a pré-época, ele gostou e assinei pelos Seniores.CR: A verdade é que na equipa principal só foi utilizado por uma vez, e logo no primeiro jogo para o qual foi convocado, diante do Nacional. Recorda essa partida e os momentos que antecederam a sua entrada em jogo?
BR: Sim, entrei a cinco minutos do fim e estávamos empatados. Estava a aquecer, o Tanque Silva lesionou-se, o treinador chamou-me, eu a pensar que ia entrar para central, para segurar o empate, mas para meu espanto, entrei para ponta de lança, para fazer o lugar do Tanque Silva. Passados três minutos sofremos o 2-1. Não foi a melhor estreia, mas fica para recordação.CR: Depois dessa temporada, foi emprestado ao Avanca da III Divisão, sagrando-se mesmo campeão nacional. Porque razão decidiu dar seguimento à sua carreira na III Divisão?
BR: Na época anterior, o Avanca já era satélite do Beira-Mar, e quem não fosse convocado no Beira-Mar, ia jogar pelo Avanca ao fim-de-semana. Fiz a pré-época no Beira-Mar, o treinador era o Augusto Inácio, e como sabia que não ia ficar no plantel, decidi vir para o Avanca, clube da minha terra, e onde sentia que era bem acarinhado.CR: O Avanca ascendeu à II Divisão, e o Bruno manteve-se por lá. Não teve ofertas melhores, ou preferiu dar alguma estabilidade à sua carreira?
BR: Tive ofertas e tive quase a ir para o Pampilhosa, mas decidi ficar no Avanca porque senti que podia continuar a fazer história num pequeno clube, que era segurar a manutenção. E assim foi.CR: Para 07/08, o Bruno trocou o Avanca pelo Lousada, que também competia na II Divisão, mas noutra série. Porquê esta mudança? Esteve relacionada com questões monetárias ou o Bruno viu no Lousada uma "rampa de lançamento" que o Avanca nunca lhe ia dar?
BR: Por razões monetárias não foi, pois recebia pouco mais do que no Avanca, apesar de todos os dias fazer o percurso Avanca-Lousada. Senti naquele momento que o meu 'ciclo' no Avanca tinha acabado. Tinha entrado para a história do clube e sabia que era muito difícil ir para além daquele feito, por isso decidi mudar, e conhecer novas pessoas; novas mentalidades.CR: Depois da passagem pelo Lousada, regressou ao Beira-Mar, que na altura competia na Liga de Honra, acabando por fazer apenas um jogo, para a Taça da Liga. Alguma vez pensou que seria tão pouco utilizado?
BR: Sinceramente, pensei ser mais utilizado, mas culpo-me a mim próprio, pois também fui visto como o 'menino da casa' e isso foi prejudicial para mim. Foi, talvez, uma má opção voltar, porque tinha boas propostas. Mas são opções e não me arrependo.CR: Acabou por rumar por empréstimo ao Amarante da II Divisão na segunda metade da temporada, onde realizou seis partidas. Mais uma vez, voltou a não ser tão utilizado como esperava, presumo.
BR: Não correu bem. O Amarante tem tudo para ser um grande clube, mas quando lá cheguei, já estávamos em 'maus lençóis' e depois acabei por não jogar o que pretendia. Mas foi mais um bom clube por onde passei e tenho boas recordações.CR: Na época passada, chegou ao Pampilhosa também da II Divisão, participando em vinte e nove jogos, marcando três golos. Esta foi das melhores épocas da sua carreira?
BR: Já era para ir para o Pampilhosa há duas temporadas atrás. Foi, claramente, a minha melhor época até agora. Lembro-me de um jogo-treino na pré-época contra o Fiães, em que levámos um 'banho de bola' deles, e eles estavam na III Divisão. No final, o nosso presidente em conversa com o treinador deles, Carlos Miragaia, dizia-lhe que íamos descer, que não tínhamos hipótese, e realmente não começámos bem, pois à quinta jornada tínhamos dois pontos. Fomos a Viseu, jogar contra o Académico, e ao intervalo estávamos a perder 3-1. No final, ganhámos 4-5, e essa segunda parte foi a 'rampa' para a época histórica que fizemos.CR: O Pampilhosa lutou até à última jornada pelo primeiro lugar da Zona Centro. O objectivo era a subida de divisão?
BR: O objectivo era a manutenção, ninguém acreditava em mais e acabámos por lutar com o Arouca pelo primeiro lugar.CR: Esta temporada, o Bruno chegou ao Distrital. Porquê o Valecambrense?
BR: 'Culpa' do presidente. Foi ele quem me convenceu.CR: Como se passa, ainda que indirectamente, da I Divisão Nacional para o Distrital?
BR: Na Distrital tem muitos bons jogadores e equipas bem organizadas, e não tenho dúvidas que três ou quatro equipas do nosso campeonato se mantinham na II Divisão de forma tranquila. Para mim, jogar na I Divisão ou na Distrital é igual, tenho é de me sentir bem, ter ambição e ter prazer naquilo que faço.CR: Esperava estar aqui neste momento da sua carreira?
BR: Não sei se esperava, nós não podemos prever o futuro. Podemos sim, procura-lo.CR: O Valecambrense fez um grande investimento na temporada em curso. Como descreve a campanha da equipa até ao momento?
BR: Um grande investimento? As pessoas não estão bem informadas. Temos jogadores de grande qualidade e que jogaram em bons clubes e noutras divisões, o que aparenta ter havido um grande investimento, mas não é bem assim. Passamos por momentos bons e por momentos maus. Agora estamos num bom momento e vamos fazer tudo para continuar neste bom momento.CR: À entrada para a Jornada 31, Sanjoanense, Valecambrense e Estarreja ocupavam as três primeiras posições, todos eles separados por um ponto. A vitória de domingo sobre um dos rivais na luta pela subida, Estarreja, é tão importante como outro jogo "qualquer" ou tem um sabor diferente por ser contra um rival directo?
BR: É uma vitória igual às outras. Já vimos a ganhar à nove jornadas, bastava 'falharmos' num jogo e ficávamos 'arrumados'. Temos de dar mérito a esta equipa pela personalidade e carácter, porque não é fácil estar a jogar 'finais' consecutivas. Só um grupo muito forte o consegue.CR: No próximo domingo, há um Sanjoanense - Valecambrense. Se a sua equipa vencer, acredita que não mais largarão a liderança e assim subirão de forma "directa", não ficando à espera de desistências ou desclassificações?
BR: É mais uma 'final' igual às nove anteriores e vamos entrar com a mesma atitude e humildade.Questões rápidas.
CR: É capaz de eleger um 11 formado por companheiros de equipa? (Actuais ou Passados)
BR: Guarda-Redes: Mingote. Joguei com ele no Lousada e é o melhor guarda-redes que já vi. É grande amigo.Defesa Direito: Miguto. 'Meu capitão' no Avanca e grande amigo.
Defesa Central de Marcação: Alcaráz. Grande pessoa, jogou comigo no Beira-Mar.
Defesa Central Livre: Nuno Cruz. Central do Anadia. Grande amigo, jogou comigo no Pampilhosa e no Avanca.
Defesa Esquerdo: Tininho. Grande jogador e grande pessoa. Jogou comigo no Beira-Mar.
Médio Direito: Magno. Este 'miúdo' joga no Estarreja e joga 'muito'. Tem tido falta de sorte, mas a sorte há-de ir ter com ele.
Médio Centro: Artur. Ex-capitão da Ovarense, jogou comigo no Avanca. Aprendi muito com ele.
Médio Centro: Paulo Gomes. Grande pessoa. Um exemplo para mim, como pessoa e como jogador. 'Meu capitão' no Lousada.
Médio Esquerdo: Carlos Pinto. Não o conheço pessoalmente, mas joguei contra ele, quando ele estava no Chaves. É muita classe a jogar e é como o vinho do Porto: quanto mais velho, melhor.
Avançado: Marcelo Santiago. Joga no Gondomar. Grande amigo e muito humilde, merece tudo de bom. Jogou comigo no Pampilhosa.
Avançado: Hélder Ferreira: Joga no Anadia. Jogou comigo no Pampilhosa, e é muito inteligente a jogar.
CR: Que objectivos delineou o Bruno para a sua carreira? Marcou uma "meta" para deixar de jogar, caso não atingisse os seus objectivos?
BR: Os objectivos da minha carreira passam por cada dia ser melhor, ter prazer naquilo que faço, e ter muita ambição. Esses são os meus objectivos. Quando sentir que não os consigo cumprir, abandono.CR: Se conseguisse, o que mudava na sua carreira?
BR: Nada, não me arrependo de nada.CR: É defesa central de raiz, mas esta temporada tem sido utilizado como trinco. Que posição prefere?
BR: Foi na época passada que comecei a jogar a trinco e por lá continuei. A posição que prefiro jogar, é no 'onze', nem que seja a guarda-redes. Quero é jogar, pois é o que me dá mais prazer.CR: O Beira-Mar é o clube do coração?
BR: Não. Passei bons e maus momentos por lá. O clube do meu coração, é o clube da minha terra, Avanca.
CR: Tem 26 anos. Ainda pensa em voltar à I Divisão?
BR: Tenho a noção de que não é fácil, mas porque não?O "Conversas Redondas" agradece a Bruno Resende, o tempo despendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.
Pode ver o trajecto de Bruno Resende, aqui.



grande resas numca deixes de lutar pelos teus objectivos um dia a vida vai t sorrir amigo..grande abraço deste teu amigo artur(vareiro)::))
ResponderEliminarja agora é o artur...o (Vamos Embora?!) :) joga no Beira mar?
ResponderEliminar