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sexta-feira, 1 de março de 2013

Entrevista a: Bruninho

Bruno Cristiano Pereira Ferreira, nasceu no Porto a 4 de Junho de 1985.
Sete anos depois, Bruninho, como é conhecido no Mundo do futebol, entrou para a formação do Boavista, e por lá ficou durante doze temporadas consecutivas.
Presença assídua na Selecção da AF Porto a partir do escalão sub-15, o momento alto da formação de Bruninho, deu-se quando se sagrou campeão Nacional de Juniores em 02/03.
Na passagem para o escalão sénior, acabou por terminar a ligação ao Boavista, e seguiu para o Candal, onde esteve três temporadas, e por quem festejou uma subida de divisão.
De seguida, representou o Canidelo por duas temporadas, mudou-se para o Progresso, onde esteve meia época, e terminou essa temporada - 09/10 - como campeão distrital ao serviço do Custóias, clube que serviu também durante a primeira metade da época 10/11.
Transitou para o Serzedo, onde voltou a festejar nova subida, e foi ao serviço do emblema gaiense que esteve durante toda a época passada.
Actualmente, representa o Oliveira do Douro no escalão maior da AF Porto e, simultaneamente, é um dos responsáveis pelos 'Oliveirinhas', a escola de formação do clube oliveirense.
Joga a médio centro, podendo também actuar como médio ofensivo ou médio esquerdo.

ConversasRedondas: Jogou doze anos no Boavista. Ainda se recorda do primeiro treino e do porquê da escolha deste clube para começar a jogar futebol?
Bruno Cristiano: Lembro-me desse dia como se fosse hoje. Um sábado de manhã, uma manhã nublada e eu cheio de vontade de correr e chutar uma bola. Quando o meu Pai me deixou à porta do balneário, começou aquele friozinho na barriga, as pernas a tremer, e um choro enorme de medo. Voltei para trás, e perdi a coragem em segundos quando me deparei com mais de duzentos meninos da minha idade à procura do sonho, e eu sem conhecer ninguém. Ainda falei uns bons minutos com o meu Pai, e ele deu-me a coragem necessária para voltar e ir treinar. Nessa altura, o treinador das escolinhas era o mister Jaime Garcia, um Homem que deixou muita saudade, fomos divididos em grupos de doze e fizemos jogos de 6x6. A meio do treino ouvi o mister dizer “miúdo, miúdo, anda aqui”. E eu lá fui, cheio de medo e todo envergonhado, quando ele me diz “na segunda feira tens de trazer o teu BI e quatro fotografias”. Na altura, não liguei muito aquilo que ele me estava a pedir, nem sabia o porquê de ele me pedir isso, porque eu queria era voltar para o treino e continuar a chutar uma bola. Mais tarde, quando disse ao meu Pai que eles me tinham pedido o BI e as fotos, ele disse-me “parabéns, vais ser jogador do Boavista”. É um dia que jamais esquecerei, pois sei que foi um motivo de orgulho muito grande para o meu Pai. O porquê do Boavista?! Foi onde cresci, jogava à bola com os meus amigos de infância das 8h da manhã as 20h da noite, pelo que foi uma infância fantástica. Um dia ao jantar, todo suado, o meu Pai disse-me que ia haver captações no Boavista e que me ia levar lá, e eu fiquei ansioso por esse dia e a escolha foi feita assim.

CR: Foi campeão nacional de Juniores pelo Boavista, mas dessa equipa, apenas seis jogadores chegaram à I Liga, e quase todos com passagens fugazes. O que falhou para não entrar neste lote?
BC: O que falhou comigo, falhou com muitos miúdos que fazem a transição de Júnior para Sénior sem um acompanhamento de um empresário ou algo do género. Não é por falta de qualidade, nem por falta de trabalho, porque o nosso plantel de Juniores fazia inveja a muitas equipas de I Liga, mas como sabes e toda a gente sabe, a aposta na formação em Portugal nunca foi muita, e talvez por isso, é que desse plantel só tenham chegado seis ao topo.

CR: Da formação do Boavista saiu para o Candal, que na altura disputava a I Divisão Distrital da AF Porto. Porquê esta opção? Não teve convites dos Nacionais?
BC:  Como disse na resposta anterior, é difícil, aliás, é muito difícil a transição de júnior para sénior sem um acompanhamento. É como estares num labirinto e não saberes por onde ir. No meu último ano de júnior, no meu último treino pelo Boavista, foi comunicado que o nosso ciclo com o clube tinha chegado ao fim e que podíamos procurar outro clube. Tive convites dos Nacionais, é uma verdade que tive, nomeadamente do Pedras Rubras que nessa altura estava na II Divisão B com o Mister Chaló, do Avanca que na altura estava na III Divisão e tinha lá muitos jogadores que jogaram contra mim pelos Juniores do Beira-Mar, e do Valonguense que também estava na III Divisão. O que falhou, foi o medo de ir, o medo de arriscar. A minha vontade era jogar com os amigos, mesmo que fosse perder muito dinheiro. Sabia que a maior parte deles ia para o Candal, um clube que o Boavista tinha alguma ligação e colocava muitos jogadores nos Juniores. E assim foi, quando já estava a pensar desistir de jogar, ligaram-me do Candal. Se me arrependo de ter ido para lá? Não posso dizer que sim, porque foram anos fantásticos. Se me perguntares se hoje voltava a ter a mesma escolha, não voltava, porque se tivesse arriscado, não sei até onde podia ter ido.

CR: O Candal subiu facilmente à Divisão de Honra, e o Bruninho foi uma das figuras da equipa com doze golos marcados. Depois disso, continuou no Candal por mais dois anos. Acreditou no projecto do clube ou não teve convites mais aliciantes?
BC: Foi sem dúvida uma época fantástica, onde fiz grandes amigos, grandes amizades. Depois dessa época sim, tive vários convites para sair. Para além de acreditar no projecto do clube, sentia que estava em dívida com o Candal, um clube que me recebeu de abraços abertos, e que tudo fez para me manter nas épocas seguintes. Só guardo boas recordações do Candal.

CR: Depois de três épocas no Candal, mudou-se para o vizinho e rival Canidelo, onde jogou durante duas temporadas. Porquê esta mudança? Tinha chegado um fim de ciclo no Candal?
BC: Depois dessas três épocas fantásticas, a direção do clube mudou, e eu senti que talvez fosse o fim de um ciclo. Nessa época depois de jogar contra o Canidelo, o presidente Abílio Novais perguntou se havia alguma possibilidade de eu jogar no Canidelo na próxima época, e como confiava muito nele e sabia que era um Homem do futebol, que me podia ajudar a crescer, depois de uma conversa com ele, nem hesitei e fui para o Canidelo.

CR: Nesses dois anos em que representou o Canidelo, o clube teve bons plantéis, mas não foi além do oitavo lugar, e no ano seguinte, esteve mesmo quase a descer de divisão. O que se passou?
BC: É verdade, toda a gente esperava muito do Canidelo nesses dois anos, tinhamos, sem dúvida, dos planteis mais forte da nossa divisão, um grupo com muita qualidade e bem orientado pelo mister Amorim e mais tarde pelo mister Amarante, um Homem com H grande, e talvez uma das pessoas que mais me marcaram no futebol. Mas era um grupo jovem, um grupo ao qual faltava alguma experiência nos momentos decisivos, e acho que esse foi o principal factor para não ter feito épocas nos primeiros lugares.

CR: Do Canidelo mudou-se para o Progresso, que em 09/10 chegou a ser a revelação da Divisão de Honra. Contudo, a produção do clube cairia a pique, e o Bruninho acabaria por sair a meio da temporada. O que provocou este ‘desgaste’ e a sua posterior saída?
BC: Nesse ano em que me mudei para o Progresso, dei uma alegria enorme ao meu Avô, o meu querido Avô que jogou e treinou o Progresso vários anos. Estávamos a fazer uma época de sonho num clube com poucas condições, um clube que nem campo tinha para jogar em casa, e estávamos nos três primeiros lugares com o Sousense e Alpendorada. Entretanto começou a falhar muita coisa no clube, a nível financeiro foi pago o primeiro mês e nada mais, mas o que não falhava era o apoio dos adeptos e, por isso, foi dos clubes que mais gozo me deu em jogar. A saída de mais de metade do plantel deixou marcas. Quando saímos, o Progresso estava em terceiro lugar e precisava de nove pontos para garantir a manutenção, e acabou por descer.
CR: Completaria essa temporada no Custóias, que jogava na I Divisão, e veio-se a revelar como uma das figuras preponderantes de uma equipa que se sagrou campeã nessa mesma época. Sem olharmos ao campeonato como ele acabou, esta era mesmo a melhor opção para prosseguir a carreira?
BC: Tive mais alguns convites para sair além do Custóias, alguns de divisões superiores e outros da mesma. Mas acreditei no projecto que o mister Manuel Pinheiro me apresentou, pois era um clube em crescimento, um clube que tinha recebido muito dinheiro e que podia crescer num curto espaço de tempo. Acabei por ir para lá com o Félix, com o Pacheco e com o Carlos, todos eles ex-Progresso. E foi onde demos continuação a grande época que estávamos a fazer, conseguindo o objectivo do clube, que era a subida de divisão.

CR: Na temporada seguinte, fez mais meia-época no Custóias, tendo saído numa altura em que a equipa estava estável no campeonato. Porquê esta decisão?
BC: Mais uma vez por problemas financeiros, e nesse ano só tenho que agradecer ao mister Manuel Pinheiro por me ter deixado sair em Dezembro. Disse-lhe que tinha um projecto mais uma vez para subir de divisão, e ele abriu-me as portas.

CR: Voltou ao concelho de Vila Nova de Gaia, desta feita para o Serzedo, conquistando nova subida de divisão. Esperava um regresso a Gaia tão feliz como o que teve?
BC: Sinceramente, esperava. Esperava porque sabia da qualidade que existia no Serzedo, falava várias vezes com o Ricardinho e ele sempre me dizia que o objetivo passava claramente pela subida de divisão. E foi meia época de grande qualidade.

CR: Na temporada passada, o Bruninho continuou no Serzedo, e o clube foi uma das grandes surpresas da Divisão de Honra. Qual foi o ‘segredo’ para tão boa época?
BC: O segredo estava na qualidade, no empenho e na dedicação que todos os domingos se punha em prática. Era um grupo com muita qualidade, e dou aqui um exemplo, porque merece ser dado: o Bruno Cruz que está no Sobrado, é um senhor dentro e fora de campo, uma das pessoas mais puras com quem tive o prazer de partilhar o balneário.

CR: Esta época mudou-se para outro clube gaiense, o Oliveira do Douro. Porquê nova mudança? Quais os objectivos que o clube traçou para esta temporada? Está muito perto do segundo lugar...
BC: A mudança para o Oliveira do Douro foi fácil. É mais um projecto que acredito que tem tudo para dar certo, pois estão pessoas à frente do clube de muita confiança e que trabalham que se fartam, para que não nos falte nada. Tem sido meia época fantástica, a adaptação foi muito fácil. Dos melhores grupos de trabalho que apanhei e com um capitão de topo, Rómulo, que nos ajuda bastante e só tem boas dicas para dar aos mais novos. O que mais me marcou foi a saída do mister Heitor, pois talvez tenha faltado aquele clique, aquela 'pontinha de sorte' em alguns jogos. É um treinador jovem, mas com muita qualidade para dar, e um Homem que sabe o que quer e que defende o seu grupo até não poder mais. Os objectivos passam claramente por ficar nos sete primeiros lugares, mas estamos perto do segundo lugar, é um facto, e é ai que gostamos de andar: perto dos primeiros e pensar jogo-a-jogo.

CR: Em Oliveira do Douro, além de ser colega de Rómulo, que jogou vários anos no Gondomar e na Segunda Liga, voltou a partilhar o balneário com Isidro e Hélder Calviño, jogadores com quem se sagrou campeão Nacional de Juniores. Como foi reencontrá-los passados estes anos, embora num lugar que, certamente, estaria longe das vossas previsões?
BC: É sempre bom reencontrar amigos seja onde for, e este ano, tenho a sorte e o prazer de partilhar o mesmo balneário que eles. Tenho uma relação muita boa com o Isidro e com o Calviño, são grande amigos, e são duas pessoas fantásticas, que sabem estar e com quem sei que posso sempre contar. O Rómulo foi aquele que mais me surpreendeu pela positiva, tanto como jogador como pessoa, pois é do melhor que já vi. Com a idade que ele tem, jogar onde já jogou, e trabalhar da forma humilde e séria como ele trabalha, só merece o respeito de todos e uma grande consideração. Só tem um defeito, é ser portista. (risos)

CR: Oliveira do Douro e Candal têm uma grande rivalidade. Jogou três anos no Candal e subiu de divisão lá, mas isto não bastou para que ficasse ‘imune’ a essa rivalidade, tendo tido alguns problemas no último jogo entre as duas equipas. O que se passou ao certo?
BC: Faz parte do futebol. Sei as amizades que fiz no Candal, sei com quem posso contar, mas também sei do que algumas pessoas são capazes, por isso não fiquei nada admirado com algumas atitudes. O Candal é um clube que me vai marcar sempre pela positiva. Sem dúvida nenhuma que o Candal é um dos melhores clubes de Gaia.

CR: Tem vinte e sete anos, fez a formação toda no Boavista, foi campeão nacional, mas nunca jogou nos Nacionais. Porquê?
BC: Como disse, é certo que tive convites para jogar no Nacional, e ainda agora em Dezembro tive, mas sinto que a Divisão de Honra nada fica atrás da III Divisão Nacional, e não vou jogar num clube que não vou ter prazer e não vou evoluir, só para dizer que jogo no Nacional, isso não. Se surgir um convite que seja interessante e com um bom projecto, aí sim, não vou olhar para trás. E acredito que vai surgir, pois tenho os meus objectivos definidos, sei aquilo que quero, e não vou desistir disso.

CR: Nove anos de sénior, sete épocas e meia passadas em clubes de Gaia, quatro clubes diferentes. O que o ‘atrai’ em VN Gaia?
BC: É uma boa pergunta, isso acontece talvez por ser uma boa referência em Gaia e deixar uma boa imagem por onde passo. Quero acreditar que seja isso e é para isso que trabalho todos os dias de uma forma séria e exemplar, para que nunca tenham nada a apontar ou a dizer de mal sobre a minha pessoa.

CR: Esta temporada está como treinador dos ‘Oliveirinhas’, a escola de formação do Oliveira do Douro. Está a gostar da experiência? Já se vê como treinador principal de séniores?
BC: Estou a adorar a experiência. Sinto que é uma passagem de testemunho, mas todos os dias sinto que eu é que aprendo cada vez mais com eles. É um prazer ver a evolução deles de dia-para-dia. Sim, treinar os Seniores é um sonho que tenho. Mas para já penso jogar ainda mais uns bons anos.
Questões rápidas.
CR: Se pudesse, o que mudava na sua carreira?

BC: O medo de ir, o medo de arriscar, vou ficar sempre com isto na cabeça. E se eu tivesse arriscado?!

CR: Em Custóias, na fase final da pré-temporada de 10/11, viu Derlei, um colega de equipa, falecer de uma forma estranha. Como reagiu o grupo?
BC: Foi dos momentos mais tristes desde que jogo futebol. Foi um choque enorme para o grupo, mas todos ficámos com a lembrança do sorriso que o nosso amigo Derlei trazia com ele.

CR: Jogou doze anos no Boavista FC. Como vê a situação atual do clube, e que expectativas tem para o futuro do mesmo?
BC: O Boavista é um clube que faz falta ao futebol Português, espero que seja feita justiça e que o Boavista possa estar de volta aos grandes palcos o mais rápido possível, porque é onde merece estar.

CR: Além de, como já referi, jogar com um jogador com a experiência de Rómulo, foi colega de Jorginho e Luizão no Custóias, também eles dois jogadores habituados aos palcos profissionais. Consegue descrever estes três jogadores numa só palavra?
BC: Profissionais.

CR: Aparece numa fotografia à entrada do estádio do Candal, festejando um golo. De que forma o clube marcou a sua carreira?
BC: O Candal marcou e muito a minha história no futebol, é sem dúvida um clube pelo qual tenho muito carinho, e um clube que me vai marcar para sempre pelas amizades e pelos bons momentos que lá passei.

CR: É capaz de eleger um 11 formado por companheiros de equipa? (Actuais e/ou passados)
BC: Não é justo eleger apenas um onze, joguei com tantos bons jogadores e acima de tudo grandes homens. Mas fica aqui um onze, com mais estas opções: Ricardo, Pereira, Isidro, Óscar, Steven, Fábio Miranda, Maki, Serginho, Pacheco II, Ramalho, Paulo Figueiredo, Miguel Neves, Napoleão e Bruno Mendes.
1 - Pinheiro: Jogou comigo no Boavista, um grande amigo, um grande guarda-redes.
2 - Pacheco: Joga no Pedras Rubras, dos melhores laterais direitos com quem joguei e um grande amigo.
3 - Bruno Cruz: Joga no Sobrado, é um senhor dentro e fora do campo. Um exemplo para qualquer um.
4 - Rómulo: Joga comigo no Oliveira do Douro, é como o Vinho do Porto, quanto mais velho, melhor. Talvez o central que podia ser dez, nunca vi tanta qualidade num central. Um grande amigo e um grande Capitão.
5 -Luizão: Jogou comigo no Custóias. Muita humildade, trabalho e dedicação. Mais um bom exemplo do que é ser um grande profissional.
6 – Berto Barek: Joga no Viseu Futsal, e não podia deixar de fora o meu primo, pois foi com ele que eu aprendi a jogar futebol. É, sem dúvida, um ídolo e uma referência para mim. Trata a bola como ninguém.
7 - Ricardinho: Joga no Pedras Rubras, finalizar é com ele. Nunca vi igual. Mais um grande amigo de infância.
8 - Ricardo Félix: Jogou comigo no Boavista, e actualmente joga no Pedras Rubras. Muito forte no um-para-um, encara a defesa contrária com muita facilidade. É um prazer ver a forma como ele trabalha nos treinos e jogos.
9 – Pedro Tavares: Jogou comigo no Candal e joga no Coimbrões, um pequeno grande jogador, um pequeno grande homem. Um AMIGO.
10 - Calviño: Jogou comigo no Boavista e agora tenho o prazer de voltar a jogar com ele no Oliveira do Douro. É o melhor número dez com quem tive o prazer de jogar. Um bom amigo.
11- Hugo Figueiredo: Joga comigo no Oliveira do Douro, e não me surpreendeu. É um matador, se estás a precisar de golos, é ele que os faz. Parece fácil a forma como ele os faz, mas fica só no 'parece fácil', porque ou se nasce com esse dom ou não.

O "Conversas Redondas" agradece a Bruninho o tempo despendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Bruninho, aqui.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Entrevista a: Bruno Resende

Bruno Dias Resende, nasceu a 10 de Março de 1985 em Avanca.
Conhecido no "Mundo do futebol" pelo seu primeiro e último nome, Bruno Resende começou por jogar futebol no clube da sua terra, o Avanca, onde jogou nos escalões de escola e infantil.
Como iniciado representou o Válega, de onde se transferiu para o Beira-Mar, clube onde concluiu a sua formação, representando os aveirenses nos escalões Juvenil e Júnior.
Cumpriu a primeira temporada enquanto sénior na principal equipa "auri-negra", sendo emprestado ao clube da sua terra, o Avanca, nas duas temporadas seguintes (05/06 e 06/07).
Seguiu-se uma temporada no Lousada, já sem vinculação ao Beira-Mar, e o regresso aos aveirenses na temporada 08/09, regresso esse que acabaria por não dar certo, acabando o jogador por ser emprestado ao Amarante na segunda metade da época.
A época passada representou o Pampilhosa, e esta temporada luta pela subida à III Divisão Nacional com as cores do Valecambrense do Distrito de Aveiro.
É internacional sub-19 e sub-20, tendo "coleccionado" convocatórias à Selecção de Aveiro em todos os escalões. É defesa central de raiz, podendo também actuar como trinco.

ConversasRedondas: Começou a jogar futebol no Avanca. Lembra-se do primeiro treino?
Bruno Resende: Sim, lembro. Numa manhã de sábado, eu com sete anos, e o meu amigo Bruninho, actual companheiro no Valecambrense, 'pegámos' na nossa bicicleta e como morávamos em Avanca, aparecemos a um treino dos Escolinhas do Avanca. Envergonhados, pedimos se podíamos treinar. Eu queria ser guarda-redes, aliás, o primeiro treino foi nessa posição. Cheguei todo cheio de feridas a casa e o meu Pai perguntou-me o que se tinha passado. Contei-lhe, e ele disse que podia ir, mas não para guarda-redes. Foi assim que dei os primeiros passos.

CR: Depois do Avanca, seguiram-se o Válega nos Iniciados, e o Beira-Mar como Juvenil e Júnior. Como surgiu a oportunidade de representar um clube como o Beira-Mar?
BR: No Válega cheguei à Selecção de Aveiro, que foi um passo para ser mais visto por outras equipas. Então, na transição de Iniciado para Juvenil recebi um telefonema do actual director de formação do Taboeira, Mário Moreira, a perguntar se queria ir fazer captações à Académica. Fui, fiz dois treinos, eu e mais cem miúdos, e vim-me embora. Foi então que o Sr. Moreira foi para director de formação do Beira-Mar e me perguntou se eu queria ir para lá, que também estavam na Nacional e na série da Académica. E ainda me lembro de ele dizer para que não ficasse triste, porque nesse ano ia fazer uma boa época, a Académica ia me querer, e ele ia fazer como eles me fizeram: dizer que não. E assim foi.

CR: Pelo meio da sua formação, "coleccionou" chamadas à Selecção de Aveiro, bem como às Selecções Nacionais de Sub-19 e sub-20. Fale-nos um pouco dessas "experiências".
BR: Talvez tenha sido dos melhores momentos que já tive. Ainda me lembro da primeira internacionalização, pelos sub-19, como se fosse hoje, e arrepio-me como se estivesse a acontecer. Foi um particular em Gondomar frente à Irlanda, com o estádio completamente cheio e estava no onze inicial. Entrámos, perfilámos para os hinos, primeiro o da Irlanda, depois "A Portuguesa". Foi o melhor momento da minha vida, ver os cachecóis no ar e toda a gente a cantar o nosso hino. Foi um momento que nunca esquecerei. E convivi também com jogadores que agora estão a dar 'cartas' como Manuel Fernandes, Varela, Rúben Amorim, Paulo Machado, Vieirinha, entre outros, o que também é um motivo de orgulho.

CR: No seu primeiro ano de sénior, teve a oportunidade de integrar o plantel do Beira-Mar. Lembra-se de quando recebeu a notícia? Era algo pelo qual estava à espera ou surpreendeu-o?
BR: Lembro. Já na parte final de Júnior ia treinar aos Seniores e sabia que ia fazer a pré-época com os Seniores, que na altura pertenciam a uma empresa inglesa. O treinador era inglês (Mick Wadsworth), fiz a pré-época, ele gostou e assinei pelos Seniores.

CR: A verdade é que na equipa principal só foi utilizado por uma vez, e logo no primeiro jogo para o qual foi convocado, diante do Nacional. Recorda essa partida e os momentos que antecederam a sua entrada em jogo?
BR: Sim, entrei a cinco minutos do fim e estávamos empatados. Estava a aquecer, o Tanque Silva lesionou-se, o treinador chamou-me, eu a pensar que ia entrar para central, para segurar o empate, mas para meu espanto, entrei para ponta de lança, para fazer o lugar do Tanque Silva. Passados três minutos sofremos o 2-1. Não foi a melhor estreia, mas fica para recordação.

CR: Depois dessa temporada, foi emprestado ao Avanca da III Divisão, sagrando-se mesmo campeão nacional. Porque razão decidiu dar seguimento à sua carreira na III Divisão?
BR: Na época anterior, o Avanca já era satélite do Beira-Mar, e quem não fosse convocado no Beira-Mar, ia jogar pelo Avanca ao fim-de-semana. Fiz a pré-época no Beira-Mar, o treinador era o Augusto Inácio, e como sabia que não ia ficar no plantel, decidi vir para o Avanca, clube da minha terra, e onde sentia que era bem acarinhado.

CR: O Avanca ascendeu à II Divisão, e o Bruno manteve-se por lá. Não teve ofertas melhores, ou preferiu dar alguma estabilidade à sua carreira?
BR: Tive ofertas e tive quase a ir para o Pampilhosa, mas decidi ficar no Avanca porque senti que podia continuar a fazer história num pequeno clube, que era segurar a manutenção. E assim foi.

CR: Para 07/08, o Bruno trocou o Avanca pelo Lousada, que também competia na II Divisão, mas noutra série. Porquê esta mudança? Esteve relacionada com questões monetárias ou o Bruno viu no Lousada uma "rampa de lançamento" que o Avanca nunca lhe ia dar?
BR: Por razões monetárias não foi, pois recebia pouco mais do que no Avanca, apesar de todos os dias fazer o percurso Avanca-Lousada. Senti naquele momento que o meu 'ciclo' no Avanca tinha acabado. Tinha entrado para a história do clube e sabia que era muito difícil ir para além daquele feito, por isso decidi mudar, e conhecer novas pessoas; novas mentalidades.
CR: Depois da passagem pelo Lousada, regressou ao Beira-Mar, que na altura competia na Liga de Honra, acabando por fazer apenas um jogo, para a Taça da Liga. Alguma vez pensou que seria tão pouco utilizado?
BR: Sinceramente, pensei ser mais utilizado, mas culpo-me a mim próprio, pois também fui visto como o 'menino da casa' e isso foi prejudicial para mim. Foi, talvez, uma má opção voltar, porque tinha boas propostas. Mas são opções e não me arrependo.

CR: Acabou por rumar por empréstimo ao Amarante da II Divisão na segunda metade da temporada, onde realizou seis partidas. Mais uma vez, voltou a não ser tão utilizado como esperava, presumo.
BR: Não correu bem. O Amarante tem tudo para ser um grande clube, mas quando lá cheguei, já estávamos em 'maus lençóis' e depois acabei por não jogar o que pretendia. Mas foi mais um bom clube por onde passei e tenho boas recordações.

CR: Na época passada, chegou ao Pampilhosa também da II Divisão, participando em vinte e nove jogos, marcando três golos. Esta foi das melhores épocas da sua carreira?
BR: Já era para ir para o Pampilhosa há duas temporadas atrás. Foi, claramente, a minha melhor época até agora. Lembro-me de um jogo-treino na pré-época contra o Fiães, em que levámos um 'banho de bola' deles, e eles estavam na III Divisão. No final, o nosso presidente em conversa com o treinador deles, Carlos Miragaia, dizia-lhe que íamos descer, que não tínhamos hipótese, e realmente não começámos bem, pois à quinta jornada tínhamos dois pontos. Fomos a Viseu, jogar contra o Académico, e ao intervalo estávamos a perder 3-1. No final, ganhámos 4-5, e essa segunda parte foi a 'rampa' para a época histórica que fizemos.

CR: O Pampilhosa lutou até à última jornada pelo primeiro lugar da Zona Centro. O objectivo era a subida de divisão?
BR: O objectivo era a manutenção, ninguém acreditava em mais e acabámos por lutar com o Arouca pelo primeiro lugar.

CR: Esta temporada, o Bruno chegou ao Distrital. Porquê o Valecambrense?
BR: 'Culpa' do presidente. Foi ele quem me convenceu.

CR: Como se passa, ainda que indirectamente, da I Divisão Nacional para o Distrital?
BR: Na Distrital tem muitos bons jogadores e equipas bem organizadas, e não tenho dúvidas que três ou quatro equipas do nosso campeonato se mantinham na II Divisão de forma tranquila. Para mim, jogar na I Divisão ou na Distrital é igual, tenho é de me sentir bem, ter ambição e ter prazer naquilo que faço.

CR: Esperava estar aqui neste momento da sua carreira?
BR: Não sei se esperava, nós não podemos prever o futuro. Podemos sim, procura-lo.

CR: O Valecambrense fez um grande investimento na temporada em curso. Como descreve a campanha da equipa até ao momento?
BR: Um grande investimento? As pessoas não estão bem informadas. Temos jogadores de grande qualidade e que jogaram em bons clubes e noutras divisões, o que aparenta ter havido um grande investimento, mas não é bem assim. Passamos por momentos bons e por momentos maus. Agora estamos num bom momento e vamos fazer tudo para continuar neste bom momento.

CR: À entrada para a Jornada 31, Sanjoanense, Valecambrense e Estarreja ocupavam as três primeiras posições, todos eles separados por um ponto. A vitória de domingo sobre um dos rivais na luta pela subida, Estarreja, é tão importante como outro jogo "qualquer" ou tem um sabor diferente por ser contra um rival directo?
BR: É uma vitória igual às outras. Já vimos a ganhar à nove jornadas, bastava 'falharmos' num jogo e ficávamos 'arrumados'. Temos de dar mérito a esta equipa pela personalidade e carácter, porque não é fácil estar a jogar 'finais' consecutivas. Só um grupo muito forte o consegue.

CR: No próximo domingo, há um Sanjoanense - Valecambrense. Se a sua equipa vencer, acredita que não mais largarão a liderança e assim subirão de forma "directa", não ficando à espera de desistências ou desclassificações?
BR: É mais uma 'final' igual às nove anteriores e vamos entrar com a mesma atitude e humildade.
Questões rápidas.
CR: É capaz de eleger um 11 formado por companheiros de equipa? (Actuais ou Passados)
BR: Guarda-Redes: Mingote. Joguei com ele no Lousada e é o melhor guarda-redes que já vi. É grande amigo.
Defesa Direito: Miguto. 'Meu capitão' no Avanca e grande amigo.
Defesa Central de Marcação: Alcaráz. Grande pessoa, jogou comigo no Beira-Mar.
Defesa Central Livre: Nuno Cruz. Central do Anadia. Grande amigo, jogou comigo no Pampilhosa e no Avanca.
Defesa Esquerdo: Tininho. Grande jogador e grande pessoa. Jogou comigo no Beira-Mar.
Médio Direito: Magno. Este 'miúdo' joga no Estarreja e joga 'muito'. Tem tido falta de sorte, mas a sorte há-de ir ter com ele.
Médio Centro: Artur. Ex-capitão da Ovarense, jogou comigo no Avanca. Aprendi muito com ele.
Médio Centro: Paulo Gomes. Grande pessoa. Um exemplo para mim, como pessoa e como jogador. 'Meu capitão' no Lousada.
Médio Esquerdo: Carlos Pinto. Não o conheço pessoalmente, mas joguei contra ele, quando ele estava no Chaves. É muita classe a jogar e é como o vinho do Porto: quanto mais velho, melhor.
Avançado: Marcelo Santiago. Joga no Gondomar. Grande amigo e muito humilde, merece tudo de bom. Jogou comigo no Pampilhosa.
Avançado: Hélder Ferreira: Joga no Anadia. Jogou comigo no Pampilhosa, e é muito inteligente a jogar.

CR: Que objectivos delineou o Bruno para a sua carreira? Marcou uma "meta" para deixar de jogar, caso não atingisse os seus objectivos?
BR: Os objectivos da minha carreira passam por cada dia ser melhor, ter prazer naquilo que faço, e ter muita ambição. Esses são os meus objectivos. Quando sentir que não os consigo cumprir, abandono.

CR: Se conseguisse, o que mudava na sua carreira?
BR: Nada, não me arrependo de nada.

CR: É defesa central de raiz, mas esta temporada tem sido utilizado como trinco. Que posição prefere?
BR: Foi na época passada que comecei a jogar a trinco e por lá continuei. A posição que prefiro jogar, é no 'onze', nem que seja a guarda-redes. Quero é jogar, pois é o que me dá mais prazer.

CR: O Beira-Mar é o clube do coração?
BR: Não. Passei bons e maus momentos por lá. O clube do meu coração, é o clube da minha terra, Avanca.

CR: Tem 26 anos. Ainda pensa em voltar à I Divisão?
BR: Tenho a noção de que não é fácil, mas porque não?

O "Conversas Redondas" agradece a Bruno Resende, o tempo despendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Bruno Resende, aqui.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Entrevista a: César Lopes

César Augusto Duarte Sousa Morais Lopes, nasceu a 29 de Julho de 1981 em Canelas, Vila Nova de Gaia.
Conhecido no "Mundo do futebol" por César, o gaiense começou por dar os primeiros passos no futebol ao serviço do clube da sua terra, o Canelas,  transitando depois para o Boavista, de onde saiu para o Espinho, clube onde além de completar a formação, se estreou como sénior, e logo numa competição profissional, neste caso, a Liga de Honra.
"Tapado" em Espinho, seguiu para o Canelas na sua segunda temporada enquanto sénior, regressando aos "Tigres" em 02/03 e 03/04, representando depois Canedo (04/05), Estarreja (05/06 e 07/08), Marítimo da Graciosa nos Açores (06/07), Arcozelo (08/09 e 09/10) e Perosinho (08/09).
Actualmente representa o Grijó, clube que compete nos Distritais da AF Porto e luta pela subida aos Nacionais.
A sua posição de origem é extremo, mas pode também actuar como ponta de lança ou segundo avançado.

ConversasRedondas: Começou a jogar futebol no Canelas, mas ainda nas camadas jovens, teve uma curta passagem pelo Boavista. Porque razão não deu seguimento à sua carreira no Bessa?
César Lopes: É verdade. O meu inicio no futebol de onze foi no CF Canelas, clube da terra onde nasci, nos iniciados. Nos juvenis surgiu a oportunidade de ingressar no Boavista FC, onde passei uma época com a condição de se realmente fosse para dar continuidade à minha "estadia" no Bessa, na segunda época de juvenil o Boavista teria de pagar 600€ (120 contos na altura) em material desportivo ao Canelas e se eu ascendesse aos séniores do Boavista a "indemnização" chegaria aos 5000€ (1000 contos na altura). Finda a primeira época de juvenil no Boavista houve mudança de treinador, o dos iniciados passou para os juvenis e dadas as contrapartidas que "me vinham associadas" o treinador achou por bem me dispensar.

CR: Depois do Boavista, regressou ao Canelas, e mais tarde ingressou no Espinho. Foi precisamente no Sp. Espinho, que teve o primeiro contacto com o futebol sénior.  De que forma viveu a sua integração no plantel sénior do Sp. Espinho 2000/2001?
CL: Foi sem dúvida a concretização de um sonho, um dos dias de maior felicidade da minha vida, aquele em que recebi a notícia que iria fazer parte do plantel sénior de futebol profissional do S.C. de Espinho!

CR: Na primeira temporada como sénior, e ainda por cima num escalão profissional (Liga de Honra), participar em dez jogos, é um bom registo ...
CL: Sim, foi sem dúvida um bom registo, apesar de até Dezembro não ter sido convocado uma única vez. Houve mudança de técnico em Dezembro e com a chegada de Carlos Garcia, que "só" era, pelo menos até há bem pouco tempo, o técnico com mais jogos de II Liga, e isso diz bem das suas capacidades, comecei a ser convocado, chegando até a ser titular numa partida frente ao Freamunde.

CR: Para 01/02, seguiu-se um empréstimo ao Canelas. No fundo, tratou-se de um regresso à “casa mãe”. Porquê esse ingresso no Canelas? Não contavam consigo em Espinho ou o César preferiu sair, de modo a jogar com regularidade?
CL: No meu segundo ano de sénior houve novamente mudança de treinador, começou a época Norton de Matos à frente do plantel e após me terem subido o ordenado substancialmente e me terem dito que eu seria uma aposta da formação no plantel sénior do S.C. de Espinho, um mês depois de ter iniciado a pré-época, veio o vice-presidente da altura falar comigo (a mesma pessoa que me tinha dito que iria ser uma aposta) e disse-me que afinal o treinador não iria contar muito comigo e que seria melhor para mim ser emprestado para jogar com mais regularidade. Aceitei de imediato, apesar de achar um bocado estranho, mas sabia que se não jogasse começava a ficar para trás, e por isso aceitei o empréstimo ao Canelas. De salientar que nesse ano passaram pelo Espinho mais de sessenta jogadores com contrato, coisa estranha e raríssima num plantel profissional!

CR: Num campeonato super-equilibrado, o Canelas acabou por garantir a manutenção, depois de ter tido um péssimo arranque. Falando em termos pessoais, como lhe correu a temporada?
CL: A temporada a nível pessoal não me correu lá muito bem, pois estive bastante tempo suspenso por um erro que me foi completamente alheio, troca de nomes e números na ficha de jogo, um colega meu com o mesmo nome foi expulso e na ficha de jogo vinha eu com o número dele, no jogo a seguir joguei sem saber que estava alegadamente suspenso e foi aberto um inquérito para averiguar o que realmente se tinha passado sem eu poder jogar entretanto, e foi assim que fiquei alguns meses sem jogar.

CR: A temporada que fez em Canelas, “abriu-lhe” por assim dizer, as portas do Sp. Espinho. Os “Tigres” voltaram a contar consigo, e o César fez uma temporada muito regular, estando presente em 35 dos 38 jogos do Campeonato.
CL: Não foi propriamente a época em Canelas, como se podem aperceber pela resposta anterior, que me abriu as portas de novo no S.C. Espinho, mas sim a aposta de um Senhor, que infelizmente já não se encontra entre nós, o treinador António Jesus, que conhecia o meu valor já desde as camadas jovens e me acolheu de novo no S.C.Espinho. 

CR: Na temporada seguinte, não foi opção com tanta regularidade, mas a verdade é que o Espinho se sagrou Campeão Nacional da II Divisão B. Este foi um dos melhores momentos da sua carreira, suponho…
CL: É verdade, estaria a mentir se não afirmasse que é, sem dúvida, o momento mais alto da minha carreira enquanto profissional de futebol. Ter sido Campeão Nacional da II Divisão B, pelo meu clube do coração, foi especial! 

CR: De um Campeão Nacional, mudou-se para o Canedo, que acabava de chegar pela primeira vez na sua história à III Divisão. A que se deveu esta escolha?
CL: Recebi a proposta de um projecto ambicioso e seguro, de um clube que tinha acabado chegar aos nacionais e decidi abraçar esse projecto, pois agradou-me bastante e pelo grupo que estava a ser formado percebi que esse projecto tinha "pernas para andar". Ás vezes, é preciso dar um passo atrás para dar dois em frente, pensei eu, e de campeão da II Divisão B, "mudei-me" para a terceira e para o Canedo.

CR: O Canedo acabou por fazer uma boa temporada, garantindo a manutenção sem sobressaltos, e o César até foi dos jogadores mais em destaque ao longo da temporada…
CL: É verdade, fizemos uma época excelente, o grupo era maravilhoso e cheio de qualidade, a direcção estava com o plantel, resumindo, foi um ano fantástico!!!

CR: Do Canedo mudou-se para o Estarreja, continuando a jogar na III Divisão. O Estarreja vinha da II Divisão B, e era apontado como um candidato à subida. No entanto acabou por descer ao Distrital. Na sua opinião, o que “falhou” ao longo da temporada?
CL: Penso que o que falhou foi logo de inicio, na escolha do plantel, pois tínhamos um plantel com qualidade, é verdade, mas muito muito jovem e isso revelou-se fatal pois perdemos muitos jogos por ingenuidade fruto da inexperiência do plantel.

CR: Para 06/07, mudou-se de “armas e bagagens” para os Açores, tornando-se reforço do Marítimo da Graciosa. O clube terminou a 1ª Fase no terceiro lugar, e até esteve na luta pela subida de divisão. Ainda assim, o César abandonou o Marítimo, poucos meses antes do fim da temporada. A que se deveu essa saída?
CL: A minha saída do Marítimo da Graciosa no final da primeira fase do campeonato, e deveu-se pura e simplesmente a dificuldades de adaptação à vida local, mas quero deixar bem presente que só me vim embora depois de o objectivo que me foi proposto pelo clube, que era a manutenção, estar garantido!

CR: Nessa temporada, o Marítimo enfrentou o Penafiel para a Taça de Portugal, tendo sído derrotado por 1-0. Embora o Penafiel competisse na Liga de Honra, a sua equipa esteve perto de fazer uma surpresa…
CL: É verdade, fizemos um jogo excelente, foi uma partida de futebol de alto nível tanto da parte de uma equipa como de outra, e o resultado poderia ter "caído em beneficio" de qualquer uma das equipas mas quem marca mais é quem ganha e quem marcou acabou por ser o Penafiel e nós não conseguimos dar a volta mas deixamos uma excelente imagem do clube e da qualidade daquela equipa, que era o Marítimo da Graciosa!

CR: Depois de se “aventurar” nos Açores, regressou a Estarreja, desta vez para competir no Distrital. Quais foram as principais diferenças que notou entre os Campeonatos Nacionais e os Campeonatos Distritais?
CL: Sinceramente, acho que não há assim tanta diferença entre, principalmente a III Divisão e os Distritais, principalmente nos distritais da Associação de Aveiro, onde, a nível global, se deixa jogar mais à bola, ou seja não são tão agressivos dentro de campo, comparativamente aos campeonatos da Associação de Futebol do Porto.

CR:Veio mais uma temporada, e mais uma mudança de clube. Desta feita, regressou ao “seu” concelho, para representar o Arcozelo, que competia na Divisão de Honra da AF Porto. Sentiu alguma diferença entre o futebol apresentado no Distrital de Aveiro e o Distrital do Porto?
CL: Penso que a resposta a esta pergunta, está dada na resposta à pergunta anterior...

CR: Nessa temporada, o César em Dezembro mudou-se para o Perosinho, também de VN Gaia e também a competir na Divisão de Honra. Porque razão mudou de clube a meio da época?
CL: Pura e simplesmente, por opção do treinador, para o qual eu não me encaixava no sistema dele!!!

CR: Curiosamente, voltou ao Arcozelo para 09/10. Desta vez completou a temporada, e ajudou o clube a ser uma das sensações da prova. Ainda assim, o principal problema foram os salários em atraso. Como foi lidar com essa situação? Já havia passado por situações idênticas?
CL: Foi muito complicado, já tinha passado por uma situação idêntica mas nunca tão grave, nós jogadores e equipa técnica estivemos entregues a nós próprios e tudo o que fizemos foi derivado à qualidade do plantel, que era um grupo excelente e equipa técnica, pois não sentíamos apoio de mais ninguém.

CR: Na presente época, o César representa o Grijó, um clube com aspirações de promoção à III Divisão Nacional. Como lhe tem corrido a temporada?
CL: Tem corrido bem, neste momento estamos em segundo lugar, lugar que à partida dá acesso à III Divisão Nacional e foi esse o objectivo a que nos propusemos, logo por isso está a ser uma boa época até ao momento!

CR: A Divisão de Honra da AF Porto 10/11, tem sido um campeonato muito equilibrado, e o Grijó está neste momento, a dez pontos do líder Infesta, quando estão decorridas 21 Jornadas. Acredita que ainda vão chegar ao topo da tabela, e deste modo subirem sem ser “à custa” de desclassificações ou desistências?
CL: Não tem sido assim tão equilibrado, pelo menos para o Infesta que já leva, como referiste dez pontos de vantagem sobre nós que somos o segundo classificado, e só tem uma derrota em 21 jornadas, mas ainda assim, claro que enquanto for matematicamente possível vamos continuar a acreditar que vamos conseguir chegar ao topo da tabela.

CR: Já representou três clubes em Campeonatos Distritais (sem contar com a presente temporada). Em qual deles fez a sua melhor época num Campeonato Distrital?
CL: Penso que em Estarreja, onde estivemos muito perto de subir à III Divisão.
Questões rápidas.
CR: É capaz de eleger um 11 formado por companheiros de equipa? (Actuais ou Passados)
CL: Não...:) Teria que fazer para aí quatro equipas, derivado à qualidade dos imensos jogadores com quem já joguei!

CR: No fim de semana passado, o Grijó quebrou a invencibilidade do Infesta, e o César jogou os 90' minutos. Como foi derrotar uma equipa que chegou à 21ª Jornada sem qualquer derrota?
CL: Teve um sabor especial, não vou negar, por eles ainda não terem perdido mas foram mais três pontos e uma final ganha das quinze que nos faltam jogar!

CR: Em Espinho, foi colega de jogadores como Ali, Jorge Baptista, Sérgio Leite e Mickey. Algum destes ou outro colega, o marcou de uma forma “especial”?
CL: Muitos deles me marcaram de forma especial, mas destes quatro que mencionas, vou destacar o Jorge Baptista e o Mickey pela qualidade e sobretudo Humildade que tinham!

CR: Se pudesse mudar algo do que já construiu ao longo destes anos no futebol, o que seria?
CL: Não mudava nada do que já fiz, no máximo mudaria algo que não tenha feito, mas acima de tudo faço tudo para dormir de consciência tranquila e de bem comigo mesmo!

CR: A sua posição de origem é extremo. Ainda assim, pode actuar como avançado centro. Prefere marcar ou assistir?
CL: Sinceramente, é-me indiferente. Tanto me dá prazer marcar um golo, como fazer uma assistência.

O "Conversas Redondas" agradece a César, o tempo dispendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de César, aqui.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Entrevista a: Bailão


João Fílipe de Oliveira Antunes, conhecido no mundo do futebol por Bailão, nasceu em Arrentela a 2 de Janeiro de 1988.
Aos sete anos já jogava nos escalões de formação do Seixal, transitando depois para o Vitória de Setúbal onde esteve durante dez temporadas.
A sua subida ao escalão sénior coincidiu com a extinção da equipa B vitoriana, e Bailão viu-se "obrigado" a dar seguimento à sua carreira no Palmelense, que na altura competia nos Distritais de Setúbal.
Uma época no Palmelense, foi o "suficiente" para conseguir uma oportunidade nos Nacionais, assinando pelo histórico Fabril do Barreiro (ex CUF).
Apesar de uma boa temporada na III Divisão, o jogador acabou por rumar ao Zambujalense, regressando aos Distritais de Setúbal em 09/10. A meio da temporada, mudou-se para o Alfarim, clube onde ainda se mantém.
A nível internacional, chegou à selecção portuguesa de sub-18, além de ter conquistado vários torneios pela Associação de Setúbal.
É um jogador polivalente, podendo actuar com avançado centro, extremo esquerdo ou...defesa esquerdo!

ConversasRedondas (CR): O Bailão começou a jogar futebol com sete anos no Seixal. A que se deveu este ingresso no “desporto-rei” de forma tão “precoce”?
João Bailão (JB): Eu cresci num meio onde ainda predominava o futebol de rua, na Arrentela, e desde muito pequeno comecei a jogar futebol na rua. Fui para o Seixal influenciado pelo meu pai que foi lá profissional e comecei como federado logo aos sete anos. Naquela altura havia apenas o escalão de Escolas até aos onze anos.


CR: Depois de duas temporadas no Seixal, ingressou no V. Setúbal. Decidiu comparecer aos treinos de captações nos “sadinos” ou estes é que entraram em contacto consigo?
JB: Soube por um amigo que havia captações no Vitória, e o meu pai levou-me lá. O mister Herculano Santos, antiga glória do clube, disse que se recordava de mim do Seixal, e tive a felicidade de ficar logo no final do primeiro treino.

CR: Passou dez temporadas na formação do Vitória, onde foi sempre uma das “estrelas, marcando golos e fazendo várias assistências. O que “falhou” para não ser opção enquanto sénior?
JB: Não era nenhuma estrela, mas foram dez anos maravilhosos, onde fiz cerca de cento e cinquenta golos em jogos oficiais e cheguei a capitão e sub-capitão. Cresci ali, ganhei títulos, disputei fases finais, andei pelo estrangeiro em torneios…Acabei por nunca ter uma oportunidade enquanto sénior no Vitória, apesar de algumas promessas que me foram sendo feitas. Na verdade, penso que o facto de haver equipa B enquanto eu era júnior acabou por me tirar visibilidade a mim e aos meus colegas pois quando nós éramos juniores, quem era chamado para a equipa principal eram os jogadores que se destacavam da equipa B e não os dos juniores.


CR: O desaparecimento da equipa B, foi um dos motivos que o levaram a terminar o vínculo com o Setúbal?
JB: Depois, quando eu precisava que houvesse equipa B, ela acabou. Ou seja houve equipa B de seniores nos dois anos em que eu fui júnior e acabou no ano em que subi a sénior. É como se tivessem colocado mais um "degrau" quando eu era júnior e quando subi a sénior precisava desse "degrau" e tiraram-no. Foi-me dito por responsáveis do clube na altura, que ainda não se sabia se iria continuar a existir equipa B, mas que se houvesse eu ficaria lá. Mas acabou mesmo, reuniram-se então comigo, disseram que tinham óptimos relatórios dos meus treinadores mas que não iam ficar comigo e que o Vitória não tinha capacidade para assinar com jogadores e empresta-los. Agradeceram os dez anos lá passados e desejaram-me sorte.

CR: De nada terá valido o facto de se ter treinado com a equipa B, chegando mesmo a ser convocado para alguns jogos da equipa que disputava a III Divisão Nacional...
JB: Na primeira época de júnior treinei-me várias vezes pela equipa B, e na época seguinte fui convocado. Nem o facto de ter chegado à selecção nacional de sub-18 ou título nacional de inter-associações valeram de nada. Da minha equipa de Juniores acabou por ficar apenas o Luís Portela, que era internacional mas que acabaram por dispensa-lo também seis meses depois. Enfim.

CR: Depois de terminado o ciclo no Vitória, rumou ao Palmelense, equipa que disputava a I Divisão Distrital de Setúbal. Porquê esta opção? Recebeu convites de clubes que disputavam os Nacionais?
JB: Assim que saí do Vitória tive a possibilidade de ir para uma equipa dos Açores, para a II Divisão B. Mas havia também a possibilidade de fazer a pré-época no Pinhalnovense, como estava na faculdade em Setúbal e tinha parado no meu último ano de Júnior não quis ir para os Açores e arrisquei no Pinhalnovense. Estive várias semanas com eles, correu-me muito bem, fiz vários jogos, inclusive a titular, e até contra equipas da I Liga. Segundo o que me foi dito, o mister António Pereira, actualmente no Atlético, quis ficar comigo mas a direcção não quis. Houve ali uns dias de impasse. Enfim, acabei por não perceber bem o que se passou. Acontece que já estávamos a meio de Agosto e todos os plantéis dos Nacionais estavam fechados, recebi aí alguns convites dos distritais e acabei por ir para Palmela, onde estava o Mister Paulo Cardoso que tinha sido meu treinador na Selecção de Setúbal.

CR: Para um jogador que estava habituado a disputar os campeonatos nacionais nas camadas jovens, quais foram as primeiras dificuldades encontradas na Distrital, tendo em conta que era o escalão sénior?
JB: As condições de treino eram óptimas, era um futebol muito mais físico e os jogadores muito mais experientes e fortes fisicamente. Tinha um grupo de jogadores já com alguns anos de distrital e surpreendeu-me o facto de haver tanta qualidade ali. No fundo, o que muda é a mentalidade, a forma como se encaram os treinos e vida futebolística em si. As expectativas, as prioridades...

CR: O facto de disputar um campeonato distrital, e de a partida ter menos “visibilidade” em relação aos Nacionais, não o desmotivou?
JB: Confesso que foi um choque para mim na altura. Não foi fácil em poucos meses passar da expectativa de jogar na I Liga para jogar no Distrital. Fiquei desmotivado, claro. Muito. Sobretudo na primeira metade da época. Em Dezembro era para ter saído para o GD Fabril, e a partir daí as coisas mudaram, foi o "clique" que eu precisava.

CR: O Palmelense segurou a manutenção, e o Bailão participou em grande parte dos jogos realizados pelo clube. Deu-se bem na sua primeira temporada como sénior?
JB: Felizmente tive um treinador que sempre acreditou em mim, fiz todos os jogos em que estive disponível e quase todos enquanto titular. Marquei dois golos. Foi uma temporada muito importante pela experiência que adquiri com os jogos e com os jogadores mais velhos, que já tinham passado por escalões acima e com muitos anos de sénior, Bruno Pombo, Rui Carvalho, entre outros. Percebi que o futebol sénior era bem diferente do que estava habituado até aí.

CR: As exibições que realizou, abriram-lhe as portas dos Nacionais, neste caso de um histórico: Fabril (ex CUF). Vestir a camisola verde e branca, ainda tem uma responsabilidade acrescida?
JB: Na verdade tem, é um clube bem diferente de todos os outros, com características muito próprias. Já para não falar das condições de trabalho que o clube oferece, ao nível da I Liga.

CR: Não começou a época como titular, mas aos poucos foi tendo as suas oportunidades. Sentiu dificuldades para se adaptar a uma competição sénior a nível nacional?
JB: A equipa era muito forte, tinha muitos bons jogadores e comecei por não jogar. Fui muito ajudado por alguns jogadores que foram importantes para alavancar a minha confiança, jogadores mais experientes como o Fusco, o David Martins que era capitão, e outros. Aos poucos fui ganhando o meu espaço, a partir do momento em que comecei a jogar, joguei sempre. Fiz vinte e tal jogos durante a temporada.

CR: Depois da estreia em campeonatos nacionais, esperava continuar no mesmo escalão na temporada 2008/2009?
JB: A época correu-me bem a nível individual. Infelizmente, houve muita turbulência à volta da equipa, muitos jogadores dispensados durante a época, cinco treinadores, entre eles o próprio presidente. Apesar disso, fui opção com todos eles. Esperava continuar. Como não continuei no GD Fabril, e terminada que estava a minha licenciatura, decidi ir tirar o Mestrado em Marketing Desportivo, cujas aulas eram às Sextas à noite. O facto de não treinar à Sexta foi impeditivo para clubes maior nomeada. Fui para o Zambujalense, onde fui muito bem recebido por todos.

CR: Regressou aos Distritais de Setúbal, desta feita para representar o Zambujalense. Em relação à temporada 2007/2008, quais foram as diferenças que encontrou entre ambos os campeonatos?
JB: Não encontrei grandes diferenças, as equipas pareceram-me um pouco mais fortes do que dois anos antes. Talvez o campeonato me tenha parecido mais competitivo.


CR: A meio da temporada, deixou o Zambujalense para reforçar o Alfarim. A que se deveu esta mudança?
JB: Por salários em atraso. Nem um mês cheguei a receber desde Agosto até Dezembro. Infelizmente é uma situação cada vez mais comum sobretudo no futebol amador.


CR: No Alfarim, fez mais dois jogos dos que havia feito no Zambujal, mas ainda assim marcou menos um golo. O clube alcançou o 6º lugar, fazendo assim um campeonato tranquilo. Era este o objectivo dos responsáveis?
JB: Mudei-me à 14ª jornada, e sai do 5º classificado para o penúltimo. Encontrei uma equipa com uma qualidade muito acima da média para o distrital, que não coincidia com a classificação, mas em baixo psicologicamente. Tive a felicidade de ser opção desde o princípio. Houve mudança de treinador passados dois jogos e a equipa despertou, fizemos uma segunda volta brilhante e acabámos no topo da tabela.


CR: Para a presente temporada, o Bailão renovou com o Alfarim. Como lhe está a correr a temporada?
JB: Felizmente, está a correr bem. Fiz todos os jogos até agora, marquei dois golos e fiz várias assistências. Penso que está a ser muito positiva.


CR: O Alfarim ocupa o 3º lugar com 26 pontos, estando a quatro do líder, Vasco da Gama. Os objectivos do clube, passam pela subida de divisão?
JB: Tenho a noção de que somos um 'outsider', não pela equipa mas pelo peso que o clube tem. Começamos a incomodar muita gente. Não perdemos à nove jornadas, somos o melhor ataque, e na próxima jornada recebemos o Vasco da Gama. Há duas jornadas atrás travámos o, até então, líder Olímpico do Montijo, empatámos 0-0 e eles festejaram o empate no fim tal foi o sufoco. Falta-me ver jogar o Vasco da Gama jogar e, até agora, não vi nenhuma equipa praticar melhor futebol que a nossa, por isso temos que ambicionar o 1º lugar.


CR: E apesar da época estar a meio, quais os objectivos do Bailão, para o que resta da temporada?
JB: Espero continuar a ser sempre opção, e a ver se faço mais uns golinhos. Vamos pensar jogo a jogo e acreditar que depois de mostrar o nosso valor e ganhar cada um deles podemos chegar ao fim e surpreender.


CR: Pode a jogar a defesa esquerdo, extremo esquerdo e ponta de lança. Em que posição se sente melhor dentro de campo?
JB: Onde tenho mais prazer é a jogar como avançado, mas tenho noção que onde rendo mais é atrás do avançado ou a médio esquerdo.


CR: Cumpre a terceira temporada nos Distritais de Setúbal. Se tivesse que recomendar algum jogador  do seu campeonato, a um clube dos campeonatos profissionais, quem seria?
JB: Há por aí muito bom jogador no distrital, mas um jogador não recomendo, recomendo uma equipa, o Alfarim. Temos muitos jogadores que foram formados em clubes da I Liga, incluindo Benfica e Sporting. Três de nós já passámos pelas selecções jovens, temos muitos jogadores ainda muito novos que já estiveram na II Divisão B e III Divisão. Venham ver-nos jogar e avaliem. Não tenho dúvidas de que muitos colegas meus singravam duas ou três divisões acima.
Questões Rápidas.

CR: João Fílipe de Oliveira Antunes. Como surgiu o nome Bailão?
JB: Vem do meu bisavô. Supostamente era muito parecido a jogar futebol com um tal “Bailão” que era jogador profissional da altura. O meu avô, que foi uma grande figura do distrito nos anos 50, ficou também com o nome, depois o meu pai, que foi profissional durante doze anos, e agora eu.

CR: Na formação do Vitória, foi colega de jogadores como Besugo, Luís Portela, Moisés ou Paulo Regula. Tirando o último, acredita que os outros jogadores que mencionei poderiam ter tido o mesmo sucesso do colega na principal equipa “sadina”?
JB: Podiam claro. Com o Paulo Regula tiveram a paciência que não tiveram com os outros.

CR: Qual é a sua opinião acerca da actualidade do futebol português?
JB: Custa-me ver onzes iniciais de equipas medianas da I Liga com um ou dois portugueses, custa-me ver os plantéis dessas equipas com meia dúzia de portugueses, custa-me ver convocatórias de selecções jovens com muito pouco por onde escolher pois não há falta de qualidade mas sim de quantidade em divisões profissionais. Se calhar vamos deixar de ter futebol português e passamos a ter simplesmente o futebol dos clubes de cá.

CR: Passou dez épocas no Vitória de Setúbal. O Vitória FC é o seu clube de coração?
JB: Sou benfiquista, no entanto passei a ser vitoriano também e sou sócio do Vitória. Não poucas vezes torci pelo Vitória contra o Benfica. É um grande clube e foram muitos anos ali, muitos laços e recordações vêm dali. Era impossível não se ter tornado um clube do meu coração.

CR: É capaz de eleger um "onze" formado por companheiros de equipa? (Actuais ou passados)
JB: É  complicado eleger apenas onze. Mas aqui vai:
Guarda-Redes: José Carlos. Seguro e experiente. Jogámos juntos no GD Fabril, está agora no Barreirense.
Defesa Central: Jojó. Colega no Vitória, Palmelense e nas selecções de Setúbal. Polivalente muito inteligente, joga  no Alcochetense.
Defesa Central: João Meira. Jogámos juntos no Vitória e na Selecção de Setúbal, está no Atlético, é muito forte mentalmente. Chegará à I Liga.
Defesa Central: Tiago Dias. Capitão do GD Alfarim, jogou nas camadas jovens do Benfica e do Vitória. Um talento a quem futebol não deu o devido valor e oportunidade.
Médio: David Martins. Era capitão do GD Fabril e fomos colegas também no Zambujalense, um verdadeiro líder. (Jogador do Barreirense)
Médio: Luís Carlos. Um ambidestro muito lutador. Meu colega no Alfarim, jogou comigo nos Juvenis e nos Juniores do Vitória, merecia uma oportunidade noutro escalão.
Médio: Bruno Cruz. O melhor jogador com quem joguei até hoje. Vi-o fazer coisas inimagináveis, é um médio centro por quem se paga para ver jogar. Fazia uma "perninha" em qualquer equipa da I Liga. (Jogador do GD Fabril)
Médio: André Martins. Tem um pé esquerdo de ouro, jogámos juntos no Vitória, fomos campeões nacionais pela Selecção de Setúbal e fomos à selecção nacional. Jogávamos de olhos fechados. (Jogador do Palmelense) 

Médio: João Nuno. Fortíssimo no último passe e bolas paradas, joga actualmente no Barreirense.
Avançado: Rui Capitão-Mor. Um "matador", jogámos juntos no GD Fabril e na Selecção de Setúbal.
Avançado: Zequinha. Jogámos juntos no Vitória. Um fenómeno a quem ninguém ficava indiferente, uma verdadeira força da natureza. Foi agora emprestado pelo Olhanense ao Fátima.

Ah e tem que haver aqui um treinador: Francisco Silva. Foi meu treinador dois anos nos juvenis e chamou-me a treinos e jogos quando ainda era iniciado. Foi uma pessoa muito importante na minha evolução como jogador e como homem.

O "Conversas Redondas" agradece a Bailão, o tempo despendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Bailão, aqui.