terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Recordar: Sp. Espinho 1996/1997

No palmarés do Sporting Clube de Espinho constam onze presenças na I Divisão, a última das quais na temporada 96/97, onde os espinhenses obteram o 16º lugar entre dezoito equipas, somando trinta e três pontos.
Na temporada anterior, os "Tigres" haviam-se classificado na terceira posição da Liga de Honra, atrás de Rio Ave e V. Setúbal e para 96/97, o reforço do plantel foi grande, registando-se apenas doze permanências em relação à temporada anterior.
Entre as permanências, os destaques iam para o guardião Luís Manuel, já com muitos anos de I Divisão, ao serviço de Farense e Braga; Paulo Pires e Carvalhal, dois defesas muito experientes e igualmente já com várias épocas de I Divisão; e Besirovic, médio bósnio que já havia mostrado qualidades ao serviço de Académica e Ac. Viseu.
Entre os reforços destacavam-se Milton Mendes e Sérgio Lavos, ambos ex U. Madeira; Soeiro, defesa central ex V. Guimarães; Caetano, extremo ex Tirsense; Lino, defesa esquerdo ex Braga, e Luís Miguel, defesa direito ex Campomaiorense.
No comando técnico estava o "estreante" Zinho, que além de ter representado o Sp. Espinho como jogador, representou ainda clubes como Sp. Braga, Sporting e Racing de Santander.
O campeonato não começou com um jogo fácil: os espinhenses recebiam o Sporting, no Estádio Prof. Dr. Vieira de Carvalho, na Maia (casa emprestada), e Pedrosa abriu o activo para os leões aos 24', mas Besirovic empatou aos 36'. Vidigal antes do intervalo e Hadji, no segundo tempo, assinaram a primeira derrota do Espinho no campeonato: 1-3.
Na jornada dois, os espinhenses tinham um visita complicada ao Bessa, a casa do Boavista, mas não se deixaram intimidar: Artur Jorge, de penalti, aos 44', e Milton Mendes, em cima dos 90', fizeram os golos da vitória do Espinho na cidade do Porto, por 2-0.
O Sp. Espinho daria então início a um ciclo espectacular de seis jogos sem perder, onde somou quatro vitórias, incluindo a vitória do Bessa.
Depois de uma deslocação difícil à cidade do Porto, os espinhenses tiveram nova saída complicada, mas voltaram a darem-se bem: empate em Belém a zero.
Na jornada seguinte, e na recepção ao Farense, Lino apontou o único golo da partida aos 38', e deu a vitória ao Espinho sobre os "Leões de Faro" que ocupavam a liderança juntamente com mais quatro equipas.
O campeonato não se adivinhava fácil, mas o Espinho estava determinado em fazer "boa figura", e na deslocação ao terreno do Rio Ave, na jornada cinco, os espinhenses bateram os homens de Vila do Conde por claros 3-0, com golos de Besirovic, Milton Mendes e Caetano.
Seguiram-se mais dois jogos com resultados positivos: na jornada seis, vitória caseira por 1-0 sobre o Marítimo; e na jornada sete, empate na deslocação ao terreno do Leça.
E, à jornada oito, eis que apareceu o campeão em título, FC Porto, para quebrar a boa sequência de jogos que os espinhenses vinham fazendo. Na Maia (uma vez mais, as questões de bilheteira a falarem mais alto), o FC Porto "cilindrou" por completo o Espinho, ao vencer por 0-5.
Apesar da goleada, o Espinho mantinha a quinta posição em igualdade pontual com o Farense.
A jornada seguinte indicava, mais uma vez, enormes dificuldades para os espinhenses: era "dia" de ir a Guimarães, mas ainda assim, foi o Espinho a primeira equipa a marcar: Artur Jorge Vicente inaugurou o marcador aos 34'. Na resposta, Capucho empatou o jogo aos 41'; mas aos 44' Carlos Pedro colocou novamente o Espinho em vantagem.
O Vitória a jogar em casa, entrou determinado na segunda parte, e aos 52' Ricardo Lopes empatou o jogo a duas bolas. No entanto, as "gentes do mar" nunca desistem, e no período de compensação o Espinho fez dois golos, resolvendo o jogo. Vitória por 4-2, e os "Tigres" subiam de forma isolada, à quarta posição do campeonato.
Veio a pausa para o campeonato, e para que se pudesse realizar a 4ª Eliminatória da Taça, com os espinhenses a receberem o Sp. Lamego da II Divisão B, e a vencerem por 1-0.
O campeonato regressou, e o Espinho somou duas derrotas consecutivas: a primeira na Maia (casa emprestada, uma vez mais) frente ao Benfica por 3-0; a segunda em Braga, frente ao Sporting local por 2-1.
Seguiu-se a 12ª Jornada, e mais uma vitória caseira, desta vez sobre o penúltimo Gil Vicente, por 1-0, com golo de Filó aos 14' minutos.
Veio nova eliminatória da Taça, com o Espinho a empatar em Sandim, frente aos Dragões Sandinenses da III Divisão, a um golo.
De volta ao campeonato, os espinhenses averbaram mais duas vitórias: a primeira em Setúbal, deixando para trás na classificação os sadinos; a segunda em casa frente à U. Leiria por 1-0.
Faltavam três jornadas para o fim da primeira volta, e o Espinho era quarto classificado, a apenas um ponto do 3º, Sporting.
Nos jogos que faltavam para se completar a primeira "fase" do campeonato, o Espinho averbou apenas um ponto em nove possíveis.
À derrota em Chaves na jornada quinze, seguiu-se um empate caseiro com o Salgueiros a um, encerrando a primeira volta com uma derrota na Amadora, frente ao Estrela, por 2-0.
Ao fim de dezassete jogos, o Espinho era 4º classificado com vinte e sete pontos somados, a seis do 3º classificado, Benfica.
Pelo meio, a equipa já havia sido eliminada da Taça, após perder em casa no jogo de desempate da 5ª Eliminatória, com os Dragões Sandinenses, da III Divisão, por 1-0.
A equipa foi reforçada com a chegada do médio húngaro Peter Lipcsei, por empréstimo do FC Porto, e com o também médio Delgado, ex Portimonense.
O início da segunda volta não seria fácil, uma vez que o Espinho deslocar-se-ia ao terreno do Sporting. Os "Leões" não estiveram com "meias medidas" e cilindraram os "Tigres" por 4-0.
Seguiu-se um empate caseiro na recepção ao Boavista, onde os golos meteram "folga".
A partir daqui, o Espinho entrou num péssimo momento de forma, estando onze jornadas consecutivas (!) sem pontuar. Onze derrotas, seis em casa, cinco fora.
Belenenses (casa, 1-0); Farense (fora, 2-1); Rio Ave (casa, 2-1); Marítimo (fora, 1-0); Leça (casa, 2-0); FC Porto (fora, 3-0); V. Guimarães (casa, 4-1); Benfica (fora, 2-0); Sp. Braga (casa, 1-0); Gil Vicente (fora, 1-0) e V. Setúbal (casa, 3-0), foram as equipas que derrotaram o Sp. Espinho entre as Jornadas 20 e 30.
Estes péssimos resultados, fizeram com que houvesse mexidas no comando técnico. Zinho saiu e para o seu lugar entrou Edmundo Duarte, que havia eliminado os espinhenses da Taça, ao serviço dos Dragões Sandinenses. Faltavam quatro jornadas e esta contratação fazia já parte do planeamento da temporada seguinte.
Apesar de onze desaires consecutivos, só no último, é que os espinhenses passaram para a "linha-de-água". Dos quatro adversários que "faltavam", apenas um deles era adversário directo do Sp. Espinho na luta pela manutenção: era a União de Leiria, que somava 26 pontos em 30 jornadas, menos dois que os "Tigres" e menos quatro o Rio Ave, a primeira equipa acima da "linha-de-água".
Na Jornada 31 em Leiria, o Sp. Espinho não foi além de um empate a dois golos, na estreia de Edmundo Duarte. O Rio Ave havia empatado em Barcelos, diante do Gil, e os espinhenses desperdiçaram grande oportunidade para voltarem a "respirar". Curiosamente, esta jornada ficou marcada pelos confrontos entre os últimos quatro classificados.
Na jornada seguinte, o Espinho recebia o 8º classificado, D. Chaves, enquanto o Rio Ave recebia o V. Setúbal, que ocupava a 13ª posição, mas estava longe de perigo. Até ver, claro.
O Espinho esteve em desvantagem, mas acabou por empatar por intermédio de Besirovic; enquanto um golo de Dibo deu a vitória ao Rio Ave sobre os "sadinos".
Com estes resultados, o Sp. Espinho estava já a quatro pontos da zona de permanência, e estava assim "obrigado" a vencer em Vidal Pinheiro, o Salgueiros.
O Salgueiros era 6º, e estava a "apenas" três pontos de um lugar europeu. O Espinho acabou goleado por 5-0, e acabou assim despromovido automaticamente, apesar do Rio Ave ter sido derrotado em Leiria.
Na última jornada e já com tudo decidido, os "Tigres" soltaram-se e venceram "finalmente" um jogo na Liga, ao derrotarem o Estrela da Amadora por 2-1, acabando assim o campeonato na 16ª posição com trinta e três pontos somados.
Zinho orientou a equipa entre as jornadas um e trinta; enquanto Edmundo Duarte acabou o campeonato, orientando os últimos quatro jogos.
O técnico brasileiro demorou algumas jornadas até assentar a mesma táctica: na 1ª jornada diante do Sporting, utilizou o 4-5-1; no Bessa jogou em 4-4-2 losango; e em Belém voltou ao 4-5-1.
Depois, optou e bem por fixar a equipa em 4-3-3 , e os resultados começaram a aparecer. Na segunda volta, e quando as coisas começaram a correr mal, Zinho chegou a optar pelo 4-4-2 clássico e por vezes, até pelo 5-3-2.
Com a chegada de Edmundo Duarte, a equipa apresentou-se em Leiria num 3-4-3, mudando ao intervalo para 4-3-3, com o Espinho rapidamente a dar a volta ao marcador (ao intervalo perdia 1-0).
Nos três jogos seguintes, Edmundo Duarte optou por colocar a equipa a jogar num 4-3-3 clássico, com um trinco e dois interiores; e dois extremos bem abertos no auxílio ao ponta de lança.
Incrível como aquele que chegou a ser o clube "sensação" da Liga 96/97, acabou despromovido, graças a uma segunda volta terrível, onde averbou treze derrotas em dezassete jogos.
Relembre os jogadores que envergaram a camisola do SC Espinho em 1996/97 (números apenas relativos ao Campeonato):

Luís Manuel (Guarda-Redes - 31 Jogos); Dagoberto (Guarda-Redes - 4 Jogos); Nuno Anselmo (Guarda-Redes - 0 Jogos); Sandro (Defesa - 6 Jogos); Luís Miguel (Defesa Direito - 28 Jogos); Paulo Pires (Defesa Direito - 12 Jogos); Lino (Defesa Esquerdo - 31 Jogos, 1 Golo); Duka (Defesa Central - 15 Jogos, 1 Golo); Sérgio Lavos (Defesa Direito/Extremo Direito - 28 Jogos, 2 Golos); Carvalhal (Defesa Central - 14 Jogos); Filó (Defesa Central - 25 Jogos,  1 Golo); Soeiro (Defesa Central - 27 Jogos); Pedro (Trinco - 21 Jogos, 1 Golo); Joilton (Médio - 2 Jogos, 1 Golo); Lipcsei (Médio - 5 Jogos); Márcio Luís (Médio - 29 Jogos); Milton Mendes (Defesa Direito/Médio - 12 Jogos/2 Golos); Eduardo (Médio - 2 Jogos); Carlos Pedro (Médio - 17 Jogos, 2 Golos); Rochinha (Médio - 5 Jogos); Delgado (Médio - 4 Jogos); Besirovic (Médio - 32 Jogos, 4 Golos); Caetano (Extremo - 19 Jogos, 2 Golos); Bolinhas (Avançado - 27 Jogos, 2 Golos); Artur Jorge (Ponta de Lança - 31 Jogos, 5 Golos); Hélder Gomes (Ponta de Lança - 2 Jogos); Artur Jorge Vicente (Ponta de Lança - 30 Jogos, 3 Golos); Lopes (Avançado - 4 Jogos);

Nota: fotos retiradas do blog "Glórias do Passado" e do site "Futegrafia.com"

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