quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Selecção: Fim da era Queiroz

Depois de tanta guerra, entre várias entidades do desporto nacional e Carlos Queiroz, e já depois de todos defenderem que o melhor era o técnico ser afastado do cargo de seleccionador, eis que a notícia se torna oficial: Carlos Queiroz foi demitido.
Num comunicado lido há cerca de uma hora atrás, Gilberto Madaíl dá conta do despedimento do técnico, e informou ainda que os dirigentes irão procurar agora um susbtituto e que serão marcadas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.
Arrisco-me a dizer que o substituto de Queiroz, será o espanhol Luis Aragonés, apesar de outros nomes como os de Paulo Bento e Manuel Cajuda, já terem vindo "à baila".
Eis algumas das palavras ditas pelo presidente da FPF, Gilberto Madaíl:

"No dia 14 anunciámos que se cumpriram dois dos objectivos, que foram a qualificação para a fase final e o apuramento para a fase a eliminar. Dissemos que o resultado fica aquém do que esperávamos, mas ficaram cumpridos estes objectivos. Depois da análise foi decidido resolver o contrato de serviços com Queiroz de forma imediata."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entrevista a: Diogo Fonseca

Aos 25 anos, Diogo Fonseca, tem já um currículo de fazer inveja a muita gente. Santa Clara, V. Setúbal, Mallorca e mais recentemente Boavista, são alguns dos clubes que o ponta de lança açoriano já representou.
Formado nas camadas jovens do U. Micaelense e do Santa Clara, chegou ao primeiro escalão ainda com idade júnior, estando em foco nas suas duas primeiras aparições entre os "grandes".
Depois de algum "desaproveitamento" por parte do Santa Clara, rumou ao Setúbal, onde disputou a final da Taça de Portugal em 2006 e a Supertaça meses depois, ambos troféus perdidos para o FC Porto.
Seguiu-se, depois, um empréstimo ao Operário, e a mudança para Espanha em 07/08. Por terras de "nuestros hermanos" representou a equipa B do Mallorca e ainda o Granada, regressando a Portugal na temporada anterior, para representar o Boavista.
Depois de ser o melhor marcador dos axadrezados, rumou ao Feirense, da Liga Orangina.
Em entrevista exclusiva ao "Conversas Redondas", Fonseca mantém a esperança de chegar à Selecção principal e lamenta ainda o facto dos açorianos não acreditarem nos seus jogadores.
É ponta de lança.

Conversas Redondas (CR): Mudou-se das camadas jovens do U. Micaelense para o Santa Clara em 1999. Sentiu a mudança de um clube teoricamente mais pequeno, para um clube que começava a dar os primeiros passos na I Divisão Nacional?
Diogo Fonseca (DF): Não muito, porque era algo que já queria há algum tempo. Isto é, mudar-me para um clube onde pudesse ter uma hipótese de no futuro, seguir no futebol profissional.

CR: O Fonseca não defradou as expectativas de quem havia apostado em si, e ainda com idade Júnior, foi lançado na equipa sénior, que competia na SuperLiga. Recorda-se do jogo da sua estreia no primeiro escalão, frente ao Gil Vicente?
DF: Sim, tenho boas recordações desse jogo. Entrei em campo faltavam 15 minutos, e entrei bem, já que fiz a assistência para o golo do Bruno Ribeiro. Festejei, como se tivesse sido eu a marcar.

CR: Depois da estreia na 22ª Jornada, veio o golo na jornada seguinte, frente ao V. Guimarães. Como se sentiu depois de marcar o seu primeiro golo na I Divisão, é, ainda por cima, um golo que valeu três pontos?
DF: Não poderia ter tido melhor estreia em casa, na minha própria terra. Quando entrei em campo, senti logo a esperança e a ilusão que a massa adepta santaclarense tinha em mim. Foram momentos muito bonitos.

CR: O Santa Clara acabou por não conseguir evitar a despromoção no final da temporada, mas o Fonseca permaneceu no clube para 03/04. Não teve convites de clubes da I Divisão? 
DF: Na altura, estava a começar a ser convocado para a Selecção Sub-19, e estava a par do interesse de alguns clubes da Primeira Liga. Porém, o Santa Clara não permitiu a saída, afirmando que era uma aposta do futuro, coisa que nunca entendi, visto que joguei muito pouco nas temporadas seguintes.

CR: Seguiram-se duas temporadas pelo Santa Clara na Liga de Honra, com poucas oportunidades para jogar, e, claro, poucos golos. Na sua opinião, o que "falhou" para não ter jogado com a regularidade que pretendia, especialmente na segunda temporada? 
DF: Como disse, nunca percebi o porquê. Mas sempre trabalhei no máximo e ninguém me pôde apontar nada. O meu ciclo no Santa Clara acabou no final do contrato, e não fui contactado pelo clube, nem para me dizerem que tinha sido dispensado. Para trás, tive o previlégio de trabalhar com Homens como Carlos Alberto Silva, Ricardo Formosinho, Francisco Agatão e Manuel Fernandes, estes dois últimos talvez os treinadores que mais me marcaram até à data. Manuel Fernandes, porque assumiu a minha promoção dos Júniores para os Seniores, e porque foi um enorme prazer ser treinado por um dos melhores pontas de lança da história do futebol português. Francisco Agatão, porque sempre confiou em mim e nas minhas qualidades. Se um dia vier a ganhar algum troféu como jogador, ele sem dúvida, teve muita influência nisso.

CR: Na temporada 05/06 mudou-se para o V. Setúbal. O Vitória era o detentor da Taça de Portugal e ia participar nas competições europeias. Estes dois factores, além do clube histórico que é o V. Setúbal, e ainda o facto de poder voltar a jogar na I Divisão, tornaram mais fácil a aceitação do convite? 
DF: Cheguei pela mão de Ricardo Formosinho à equipa B do Vitória, muito por culpa de ter saído do Santa Clara pela "porta pequena". Mas, o meu pensamento sempre esteve em chegar o mais rápido à equipa principal. Foi algo que sempre quis. Saí dos Açores, porque me apercebi cedo que quem menos acreditava no meu valor, eram as pessoas da minha própria terra. Sempre foi assim, e sempre será até que surja alguém, que decida dar um pontapé no cepticismo em relação ao jogador açoriano.

CR: Apesar de não ter jogado na Europa, e de não ter marcado qualquer golo na SuperLiga, foi seu o golo que permitiu ao Setúbal vencer em Fafe, na 4ª Eliminatória da Taça de Portugal. Como foi marcar um golo que acabou por ser decisivo para o futuro do Vitória na Taça? 
DF: Foi bom poder contribuir para que o Vitória nesse ano, chegasse outra vez ao Jamor. Se calhar, gostaria de ter ajudado mais o clube noutras frentes, mas na realidade, não era dos jogadores mais utilizados.

CR: Nessa mesma edição da Taça, o Fonseca participou em mais três jogos. Se bem que um deles é inesquecível. Falo do jogo da final frente ao FC Porto, em que o Fonseca "saltou" do banco aos 81'. Pisar o Jamor, num jogo daqueles, e logo frente ao recém-Campeão é, presumo, uma enorme emoção e alegria.
DF: Foi um sonho tornado realidade. São emoções e sentimentos que me vão acompanhar para o resto da vida. Infelizmente, não ganhamos porque tivemos uma grande equipa pela frente. Mas como sou ambicioso, espero um dia voltar a pisar aquele palco.

CR: Pelo meio, foi presença assídua nos jogos da equipa B do Vitória na II Divisão B, onde conseguiu marcar cinco golos, incluíndo um "bis" ao Imortal. O Vitória apesar de utilizar vários jogadores da equipa principal, acabou por descer à III Divisão. Na sua opinião, porque razão o Setúbal B desceu de divisão, se utilizava semanalmente vários jogadores da "primeira" equipa? Esses jogadores vinham desmoralizados por terem de jogar na II Divisão B? 
DF: Acredito que talvez houvesse um pouco de desmoralização em alguns jogadores, mas sei que nunca houve falta de profissionalismo. Também é preciso lembrar que nessa altura, o Vitória tinha muitos problemas financeiros e estava em falta em vários meses para com os jogadores. Também a falta de entrosamento entre os jogadores, pode ter sido um factor desmoralizante. Acredito que se fosse hoje, noutras circunstâncias, o Setúbal B nunca teria descido de divisão, visto que só no último jogo se confirmou a descida.
CR: Continuou no Setúbal para 06/07, mas desta vez foi muito pouco utilizado. Apenas três jogos como suplente utilizado no primeiro escalão. Em Janeiro, optou por sair para o Operário dos Açores, de forma a poder jogar com mais regularidade, ficando ao mesmo tempo, mais perto de casa.
DF: Sim. Passava por uma situação económica dramática e decidi reorganizar a minha vida por seis meses, ao pé da minha família. Aí, entra em cena o "Mister" Agatão, que praticamente me ressuscitou para o futebol e recuperou a minha alegria de jogar futebol. Adorei todos os momentos naquele clube, e encontrei um dos melhores balneários (Miguel Lopes por exemplo, estava no Operário) onde já estive. Estou profundamente agradecido, a todas as pessoas que lá estavam porque foram as ÚNICAS na ilha, que acreditaram que o Fonseca não ficaria por ali.

CR: Depois de passagens intercaladas pela I Divisão e pela II Divisão B, assinou pelo Mallorca de Espanha. Como surgiu essa hipótese de assinar contrato com um clube muito prestigiado em Espanha? 
DF: Foi através do empresário que me representava naquela altura. Já antes de ingressar no Operário, soube do interesse, mas não passou disso. No final da época, depois de me conformar que teria de ficar outro ano na ilha, surgiu essa oportunidade, e claro que não a poderia desperdiçar.

CR: Acabou por passar a temporada na equipa B do Mallorca, onde deu nas vistas, ao apontar 18 golos em 28 jogos. Mesmo assim, não jogou pela equipa principal. Alguma vez lhe explicaram o porquê de não ser aposta? 
DF: Não, nunca percebi. Ainda hoje, vejo muitos dos meus colegas da altura, que jogam e estão sendo aposta na presente temporada na equipa principal do Mallorca, e acredito que se tivesse tido uma oportunidade, talvez o meu trajecto actual seria outro. Às vezes, no futebol, joga-se muito mais fora de campo, e fuí vítima dos interesses dos bastidores. Mas, a minha personalidade não me permite ficar a "chorar" e ser coitadinho. Nunca desistirei. Sei que sou o orgulho da minha família e amigos, e isso é o mais importante para mim.

CR: A boa temporada ao serviço do Mallorca, abriu-lhe novas "portas" no futebol espanhol, e para 08/09, assinou com o Granada, da II Divisão B espanhola. No entanto, marcou poucos golos, saíndo no final da temporada. Que balanço faz da sua passagem pelo futebol espanhol? 
DF: Vivi muitas experiências. Positivas e negativas, naturalmente. Ajudou-me a crescer como Homem e como jogador. No primeiro ano em Mallorca, cresci muito como jogador; no segundo ano, em Granada, cresci muito como Homem.

CR: Depois de dois anos em Espanha, regressou a Portugal, e logo para um clube com grandes pergaminhos no nosso futebol. Como surgiu a hipótese de jogar no Boavista?
DF: Já depois de ter travado uma dura batalha com o Mallorca, para chegar a um acordo para a rescisão do meu contrato, fechado o mercado de transferências, recebi uma chamada do Sr. Barbosa (antigo director-desportivo do Boavista) e decidi que não tinha nada a perder, apesar de muita gente me aconselhar a não ir para o Boavista, devido aos problemas do clube. Não me arrependi em nada.

CR: Quando chegou ao clube, a situação era tão "caótica" como as pessoas falavam ou o Boavista dava claros sinais de melhorias ?
DF: Realmente, a situação era difícil, mas com a união do grupo de trabalho e o esforço que as pessoas na parte directiva, fizeram para que o clube pudesse ser inscrito, foi uma boa base para a temporada difícil e sofrida que viemos a ter. Só com um grupo forte, foi possível alcançarmos a manutenção.

CR: Alheio aos problemas do Boavista fora das quatro linhas, o Fonseca conseguiu ser o melhor marcador da equipa, ao apontar 11 golos em 26 jogos. Isto fez de sí um ídolo para os adeptos do Boavista, como já tive oportunidade de constatar. Sente-se honrado por se ter tornado numa das grandes referências dos adeptos "axadrezados"? 
DF: Cheguei ao Boavista, com o intuito de relançar a minha carreira, e apesar dos problemas do clube, o Boavista será sempre um grande clube. Digam o que disserem, é um clube diferente, com uma massa adepta diferente. Com o passar do tempo, fui aprendendo a gostar e a perceber a mística através das pessoas que lá estão. Um clube, onde se formaram alguns dos melhores jogadores portugueses nos últimos tempos e alguns da actualidade. O meu objectivo, sempre foi ajudar a levantar o clube, juntamente com os meus companheiros, e se pelo meio ganhei o respeito e a admiração dos adeptos boavisteiros, fico muito contente que assim seja, e agradeço todo o apoio que tive durante a época. Mas, realmente, eu não teria sido aquilo que fui, sem os meus companheiros. Fico agradecido ao Boavista, porque foi o clube que confiou em mim quando mais ninguém confiava.

CR: Depois de uma boa temporada na II Divisão Nacional, teve vários convites, mas optou pelo Feirense. Porquê essa opção? 
DF: Foi a melhor oferta que tive no defeso, também pela estabilidade económica que o clube oferece para o meu futuro, que é muito importante. Foi difícil para mim deixar o Boavista, pelo carinho que tenho pelas pessoas de lá, mas o meu futuro imediato teria que passar por um clube onde possa dar continuidade à boa época que fiz no ano passado e que me dê estabilidade económica, algo que, infelizmente, o Boavista não me pode oferecer de momento. Gostaria, isso sim, de poder vestir de novo o "xadrez" no futuro.

CR: Quais os objectivos do Feirense para a temporada 2010/2011? Depois da prestação da temporada passada, arrisco-me a dizer que o grande objectivo vai ser lutar pela subida.
DF: O clube fez um investimento inferior à época passada, mas a ambição está redobrada. Acredito que podemos formar uma boa equipa e lutar pela subida até ao fim num campeonato difícil. Mas, o nosso pensamento, terá de ser jogo-a-jogo.

CR: E o Fonseca, que objectivos tem para esta temporada? Superar os 11 golos de 09/10, é um dos objectivos estabelecidos?
DF: Quero dar seguimento ao que fiz na temporada passada. Sou ambicioso e não desisto da primeira. Sei que tenho qualidades para estar mais acima no panorama do futebol português, e vou tentar agarrar todas as oportunidades que surgirem, para apresentar trabalho e golos. Não gosto de fixar número de golos, mas claramente, espero fazer algo igual ou superior à época passada.

CR: Tem várias internacionalizações pelas selecções jovens e ainda é novo. Continua a manter a esperança de chegar à Selecção A? Ainda por cima, na sua posição, Portugal ultimamente não tem tido grandes referências e viu-se "obrigado" a naturalizar Liedson...
DF: Sou ambicioso, e gostaria um dia de jogar novamente pela Selecção. Mas sou realista, e não vivo obcecado com isso. Mas acredito que o País tem matéria-prima suficiente, para não ter que naturalizar ninguém.Questões rápidas.
CR: Sendo o Fonseca ponta de lança, não posso deixar de lhe fazer esta pergunta: Melhor golo da carreira?
DF: Todos os golos são importantes para mim. Não há grandes golos. Há o golo que passa a linha final, uns mais importantes que outros, é claro. Posso dizer que o golo que nunca esquecerei, foi o da minha estreia na 1ª Liga nos Açores, contra o Guimarães.

CR: Em grande parte dos clubes que representou, utilizou sempre a camisola 47. Por que razão usa constantemente a camisola 47 ? É superstição? 
DF: O número 47, significa uma vontade e ambição em conseguir o seu objectivo de qualquer maneira, independentemente dos obstáculos que se atravessem no meio. Adicionando também 4+7 dá 11, que significa o poder de um guerreiro. Pode-se dizer que sim, que sou supersticioso.

CR: Ao longo da sua carreira, já trabalhou ao lado de jogadores com "nome" no futebol português, como Jorge Silva, Sandro ou Sérgio Nunes. Algum destes ou outro colega, o marcou de uma maneira "especial"?
DF: Jorge Silva, pela sua liderança e capacidade motivacional.

CR: Em Setúbal, jogou com Silvestre Varela. Já naquela altura se percebia que o Varela tinha tudo para triunfar numa grande equipa como o Sporting? Ou, neste caso, como o FC Porto...
DF: Há talentos que não enganam, e o Varela já no Vitória demonstrava o grande jogador que é. Na minha opinião, é o jogador com mais talento, que o Sporting conseguiu formar depois de Futre, Figo e Ronaldo. O tempo encarregar-se-á de o confirmar, para tristeza dos adeptos leoninos.

CR: É capaz de eleger um onze formado por companheiros de equipa (Actuais ou Passados)? 
DF: Guarda-Redes: Hugo Ferreira (Mallorca)
Defesa Direito: Ribeiro (Boavista)
Defesa Central de Marcação: Kali (Santa Clara)
Defesa Central Livre: Jorge Silva (Boavista)
Defesa Esquerdo: Bruno Ribeiro (Santa Clara e V. Setúbal)
Médio Direito: Paulo Campos (Boavista)
Médio Centro: Ariel Ibagaza (Mallorca)
Médio Centro: Pacheco (Santa Clara)
Médio Esquerdo: Garba Lawal (Santa Clara)
Ponta de Lança: Brandão (Santa Clara)
Ponta de Lança: Emilio N'Sue (Mallorca)

*Entre parêntesis, o clube onde Fonseca jogou com o respectivo colega.

O "Conversas Redondas" agradece a Fonseca, o tempo dispendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Fonseca, aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ovarense - Beira Mar: O reencontro quatro anos depois

(Aveiro, 8 de Janeiro de 2006. À falta de jogadores, os guarda-redes da Ovarense, Évora (a sair) e Armando (a entrar), foram utilizados como pontas de lança. O Beira Mar venceu 2-0.)
Longe vão os tempos, em que a Ovarense lutava ombro a ombro com os seus principais rivais, como Feirense, Oliveirense e Beira Mar.
Foi precisamente o Beira Mar, o último clube a defrontar a Ovarense num campeonato profissional. Aveirenses e vareiros, andaram juntos durante alguns anos. Principalmente no surgimento do futebol no Distrito de Aveiro.
Juntamente com outras equipas, fundaram a AF Aveiro, e disputaram as liguilhas de apuramento para a II Divisão Nacional, na década de 40.
Depois, o Beira Mar cresceu mais rápido que a Ovarense, e chegou mesmo à I Divisão. Os de Ovar, continuaram a disputar os escalões mais baixos, e com calma, foram trepando a "escada" do futebol português.
Passaram muitos anos, e alguns confrontos, mas os mais marcantes foram mesmo os da temporada 2005/2006. Talvez, por terem sido os últimos de forma oficial.
Se o Beira Mar lutava para subir, a Ovarense lutava para não descer, mas a crise económica que atravessava, já lhe tinha levado metade do plantel.
Foi assim, que a equipa vareira se apresentou em Aveiro na 1ª volta: com apenas 12 jogadores, entre eles três guarda-redes. Évora foi titular, saíndo aos 60' para entrar o outro guardião: Armando. Na baliza, ficou Rui Correia, ex FC Porto e Sporting.
Na segunda volta, já com o Beira Mar promovido e a Ovarense despromovida, ambas as equipas apresentaram-se sem grandes pressões. Assim, a Ovarense venceu por 2-1, naquele que foi o seu último jogo num escalão profissional. Na baliza dos vareiros, estava Zito. Um...extremo esquerdo.
Ontem, quatro anos depois, e com a Ovarense quase de regresso ao quadro do futebol nacional em Portugal, o duelo voltou a ser reeditado. Mais do que a apresentação da Ovarense, este jogo foi histórico, uma vez que se tratava de um reencontro entre dois rivais.
O "ConversasRedondas" não esteve presente, mas contou com uma colaboração especial. Portanto, cá fica a história da partida:

Em tarde de festa (realizava-se a apresentação do futebol de formação vareiro e também da equipa sénior), Leonardo Jardim apresentou um Beira Mar, com alguns jogadores à experiência e com muitos juniores, contando ainda com alguns elementos do plantel sénior.
A Ovarense entrou de forma mais atrevida na partida, e chegou mesmo a acercar-se da área do Beira Mar, embora sem nunca criar grande perigo.
Ao minuto 15', Bruno Conceição, guarda-redes do Beira Mar, quis fintar Nino, jogador da Ovarense, mas o jovem vareiro roubou-lhe o esférico e encostou para o fundo das redes. O golo levou público presente no Estádio Manuel Marques da Silva ao delírio, enquanto os aveirenses ficaram surpreendidos.
O Beira Mar, tomou então conta da partida, criando várias ocasiões de golo, mas os jogadores aveirenses revelavam grande desacerto na hora de rematarem. Nas vezes em que conseguiam rematar, estava lá Daniel, guardião da Ovarense, que teve várias intervenções decisivas, segurando assim a magra vantagem da equipa da casa.
Os da casa, tentavam dar um ar da sua graça, sempre com Nino, Danny e Marmelo, a assumirem as rédeas do jogo.
Aos 41', o Beira Mar chegou ao golo. Luís Tinoco, na conversão de um livre bateu o recém-entrado Crujeira, e empatou a partida.
Ao intervalo, o balanço da partida era positivo. Não parecia um jogo entre uma equipa da Liga Sagres e outra dos Distritais de Aveiro, tal era o equilíbrio.
Para o segundo tempo, ambos os técnicos fizeram algumas mexidas nas suas equipas, com o Beira Mar a manter a posse de bola e o controlo do jogo, e com a Ovarense a explorar o contra-ataque, demonstrando ser uma equipa forte nas transições defesa-ataque.
Aos 61', os aveirenses chegaram ao segundo golo. Lance delicioso de Renan, que deixou para trás quatro jogadores da Ovarense, ultrapassando ainda o guardião vareiro, fazendo depois o 1-2.
Aos 75', uma situação que em nada dignifica o futebol e, neste caso, o Beira Mar: a claque aveirense "Ultras Auri-Negros" envolveram-se numa troca de palavras azeda com os adeptos da Ovarense, e tentaram mesmo o cofronto físico, valendo a intervenção decisiva dos agentes de segurança, que encaminharam mesmo alguns elementos da claque do Beira Mar, para fora do estádio.
Voltando ao jogo dentro das quatro linhas, a Ovarense já havia assumido o controlo da partida, e continuava a apostar na velocidade do seu ataque. Foi assim, que Sabry, cavou uma grande penalidade. Excelente arrancada do jovem vareiro, que já dentro de área, acabou por ser completamente abalrroado por um defensor aveirense.
Chamado a converter o castigo máximo, Fábio Ferreira que representou a Ovarense na Liga de Honra, não perdoou e empatou a partida.
A poucos minutos do fim, destaque para a entrada de Cassamá no Beira Mar, jovem de apenas 16 anos, e que representava anteriormente os escalões de formação da Ovarense.
E, a dois minutos dos 90' regulamentares, na sequência de um contra-ataque rápido, Tom, jogador que se encontra à experiencia no Beira Mar, concluiu com êxito o ataque dos aveirenses, estabelecendo o resultado final: 2-3.
Deste jogo, fica sobretudo a excelente réplica dada pela Ovarense ao Beira Mar, que embora sem alguns jogadores da equipa principal, apresentou-se com outros jogadores, também eles de qualidade.
Quanto ao público presente, os adeptos da Ovarense compareceram em massa à partida, enquanto de Aveiro, viajaram alguns elementos afectos à claque "Ultras Auri-Negros".

Ficha de Jogo:

Árbitro: André Pardal; auxiliado por: Hugo Santos e Nuno Pina.

Ovarense: Daniel; Tiago Silva, Pereira, Fábio Nunes e Dário; Toninho, Danny e Humberto; Marmelo, Nino e David Joel.
Jogaram ainda: Crujeira; Bruno; Cristiano, Sérgio, Gamarra, Pombinho, Luís Leite, Veiros, Fábio Ferreira, Sabry, Monteiro, Edson, Vitinha e Carlos Alberto.
Treinador: Marco Silva; Suplentes Não Utilizados: João e Teles.

Beira Mar: Bruno Conceição: Pedro Araújo, Berna, Sefal e Rúben Lima; Tom, Luís Tinoco e Figueiredo; Nélson, Hugo Seixas e Renan.
Jogaram ainda: Jaime, Rui, Cassamá, Granja, Ibraima e Fílipe.
Treinador: Leonardo Jardim; Suplentes Não Utilizados: Jan Oblak.

Golos: 1-0 Nino 15'; 1-1 Luís Tinoco 41'; 1-2 Renan 61'; 2-2 Fábio Ferreira 82'; 2-3 Tom 89';

Colaboração especial: Nuno Leite.

domingo, 5 de setembro de 2010

Taça de Portugal: 1ª Eliminatória já completa

(Depois da festa na temporada passada, o Chaves caíu "à primeira" na Taça, esta temporada.)
Completou-se hoje a primeira eliminatória da Taça de Portugal 2010/2011.
A derrota mais marcante, é certamente a do finalista vencido da edição anterior, o D. Chaves, que acabou afastado no desempate por grandes penalidades em casa, frente ao Amares da III Divisão.
Outra derrota "marcante", foi a do Vizela, candidato à vitória na Zona Norte da II Divisão, que acabou afastado nos penaltis pelo Ribeirão, do mesmo escalão.
O Farense, em ano de regresso à II Divisão, arrancou a época oficial com uma vitória por 3-0 sobre o Santana da Madeira.
Fafe e Mafra, são os grandes destaques pela positiva. Ambos venceram fora, marcando oito golos. O Fafe venceu 8-1 a equipa do Beira Mar Monte Gordo; enquanto que o Mafra goleou 8-0 o At. Tojal.
O "ConversasRedondas" marcou presença no encontro entre Lourosa e Vila Meã, que os amarantinos levaram de vencida por 0-2.
Cá ficam todos os resultados da 1ª Eliminatória da Taça de Portugal 2010/2011:

Sábado:
Bom Sucesso (III) 1-2 Santacruzense (III)
Avanca (III) 0-5 Messinense (III)
Portosantense (III) 2-1 Casa Pia (IIB)
Bombarralense (III) 2-1 Sp. Ideal (III)
Vianense (IIB) 2-0 Praínha (III)
Vitória Pico (IIB) 2-3 Bragança (III)

Domingo:
Farense (IIB) 3-0 Santana (III)
Juv. Évora (IIB) 3-0 Valenciano (III)
At. Reguengos (IIB) 0-1 Tourizense (IIB)
Lourosa (III) 0-2 Vila Meã (III)
Sp. Espinho (IIB) 1-0 Sesimbra (III) - Após Prolongamento
Gondomar (IIB) 1-1 Caniçal (IIB) - 4-3 G. P.
Caldas (III) 2-1 Ol. Bairro (III)
Vizela (IIB) 0-0 Ribeirão (IIB) - 3-4 G. P.
Crato (III) 0-1 Ac. Viseu (III)
Operário (IIB) 3-2 Sp. Pombal (IIB)
Santiago (III) 0-2 SJ Vêr (III)
Oriental (IIB) 4-0 Odemirense (III)
Vigor Mocidade (III) 0-0 Ribeira Brava (III) - 3-4 G. P.
Sacavenense (III) 2-0 Alba (III)
Merelinense (IIB) 4-2 Rebordosa (III)
Xavelhas (III) 0-6 Vieira (III)
E. V. Novas (III) 4-2 Angrense (IIB)
Pinhalnovense (IIB) 5-0 U. Micaelense (III)
Tocha (III) 0-1 Torreense (IIB)
Macedo Cavaleiros (IIB) 3-1 B. C. Branco (III)
Oeiras (III) 1-0 Real (IIB) - Após Prolongamento
Sourense (III) 1-0 Câmara Lobos (III)
U. Montemor (III) 2-1 Leça (III)
Carregado (IIB) 3-1 Eléctrico (IIB)
Louletano (IIB) 5-0 Andorinha (III)
Santa Maria (III) 2-0 Taipas (III)
Sintrense (III) 0-1 Alpendorada (III)
Aguiar Beira (III) 0-2 Melgacense (III)
Anadia (IIB) 2-0 AD Oliveirense (IIB)
Ol. Douro (III) 1-2 Sampedrense (III)
Cova Piedade (III) 3-0 Esmoriz (IIB) - Após Prolongamento
U. Madeira (IIB) 6-0 AD Nogueirense (III)
Serzedelo (III) 0-0 Famalicão (III) - 6-5 G. P.
At. Tojal (III) 0-8 Mafra (IIB)
Beira Mar MG (III) 1-8 Fafe (IIB)
D. Chaves (IIB) 2-2 Amares (III) - 3-4 G. P.
Lusitânia (III) 1-2 Padroense (IIB) - Após Prolongamento
Mirandela (III) 3-0 Fão (III)
Joane (III) 1-3 Bustelo (III) - Após Prolongamento
Lousada (IIB) 1-0 Peniche (III)
Cesarense (IIB) 1-0 Riachense (III) - Após Prolongamento
União Serra (IIB) 3-0 Juventude Gaula (III)
Odivelas (III) 1-0 Pampilhosa (IIB)
Capelense (III) 0-1 Ol. Frades (III)
Canicense (III) 2-2 Atlético (IIB) - 4-5 G. P.
Gândara (III) 0-3 Fiães (III)
SC Vilanovense (III) 0-2 Cinfães (III)
Candal (III) 3-1 Águias Moradal (III)
Marinhense (III) 0-1 Esp. Lagos (III)
1º Dezembro (III) 1-0 Fabril (III)
Aljustrelense (III) 1-1 Boavista São Mateus (III) - 1-3 G. P.
Sertanense (IIB) 2-0 Machico (III)
Madalena (IIB) 3-0 Pescadores (III)
Estrela Calheta (III) 1-2 Lagoa (IIB)

Isentos:
1º Maio (III); Alcochetense (III); Aliados Lordelo (IIB); Amarante (III); Camacha (IIB); Coimbrões (IIB); Esposende (III); Limianos (III); Malveira (III); Maria da Fonte (III); Mondinense (III); Monsanto (III); Moura (III); Penalva Castelo (III); Paredes (III); Pontassolense (IIB); Praiense (IIB); Sousense (III); Tirsense (IIB); Tondela (III).

Nota: A negrito as equipas apuradas para a 2ª Eliminatória.

sábado, 4 de setembro de 2010

Colômbia: Jogador desmaia devido à fome

É mau demais para acontecer, mas aconteceu.
Ronald Quintero, jogador do Deportivo Pereira, do primeiro escalão colombiano, desmaiou em pleno treino, devido à fraqueza que tem tido, por não se alimentar em condições nos últimos dias.
O Deportivo não paga salários há vários meses, e há vários jogadores a passarem fome. Ronald Quintero é um deles.
"Alguns dos meus companheiros não se têm alimentado e por isso decidimos não jogar este domingo. Não temos dinheiro nem para o supermercado. Os directores não se comprometem com nada, dizem que não têm um centavo e estão a esperar que saia algo de bom de uma negociação pendente" falou aos jornalistas Gustavo Victoria, o capitão de equipa.
Esta é uma situação, idêntica à que muitos futebolistas passam em Portugal durante as temporadas em curso. Serve, sobretudo, para alertar aqueles que não têm consciência, e que preferem meter o dinheiro "ao bolso", em vez de pagarem, a quem trabalha e o merece.

Taça de Portugal arrancou hoje

(Adversários na 4ª Eliminatória da Taça em 04/05, Alverca e Boavista não marcarão presença na edição de 2010/2011.)
Arrancou hoje mais uma edição da Taça de Portugal. Nesta primeira eliminatória, apenas entram clubes da III Divisão e da II Divisão Nacional.
O primeiro dia de competição, teve seis jogos, com três clubes das Ilhas a deslocarem-se ao Continente um dia mais cedo do que o previsto, talvez, por causa das viagens aéreas.
Apenas houve um jogo entre equipas do Continente, e curiosamente, ambas disputarão a III Divisão Nacional. O Avanca acabou goleado em casa pelo Messinense, 0-5.
Também houve um jogo entre ilhéus. Na Madeira, o Bom Sucesso acabou afastado em casa pelo Santacruzense. 1-2 foi o resultado.
Nos Açores, o Vitória do Pico, recentemente despromovido à III Divisão, acabou afastado pelo Bragança da II Divisão, por 2-3; enquanto na Madeira, o Casa Pia, que irá disputar a II Divisão, perdeu no reduto do Portosantense da III por 2-1.
No Continente, Bombarralense e Vianense, receberam ambos equipas açoreanas, e ambos saíram vencedores. No Bombarral, os da casa bateram o Sp. Ideal por 2-1; enquanto que em Viana do Castelo, o Praínha saiu derrotado por 2-0.
A primeira eliminatória prossegue amanhã, com a realização de 54 jogos, onde se destacam as presenças de Vizela, Gondomar, D. Chaves e Farense.
Isentos, e por isso já apurados para a 2ª Eliminatória, ficaram vinte clubes, entre eles o Tirsense.
Resultados da 1ª Eliminatória da Taça de Portugal até ao momento:

Vitória do Pico (III) 2-3 Bragança (IIB)
Bombarralense (III) 2-1 Sp. Ideal (III)
Portosantense (III) 2-1 Casa Pia (IIB)
Vianense (III) 2-0 Praínha (III)
Avanca (III) 0-5 Messinense (III)
Bom Sucesso (III) 1-2 Santacruzense (III)

Nota: A negrito os apurados para a 2ª Eliminatória.

Selecção: Oito golos e quatro erros defensivos

Portugal empatou ontem, no arranque da qualificação para o Euro 2012, a quatro golos com o Chipre...em casa!
No Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, Portugal aos onze minutos já perdia por 1-2. Se quisermos ser mais dramáticos, aos 3' já estava a perder 0-1. Pelo meio, Hugo Almeida empatou a partida aos 8'.
Aos 29', Raúl Meireles empatou de fora da área; aos 50' Danny, num lance invulgar de cabeça, fez o 3-2; e mais uma falha defensiva permitiu a Okkas fazer o 3-3 aos 57'.
Aos 60', Manuel Fernandes "à bomba" fez o 4-3; e já perto do fim, uma falha de Eduardo, permitiu a Avraam estabelecer o resultado final: 4-4!
Portugal dominou, criou inúmeras ocasiões de golo, mas falhou quase sempre. Nomeadamente, a nível defensivo. Aos 3' minutos, alguém se esqueceu de Aloneftis, que apenas com Eduardo pela frente, limitou-se a fazer um chapéu ao guarda-redes.
Aos 11', o lento Konstantinou, aproveitou um desentendimento entre Bruno Alves e Raúl Meireles, passou com imensa categoria por Eduardo, e rematou para o 1-2.No segundo tempo, mais do mesmo: voltaram-se a esquecer de um cipriota, e mais uma vez deu golo. Desta vez, foi Okkas, que se limitou a encostar para o 3-3.
Já perto do fim, e numa altura em que a vitória estava cada vez mais perto, foi Eduardo quem "borrou" a pintura. Na sequência de um cruzamento no lado direito, o guardião não segurou o esférico e Avraam aproveitou para empatar de cabeça.
A mesma defesa que no Campeonato do Mundo sofreu apenas um golo, andou de cabeça perdida na Cidade Berço.
O Chipre, equipa de pequena dimensão europeia, e que está longe de vir a ser uma potência, marcou por quatro vezes a Portugal, fora de casa!
No jogo em si, apesar do domínio, Portugal não fez uma exibição de encher o olho, apesar de ter enviado ainda duas bolas ao poste. Em grande forma está Ricardo Quaresma. Excelente exibição do jogador do Besiktas.
Terça-feira é dia de deslocação portuguesa à Noruega. Esperamos é que, desta vez, haja mais concentração a nível defensivo e mais eficácia a nível ofensivo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O "velhinho" Inzaghi ainda faz mossa

Quem vê Filippo Inzaghi jogar, nota-lhe alguma veterania, mas tendo em conta a qualidade do jogador, ninguém lhe "dá" 37 anos.
Como goleador que sempre foi, Inzaghi continua a marcar golos, e que bonitos golos. No passado dia 25, no jogo entre AC Milan e Barcelona, a contar para o troféu Joan Gamper, fez um chapéu perfeito a Pinto, empatando na altura, a partida.
O cruzamento de Seedorf na direita, deve-se dizer, foi feito com "régua e esquadro", mas a execução do "veterano" "Pippo" Inzaghi, foi muito boa.
Vale a pena rever o golo de Inzaghi:



Caso não consiga ver o vídeo na sua totalidade: http://www.youtube.com/watch?v=5XALgMEDfzM&feature=player_embedded#!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Nélson

Aos 34 anos, o antigo guarda-redes do Sporting, Nélson decidiu colocar um ponto final na carreira.
Para trás, ficam dois campeonatos nacionais ganhos pelos Leões; uma Taça de Portugal em 2002, três internacionalizações A por Portugal e vários jogos nas competições europeias.
Formado nas camadas jovens do Torreense (onde até começou por ser avançado), Nélson estreou-se na equipa sénior do clube de Torres Vedras na temporada 94/95, na então Liga de Honra.
Três temporadas na equipa sénior do Torreense (duas na Liga de Honra e uma na II Divisão B), foram o suficiente para despertar a atenção do Sporting.
Contratado pelo Sporting em 1997, Nélson cumpriu a primeira temporada de "Leão" ao peito, na "sombra" de De Wilde e de Tiago, acabando por não realizar qualquer jogo oficial.
Na temporada seguinte, participou em seis jogos na Primeira Liga, e em 99/00 ajudou o Sporting a reconquistar o título de campeão Nacional, dezoito anos depois.
Aproveitando as lesões do "gigante" Peter Schmeichel, Nélson alinhou em seis partidas no campeonato, o suficiente para inscrever o seu nome na lista de campeões Nacionais.
Em 00/01, Nélson participou em sete jogos na SuperLiga, além de se ter estreado nas competições europeias frente ao Real Madrid, num jogo em que o Sporting acabou goleado por 4-0.
Na temporada seguinte, Nélson viveu, certamente, a sua melhor temporada de sempre pelo Sporting, pelo menos a nível de títulos conquistados: ao lado de grandes jogadores, que construíram uma grande equipa, Nélson participou em dezasseis jogos e ajudou o Sporting a recuperar o título de Campeão Nacional. Como se isso não bastasse, conquistou ainda a Taça de Portugal frente ao Leixões.
Em 02/03, os "Leões" começaram bem a época, ao vencerem o Leixões na Supertaça, mas no Campeonato acabaram por ficar em terceiro lugar a quase trinta pontos do campeão, FC Porto. Nélson realizou dezanove jogos nessa má campanha sportinguista.
Curiosamente, essa temporada coincidiu com a última temporada em que Nélson jogou com regularidade pelos "Leões". As lesões nos joelhos, Ricardo, e as outras opções dos técnicos, atiraram quase sempre com Nélson para segunda ou terceira escolha.
Assim, o guardião acabou por ser utilizado apenas por uma vez no campeonato em 03/04 (apenas trinta minutos, frente ao Marítimo); seguindo-se um jogo em 04/05; e cinco em 05/06.No fim da temporada 05/06, o contrato de Nélson com o Sporting, terminou, e o guardião depois de tantos de dedicação ao clube leonino, acabou por nem ser convidado a renovar contrato.
Depois de terminado o ciclo no Sporting, Nélson assinou pelo V. Setúbal, encarando assim a realidade dos mais "pequenos". Cumpriu apenas oito jogos pelo Setúbal na SuperLiga em 06/07, saíndo para o Estrela da Amadora em 07/08.
No Estrela, foi mais feliz no que diz respeito à utilização, mas teve os seus problemas, devido à forte crise que o clube tricolor atravessou nas temporadas em que Nélson o defendeu.
Depois de ter sido presença habitual no onze tricolor em 07/08 (vinte e cinco jogos), Nélson renovou o vínculo para 08/09, onde acabou por acimentar o seu lugar de indiscutível na baliza estrelista: vinte e oito jogos no Campeonato, quatro na Taça de Portugal e um na Taça da Liga.
No entanto, foi nesta temporada que Nélson passou por um dos maiores problemas da sua carreira: esteve nove meses sem receber. O Estrela acabou por descer administrativamente à II Divisão Nacional, e Nélson rumou ao Belenenses.
Em Belém, escolheu um número invulgar para a sua camisola: o três. Invulgar, isto é: um guarda-redes, geralmente, nunca escolhe este número.
Pelo Belenenses, na temporada 09/10, Nélson completou treze jogos na Liga Sagres, acabando por não evitar a descida do conjunto do Restelo ao segundo escalão.
Depois de várias operações ao joelho esquerdo, e posteriormente, ao direito, Nélson decidiu colocar um ponto final na carreira, e vai agora dedicar-se à formação de guarda-redes.
Pela selecção portuguesa, esteve presente no Mundial 2002, acabando por não realizar qualquer partida, tendo conseguido a sua primeira internacionalização, num particular disputado frente à Finlândia em Março de 2002.
Sportinguista assumido, Nélson não esconde o desejo de voltar a Alvalade, agora para poder ajudar os mais pequenos a serem 'donos e senhores' das balizas "leoninas".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Espanha: Jogador bloqueia em campo

Parece impossível, mas aconteceu.
Kiko Femenía (na foto), jogador do Hércules da I Divisão Espanhola, bloqueou em campo, após falhar uma série de jogadas consecutivas.
O jovem de 19 anos, fazia a sua estreia na Liga Espanhola, e depois de entrar aos 57' minutos, falhou três passes nas primeiras três jogadas em que participou, e teve então um ataque de ansiedade, bloqueando por completo.
Durante largos minutos, Kiko não conseguiu fazer sequer um simples passe, nem muito menos correr.
Juntando a isto, as constantes repreensões do treinador, Kiko piorou: perdeu as forças e ficou até sem conseguir respirar.
Assim, o jovem aproximou-se do banco do Hércules, pedindo a substituição, tendo o seu treinador chamado o veterano Rufete. E agora, é que a estória ganha mais interesse: Rufete, um Senhor do futebol espanhol, com carreira feita em vários clubes de topo, especialmente no Valencia, recusou-se a entrar e depressa procurou ajudar o companheiro de equipa a superar os problemas.
Assim que foi chamado a entrar Rufete disse ao treinador: "Deixa-o, não o tires"; ao que o treinador respondeu "Mas ele parece que vai caír". Rufete retaliou, dizendo: "Há que o deixar em campo, que não se note nada".
Kiko permaneceu em campo, e aos poucos foi recuperando, acabando a partida em grande forma, ainda assim incapaz de evitar a derrota do Hercules na jornada inaugural (1-0 frente ao Athletic Bilbao).
Mais tarde, Rufete explicou a sua decisão: "Há coisas mais importantes na vida do que eu jogar dez minutos. Kiko está numa época da vida e eu estou noutra. Naquele momento era mais importante a sua situação do que eu jogar dez minutos" disse Rufete.
Excelente lição de companheirismo de Rufete, que noutros tempos vestiu a camisola da "La Roja".
Fique com o vídeo, que relata o "sofrimento" de Kiko na partida: