sexta-feira, 8 de março de 2013

Nuno Francisco: "Gafanha é um clube sério"

(Nuno Francisco e o Gafanha voltam domingo a jogar com o Paivense, tal como na foto.)
Afastado dos Nacionais desde 2007, o Gafanha, que actualmente milita na I Divisão da AF Aveiro, viu-se na passada segunda-feira nas capas dos jornais desportivos, depois de ter sido mencionado por Costinha, técnico do Beira-Mar, que 'usou' o clube da Gafanha da Nazaré, para lembrar aos jornalistas que a sua equipa até contra os gafanhenses se galvanizava.
Mas, afinal, 'quem é este' Gafanha? O Conversas Redondas foi à procura de uma resposta a esta pergunta, e esteve à conversa com Nuno Francisco, jogador do clube desde 2010, que começou por explicar como 'funciona' o Grupo Desportivo da Gafanha:
"O Gafanha é um clube que actua na I Divisão Distrital de Aveiro, e é um clube respeitado, pois tem algum 'nome' no distrito. A aliar a isto, o Gafanha é um clube cumpridor, com um orçamento realista tendo em conta a actual situação que vivemos, governado por pessoas que gostam muito do clube e que têm o objectivo de o fazer crescer, investindo bastante na formação, contribuindo para isso as boas infra-estruturas que o clube tem."
Nuno Francisco é adepto confesso do Benfica, esteve no Municipal de Aveiro a ver o jogo no passado domingo, e na formação vestiu a camisola do FC Porto. O futebol, entretanto, deixou de ser prioridade e é na Gafanha que vai jogando quase por 'carolice'.
Com um plantel experiente e de qualidade, o Gafanha ocupa a oitava posição do campeonato, ligeiramente abaixo do que é habitual no clube. O extremo conta que o plantel achou piada a esta 'exposição', mas reitera que as palavras de Costinha não tiveram qualquer efeito na equipa:
"O grupo achou piada a esta situação, pois o nome do Gafanha estava nos principais jornais desportivos no dia seguinte ao jogo Beira-Mar-Benfica, e claro que foi motivo de brincadeira no balneário. As palavras do Costinha de forma nenhuma tiveram interferência na nossa maneira de trabalhar, uma vez que ele falou no Gafanha, como podia ter falado noutro clube qualquer de uma divisão inferior como a nossa."
Em 2000, o Gafanha subiu aos Nacionais pela primeira vez e disputou a III Divisão durante sete épocas consecutivas, acabando por descer em 06/07. Desde então, tem lutado pelos primeiros lugares na I Divisão da AF Aveiro, e conta com um excelente complexo desportivo, equipado por um relvado em óptimas condições, que já foi, inclusive, utilizado pelas selecções nacionais mais jovens.
Aos 26 anos, Nuno Francisco representa o Gafanha desde a temporada 10/11, época que começou no Oiã, já depois de ter passado por Águeda e Anadia. Na formação, o extremo aveirense começou no Estrela Azul, de onde transitou para o Beira-Mar, e posteriormente para o FC Porto, voltando à formação 'auri-negra' no seu último ano de júnior. Os três anos passados de 'Dragão' ao peito, abriram-lhe as portas da selecção portuguesa, por quem é internacional sub-16 e sub-17.

Fábio Faria termina carreira

(Fábio Faria, aqui ao serviço do Rio Ave frente ao Belenenses, anunciou hoje o fim da sua carreira.)
O defesa-central português Fábio Faria, de vinte e três anos, anunciou esta sexta-feira um ponto final na sua carreira de futebolista, devido a problemas cardíacos.
A 4 de Fevereiro de 2012, o jogador internacional por Portugal nos Sub-21, sentiu-se mal durante o encontro entre Moreirense e Rio Ave a contar para a Taça da Liga, e desde essa altura não voltou a jogar futebol.
Esta manhã, em conferência de imprensa na sede do Sindicato de Jogadores, Fábio Faria salientou o apoio da família nesta decisão, destacando a importância da saúde:
"Esta foi uma decisão que custou muito tomar, mas tive o apoio dos meus pais, da minha namorada, da família, do meu empresário, do Benfica, que foi excepcional, e do Rio Ave, que é o clube da minha terra. A vida é assim. Os últimos exames não correram como esperava e o mais seguro é deixar o futebol. A vida é mais importante."
Acompanhado por Luís Fílipe Vieira, por António Campos, presidente do Rio Ave, por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato, e por Mário Figueiredo, presidente da Liga de Clubes, Fábio Faria anunciou que o seu objectivo agora é formar-se em gestão desportiva.
O jogador tem contrato com o Benfica até 2015, e teve a solidariedade do clube benfiquista, que representado pelo seu presidente, fez saber que Fábio Faria continuará a receber ordenado dos encarnados até ao fim do seu contrato, além de que no próximo domingo, será alvo de uma homenagem no Estádio da Luz, nos momentos que antecedem a partida entre Benfica e Gil Vicente.
Fábio Faria começou a jogar futebol no FC Porto, acabando depois por ingressar na formação do Rio Ave, por quem se estrearia como sénior. Deu nas vistas ao serviço dos vilacondenses e acabou por assinar contrato com o Benfica em 2010, tendo sido depois sucessivamente emprestado a Valladolid, Paços de Ferreira e Rio Ave, clube onde acabou por fazer o último jogo da sua carreira.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Liga Europa: Benfica derrota Bordéus

O Benfica entrou com o pé direito nos Oitavos-de-Final da Liga Europa, ao vencer o Bordéus por uma bola a zero, com golo de Rodrigo, dividido a meias com Carrasso, aos 21' minutos.
Num jogo muito fraquinho, e com o Benfica a fazer uma exibição desinspirada como há muito não fazia, a partida salvou-se pelo remate de Rodrigo à passagem do minuto vinte, que bateu na trave e de seguida nas costas do guardião francês Carrasso, antes de entrar na baliza girondina.
O Benfica procurou desde cedo assumir o controlo da partida, mas encontrou um adversário a defender a toda a largura do seu terreno, e a dificultar os caminhos para a sua baliza.
A juntar a isto, o ritmo da partida era lento, tal como os franceses queriam, mas a verdade é que na primeira vez que imprimiu alguma velocidade no jogo, o Benfica marcou: cruzamento de Melgarejo na esquerda, Ola John amortece com o peito para Rodrigo, e o brasileiro naturalizado espanhol a rematar à trave, com a bola a bater nas costas de Carrasso e a entrar.
Os encarnados animaram-se com o golo marcado, e logo a seguir Cardozo podia ter aumentado o score, mas não foi capaz de o fazer.
O Bordéus 'perdeu-se' um pouco na partida após sofrer o golo, mas à beira do intervalo, voltaria a entrar na partida, quando Obraniak obrigou Artur a defender com os punhos.
Depois de uma primeira parte fraca, a segunda parte também não foi muito melhor, com o Benfica a ficar mais lento e previsível e a cometer uma série de erros que não tiveram graves consequências.
A formação francesa estava agora mais organizada e mais ciente de que teria de 'andar muito' para conseguir outro resultado, enquanto que o público da Luz começava a ficar impaciente. Jesus lançou então Enzo Pérez e Salvio em simultâneo para os lugares de Carlos Martins e Cardozo, e pouco depois, lançaria Lima para o lugar de Ola John, mas nem assim o rumo do jogo foi invertido.
O Benfica voltaria, ainda assim, a ameaçar por Rodrigo, que chegou ligeiramente atrasado a um cruzamento de Melgarejo na esquerda, depois de uma bela arrancada do paraguaio.
Os franceses sem arriscarem muito, tiveram uma boa ocasião já perto do minuto noventa, quando o tunisino Khalfallah apareceu isolado frente a Artur, mas permitiu a defesa ao brasileiro.
A partida terminaria pouco depois sem lances dignos de registo, e com os adeptos benfiquistas a saírem desiludidos com a exibição da sua equipa, e a brindarem-na com assobios, algo que o Estádio da Luz há muito não protagonizava.
Muito melhor que a exibição, foi o resultado, que deixa o Benfica em vantagem para a segunda mão, e com excelentes perspectivas de chegar aos Quartos-de-Final. De hoje a uma semana, dia 14 de Março, o Benfica desloca-se então a Bordéus.
Ficha de Jogo:

Jogo realizado no Estádio da Luz, em Lisboa
Quarteto de arbitragem composto por: Alon Yefet (Árbitro Principal - Israel);

Benfica (4-4-2): Artur; André Almeida, Garay, Luizão e Melgarejo; Roderick, Ola John (Lima 74'), Carlos Martins (Enzo Pérez 64') e Gaitán; Cardozo (Salvio 64') e Rodrigo.
Treinador: Jorge Jesus. Suplentes Não Utilizados: Paulo Lopes; Jardel, Maxi Pereira e Aimar.

Bordéus (4-5-1): Carrasso; Mariano, Henrique, Sané e Trémoulinas; Sertic, Faubert (Traoré 43'), Plasil, Obraniak e Maurice-Belay (Khalfallah 79'); Diego Rolán (Bellion 66').
Treinador: Francis Gillot. Suplentes Não Utilizados: Keita; Marange, Planus e Poundje.

Disciplina:
Amarelos: Carlos Martins 50'; Rodrigo 54'.

Marcador: 1-0 Carrasso 21' P. B..

quarta-feira, 6 de março de 2013

Liga dos Campeões: Real Madrid elimina United

(Sergio Ramos prepara-se para fazer auto-golo, perante o olhar atento de Welbeck e Diego López.)
Real Madrid e Borussia Dortmund apuraram-se ontem à noite para os Quartos-de-Final da Liga dos Campeões, feito igualmente conseguido hoje por Juventus e PSG.
Estão assim encontradas as primeiras quatro equipas apuradas para os Quartos-de-Final da prova milionária, sendo que as restantes vagas serão ocupadas na próxima semana.
Como o título indica, o Real Madrid venceu em Old Trafford por 2-1 e deixou os ingleses pelo caminho, sendo que um auto-golo de Sergio Ramos aos 48' minutos adiantou os 'Red Devils', mas Modrić aos 66' e Ronaldo aos 69' deram a cambalhota favorável aos madrilenos.
Este jogo ficou ainda marcado pela expulsão injusta de Nani, e por uma arbitragem algo tendenciosa do turco Cüneyt Çakir a favor do Real Madrid. No outro jogo da noite, o Dortmund recebeu e venceu o Shakhtar por 3-0, com golos de Felipe Santana aos 31', Götze aos 37' e de Kuba aos 59'.
Já hoje, PSG  e Valencia empataram a uma bola, sendo que os espanhóis estiveram em vantagem graças a um golo de Jonas aos 56' minutos, mas deixaram-se empatar por Lavezzi aos 65'. Ricardo Costa e João Pereira, ambos a contas com lesões, não jogaram pela turma espanhola.
No outro jogo disputado esta noite, a Juventus limitou-se a gerir a vantagem alcançada na primeira mão em Celtic Park, e venceu por 2-0, com golos de Matri aos 24' e de Quagliarella aos 65'.
Na próxima semana, disputam-se mais quatro jogos, com destaque para o Málaga - FC Porto, que se joga precisamente de hoje a uma semana.
Curioso é o facto de Inglaterra não levar, muito provavelmente, nenhuma equipa à fase mais avançada da prova: Chelsea e Man. City ficaram pela fase de grupos; o Man. United foi eliminado ontem; e o Arsenal depois de 'levar' três em casa frente ao Bayern Munique, está 'às portas' da eliminação.

segunda-feira, 4 de março de 2013

II Divisão: Fafe acusa Boavista de agressões

(Os 7-1 da primeira volta, terão estado na origem da confusão entre axadrezados e minhotos.)
Terminou sob brasa o encontro disputado ontem à tarde no Estádio do Bessa, entre Boavista e Fafe, jogo que os portuenses venceram por 2-1 na vigésima segunda jornada da Zona Norte da II Divisão.
O presidente do Fafe acusa os responsáveis do clube axadrezado de agressões antes e depois da partida, veiculando isso e muito mais num comunicado divulgado ontem ao final do dia.
O dirigente minhoto começou por referir que já depois dos seus jogadores terem feito o habitual reconhecimento ao relvado do Bessa, Petit, acompanhado por um elemento equipado com as cores axadrezadas, abordou o jogador fafense Pedro Castro com uma cópia de uma entrevista dada pelo referido jogador durante a semana.
Na primeira volta, o Fafe havia goleado o Boavista por expressivos 7-1, e Pedro Castro terá dito na passada semana que o campeonato dos boavisteiros era ganhar ao Fafe, depois da humilhação sofrida na primeira volta.
Ainda segundo o mesmo comunicado, a direcção fafense denuncia uma tentativa de agressão a um jogador seu, ainda durante o encontro, e já depois do término da partida, acusa a comitiva do Boavista FC de bárbaras agressões aos seus jogadores no interior do túnel.
O mesmo comunicado relata ainda 'marcas visíveis das agressões em alguns jogadores' - o blogue conseguiu apurar que esses jogadores são João Carneiro e Marçal -, e o que o clube minhoto vai agora fazer uma exposição do caso à Federação Portuguesa de Futebol.
A resposta do Boavista surgiu através de Álvaro Braga Júnior, que se defende dizendo que o Fafe passou toda a semana a provocar o Boavista, e que a turma visitante destruiu o balneário.
Depois da goleada sofrida na primeira volta por 7-1, o Boavista 'vingou-se' dos minhotos dentro de campo vencendo por 2-1, com golos de Fary e Wellington a contrariarem o golo de Valente pelo Fafe.

II Divisão: 22ª Jornada

(Boavista 2-1 Fafe - autoria: blogue "The Boavista Footballers".)
A jornada vinte e dois da Zona Norte da II Divisão, fica marcada pelas escorregadelas da dupla transmontana que segue na frente da tabela: o líder Mirandela perdeu em Famalicão por 2-0, enquanto que o D. Chaves empatou a um golo em Vizela. Disto não se aproveitou o Ribeirão, que empatou sem golos em Gondomar. O Limianos também não aproveitou, e perdeu por uma bola a zero em Joane.
O Boavista venceu o Fafe por 2-1, enquanto que Varzim e Tirsense, num duelo de históricos, empataram a duas bolas. Amarante e Infesta também não saíram do nulo, sendo que o Vilaverdense bateu o Padroense por uma bola a zero.
Na Zona Centro, o líder Cinfães venceu o Sp. Espinho por 3-0 e voltou a aumentar a vantagem para o Ac. Viseu, que empatou a uma bola no terreno do Sousense. O Pampilhosa goleou um Anadia em quebra por concludentes 5-0, enquanto que o Lusitânia levou a melhor sobre o Operário no derby açoriano, goleando também por 5-0.
O SJ Vêr perdeu por duas bolas a uma no terreno do BC Branco, enquanto que o Coimbrões foi vencer ao terreno do Tourizense por 2-0. Bustelo e Tocha empataram a três golos, sendo que Nogueirense e Cesarense empataram a um golo.
Na Zona Sul, o Mafra foi vencer a Oeiras por uma bola a zero e continua com três pontos de avanço para o Farense, que bateu o Carregado por 2-1. O Leiria venceu o Louletano, também por uma bola a zero, e voltou a 'fugir' ao Torreense, que foi derrotado em casa pelo 1º Dezembro por...1-0.
O Sertanense venceu no terreno do Futebol Benfica por 5-2 e alcançou precisamente os torreenses na terceira posição, enquanto que o Pinhalnovense parece estar em recuperação, tendo ganho ao Fátima por 2-0. Quarteirense e Oriental empataram a uma bola, enquanto que o Casa Pia foi à Madeira, vencer o Ribeira Brava por uma bola a zero.
A II Divisão regressa no próximo fim-de-semana.

III Divisão: 21ª Jornada

(Penalva do Castelo 2-0 U. Lamas - autoria: blogue do SC Penalva do Castelo.)
A penúltima jornada da fase regular da III Divisão, não trouxe grandes novidades na frente da Série A, uma vez que o Bragança venceu o Maria da Fonte por 2-0, e até aumentou distâncias para o segundo posto, fruto da derrota caseira do Vianense ante o Taipas por uma bola a zero. À vice-liderança subiu o Ronfe, que goleou o Melgacense fora-de-portas por...12-0!
O Santa Maria bateu o Marinhas por 3-0 e subiu ao terceiro lugar, enquanto que em duelos de equipas condenadas à descida, o Merelinense venceu por 3-1 no terreno do Esposende, e o Ponte da Barca foi vencer a Monção por 3-2.
Na Série B, o líder Oliveirense venceu por uma bola a zero em Vila Meã, e mantém-se com um ponto de vantagem para o Felgueiras, que foi vencer a casa do Leça por 3-0. O Paredes empatou a dois golos no terreno do Rebordosa e segurou a terceira posição.
O Lousada venceu o Aliados de Lordelo por 2-0 e regressou aos triunfos, enquanto que o Santa Eulália bateu o Vila Real por 3-1 e confirmou um lugar nos seis primeiros para tristeza do Serzedelo, que até venceu o Pedras Rubras pelo mesmo resultado.
Na Série C, o Salgueiros venceu o Oliv. de Frades por 2-0 e continua na liderança juntamente com o Estarreja, que bateu o Oliv. do Bairro por uma bola a zero. No grande jogo da jornada, o Grijó venceu o Alba, também por 1-0.
O Penalva do Castelo derrotou o U. Lamas por 2-0 e manteve em aberto para a última jornada, a derradeira decisão sobre os seis primeiros, enquanto que o Avanca empatou a uma bola no terreno do Parada e caiu para os Distritais. Aguiar da Beira e Sampedrense empataram a dois golos.
Na Série D, o Caldas venceu por 3-1 no terreno do Alcanenense e continua líder isolado, sendo que o Sp. Pombal foi surpreendentemente derrotado em casa pelo Mortágua por 2-1, e caiu para o quarto lugar. O Sourense venceu por 2-0 na casa do Marinhense e é agora segundo.
O Oliv. do Hospital bateu o Penelense por 3-0 e subiu ao terceiro posto, enquanto que o Torres Novas venceu o Beneditense por 2-1, e vai para a última jornada com aspirações de chegar aos seis primeiros. O Sernache venceu o Alcobaça por 3-0 e segurou o quinto lugar.
Na Série E, o Fabril venceu por 3-2 na casa do Tires e assumiu a liderança isolada, fruto do empate do Sintrense no terreno do Pêro Pinheiro a uma bola. Real e Eléctrico não saíram do nulo.
Barreirense e Lourinhanense venceram e reforçaram o seu lugar nos seis primeiros: a turma do Barreiro bateu o Sacavenense por 3-2, enquanto que a formação da Lourinhã derrotou o Amora por duas bolas a zero. O Peniche foi vencer a casa do Cartaxo por 3-1.
Na Série F, o líder U. Montemor empatou a duas bolas no terreno do Sesimbra, mas continua com quatro pontos de vantagem para o Moura, que empatou sem golos no terreno do Aljustrelense. Também sem golos, terminou o encontro entre Vasco da Gama e Lusitano VRSA.
O At. Reguengos venceu o Monte Trigo por 3-1 e alcançou o Esp. de Lagos na terceira posição, fruto do empate caseiro dos algarvios frente ao Castrense, a uma bola. A Juv. de Évora bateu o Lagoa por três bolas a uma.
A III Divisão regressa no próximo fim-de-semana.

Esta semana, o lote de despromovidos aos Distritais aumentou e confirmaram-se as seguintes descidas: Serzedelo, Vila Real, Avanca, Marinhense, Amora e Tires.

sábado, 2 de março de 2013

Clássico: Sporting e FC Porto empatam a zero

Num jogo sem grande história, Sporting e FC Porto não saíram do nulo, resultado que acaba por 'pesar mais' para os portistas, que jogaram os últimos dez minutos com mais uma unidade por expulsão do leão Marcos Rojo.
A primeira parte ficou essencialmente marcada pelas muitas oportunidades desperdiçadas pelos portistas, mas também pela melhor oportunidade desse período ter pertencido ao Sporting: aos 43' minutos, Eric Dier viu uma linha-de-passe numa defesa portista que tinha Otamendi a colocar Wolfswinkel em jogo, e o holandês não conseguiu melhor do que rematar para defesa de Helton.
Antes disso, porém, o FC Porto teve sete ocasiões para marcar, sendo que quatro delas pertenceram a Jackson, que por duas vezes rematou para fora, e por outras duas viu Rui Patrício levar-lhe a melhor.
Danilo na marcação de um livre aos cinco minutos rematou ligeiramente ao lado, Fernando na sequência de um canto, ficou perto de marcar de cabeça, e a melhor oportunidade pertenceu a Defour, que aos 21' minutos, isolado na ala esquerda, rematou para defesa apertada de Patrício.
Apesar de todas estas oportunidades, os portistas estavam longe da sua melhor forma. A ausência de Moutinho, teve, arrisco-me a dizê-lo, um enorme impacto negativo na equipa azul-e-branca, que não conseguiu pensar o jogo ao longo dos noventa minutos.
No segundo tempo, as oportunidades não apareceram com tanta frequência, e o Sporting resistiu ao FC Porto, como não tinha resistido, por exemplo, ao Benfica.
O que é certo, é que na etapa complementar a qualidade de jogo caiu a pique, e a partida só começou a ficar animada a partir do minuto 70'. Antes disso, assobiadela monumental para Izmaylov quando este foi substituído e sempre que tocava na bola e, já agora, nesta linha, cânticos ofensivos por parte das claques sportinguistas para Liedson, que entraria aos 82' minutos.
Aos 73' minutos, o 'menino' Bruma, acabado de entrar, ficou pertíssimo de marcar, depois de um remate de pé direito, e cinco minutos depois, Marcos Rojo recebeu o segundo cartão amarelo, graças a uma falta feita 'a meias' com Rinaudo. Na sequência da expulsão, James Rodríguez atirou o livre para a bancada.
Ainda antes do fim, seria Wolfswinkel a ficar novamente perto do golo, quando na sequência de um contra-ataque, o avançado foi lento na reacção e não aproveitou da melhor maneira a saída de Helton.
Até final, o jogo foi-se mantendo vivo e intenso, com contra-ataque aqui, contra-ataque ali, mas com o nulo a prevalecer até final. Além da segunda expulsão de Rojo em dois jogos contra o FC Porto, os leões viram Oceano e Jesualdo Ferreira serem expulsos do banco.
O Benfica pode aproveitar esta escorregadela do FC Porto para assumir a liderança, precisando 'apenas' de vencer amanhã em Aveiro, o Beira-Mar.
Ficha de Jogo:

Jogo realizado no Estádio José de Alvalade Séc. XXI, em Lisboa
Quarteto de arbitragem composto por: Paulo Baptista (Árbitro Principal); Valter Pereira e José Braga (Árbitros Assistentes); Luís Reforço (Quarto Árbitro)

Sporting (4-3-3): Rui Patrício; Miguel Lopes, Marcos Rojo, Tiago Ilori e Joãozinho; Rinaudo, Eric Dier e Adrien (Carrillo 74'); Diego Capel (Fokobo 79'), Van Wolfswinkel e Labyad (Bruma 60').
Treinador: Jesualdo Ferreira. Suplentes Não Utilizados: Marcelo; Cédric, Zezinho e Gael Etock.

FC Porto (4-3-3): Helton; Danilo, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Fernando, Lucho e Defour (Liedson 82'); Varela (Atsu 66'), Jackson Martínez e Izmaylov (James Rodríguez 56').
Treinador: Vítor Pereira. Suplentes Não Utilizados: Fabiano; Abdoulaye, Castro e Sebá.

Disciplina:
Amarelos: Izmaylov 37'; Marcos Rojo 43' e 77'; Carrillo 80'; Maicon 80'; Fernando 86'; Miguel Lopes 89'; Bruma 90'.
Vermelhos: Marcos Rojo 77'.

Marcador: Nada a assinalar.

Espanha: Real volta a derrotar Barcelona

Depois de na terça-feira ter vencido em Camp Nou por 3-1 para a Taça do Rei, o Real Madrid voltou este sábado a derrotar o Barcelona, desta feita para a Liga.
Os merengues, com Ronaldo e outros titulares no banco, e com Pepe a trinco, venceram por 2-1, depois de terem estado em vantagem por 1-0.
Esperava-se um jogo aborrecido, e foi nesta toada que logo aos seis minutos a formação da casa chegou ao golo por Benzema, após assistência de Morata.
O Barça procurou reagir, e embora sem criar oportunidades para marcar, apoderou-se da bola e acercou-se da baliza merengue. Ao minuto 18', Messi teve espaço para progredir, e com a marcação de Sergio Ramos, rematou para o empate.
Até ao intervalo, destaque apenas para um cabeceamento do jovem Morata à malha lateral.
Messi 'reapareceu em público' este sábado em Madrid, e teve uma boa chance para fazer o 1-2 logo nos primeiros minutos do segundo tempo, acabando por consentir o corte da defensiva blanca.
Mourinho respondeu com Khedira e Ronaldo em simultâneo, e o internacional luso acertou com duas bolas nos ferros na marcação de dois livres directos, um dos quais aos 88' minutos.
Antes disso, já o jogo tinha entrado numa fase mais durinha, com Pérez Lasa a ser 'obrigado' a usar os cartões, neste caso o amarelo, para impedir uma futura 'guerra' dentro de campo.
Num jogo tão morno e parado, seria um lance de bola parada a resolver a contenda a sete minutos dos noventa: canto de Modrić, Sergio Ramos a saltar mais alto que toda a gente, e a fazer o 2-1 para o Real Madrid.
Em desvantagem, um Barcelona claramente em crise, pelo menos anímica, foi 'para cima' do Real à procura do empate, e no último minuto de compensação ficou a pedir penalti: Adriano entrou na área e foi derrubado por Sergio Ramos.
Pérez Lasa fechou os olhos, o Real venceu e sucedeu-se uma dura 'luta verbal': Iniesta protestou, Piqué pediu para 'prenderem' o árbitro, e Valdés foi mais longe que os colegas, acabando expulso.
A vida em Barcelona não está fácil, e a Liga dos Campeões está por um fio, depois da derrota clara sofrida em Milão, frente ao AC Milan. Ainda sobre a Liga dos Campeões, o Real Madrid decide na próxima terça-feira o seu futuro na prova.
Ficha de Jogo:

Jogo realizado no Estádio Santiago Bernábeu, em Madrid - Espanha
Árbitro Principal: Pérez Lasa

Real Madrid (4-3-3): Diego López; Essien, Varane, Sergio Ramos e Fábio Coentrão (Arbeloa 69'); Pepe, Kaká (Khedira 57') e Modrić; Callejón, Benzema (Ronaldo 57') e Morata.
Treinador: José Mourinho. Suplentes Não Utilizados: Adán; Ricardo Carvalho, Özil e Higuaín.

Barcelona (4-3-3): Valdés; Dani Alves, Piqué, Mascherano e Jordi Alba; Busquets, Iniesta e Thiago Âlcantara (Tello 85'); David Villa (Alexis Sánchez 67'), Messi e Pedro (Adriano 77').
Treinador: Jordi Roura. Suplentes Não Utilizados: Pinto; Puyol, Alex Song e Fàbregas.

Disciplina:
Amarelos: Sergio Ramos 51'; Jordi Alba 55'; Piqué 58'; Fábio Coentrão 61'; Thiago Âlcantara 64'; Morata 68'; Dani Alves 90+1; Arbeloa 90+2'; Iniesta 90+2'; Valdés 90+4'.
Vermelhos: Valdés - Final do jogo.

Marcador: 1-0 Benzema 06'; 1-1 Messi 18'; 2-1 Sergio Ramos 83'.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Entrevista a: Bruninho

Bruno Cristiano Pereira Ferreira, nasceu no Porto a 4 de Junho de 1985.
Sete anos depois, Bruninho, como é conhecido no Mundo do futebol, entrou para a formação do Boavista, e por lá ficou durante doze temporadas consecutivas.
Presença assídua na Selecção da AF Porto a partir do escalão sub-15, o momento alto da formação de Bruninho, deu-se quando se sagrou campeão Nacional de Juniores em 02/03.
Na passagem para o escalão sénior, acabou por terminar a ligação ao Boavista, e seguiu para o Candal, onde esteve três temporadas, e por quem festejou uma subida de divisão.
De seguida, representou o Canidelo por duas temporadas, mudou-se para o Progresso, onde esteve meia época, e terminou essa temporada - 09/10 - como campeão distrital ao serviço do Custóias, clube que serviu também durante a primeira metade da época 10/11.
Transitou para o Serzedo, onde voltou a festejar nova subida, e foi ao serviço do emblema gaiense que esteve durante toda a época passada.
Actualmente, representa o Oliveira do Douro no escalão maior da AF Porto e, simultaneamente, é um dos responsáveis pelos 'Oliveirinhas', a escola de formação do clube oliveirense.
Joga a médio centro, podendo também actuar como médio ofensivo ou médio esquerdo.

ConversasRedondas: Jogou doze anos no Boavista. Ainda se recorda do primeiro treino e do porquê da escolha deste clube para começar a jogar futebol?
Bruno Cristiano: Lembro-me desse dia como se fosse hoje. Um sábado de manhã, uma manhã nublada e eu cheio de vontade de correr e chutar uma bola. Quando o meu Pai me deixou à porta do balneário, começou aquele friozinho na barriga, as pernas a tremer, e um choro enorme de medo. Voltei para trás, e perdi a coragem em segundos quando me deparei com mais de duzentos meninos da minha idade à procura do sonho, e eu sem conhecer ninguém. Ainda falei uns bons minutos com o meu Pai, e ele deu-me a coragem necessária para voltar e ir treinar. Nessa altura, o treinador das escolinhas era o mister Jaime Garcia, um Homem que deixou muita saudade, fomos divididos em grupos de doze e fizemos jogos de 6x6. A meio do treino ouvi o mister dizer “miúdo, miúdo, anda aqui”. E eu lá fui, cheio de medo e todo envergonhado, quando ele me diz “na segunda feira tens de trazer o teu BI e quatro fotografias”. Na altura, não liguei muito aquilo que ele me estava a pedir, nem sabia o porquê de ele me pedir isso, porque eu queria era voltar para o treino e continuar a chutar uma bola. Mais tarde, quando disse ao meu Pai que eles me tinham pedido o BI e as fotos, ele disse-me “parabéns, vais ser jogador do Boavista”. É um dia que jamais esquecerei, pois sei que foi um motivo de orgulho muito grande para o meu Pai. O porquê do Boavista?! Foi onde cresci, jogava à bola com os meus amigos de infância das 8h da manhã as 20h da noite, pelo que foi uma infância fantástica. Um dia ao jantar, todo suado, o meu Pai disse-me que ia haver captações no Boavista e que me ia levar lá, e eu fiquei ansioso por esse dia e a escolha foi feita assim.

CR: Foi campeão nacional de Juniores pelo Boavista, mas dessa equipa, apenas seis jogadores chegaram à I Liga, e quase todos com passagens fugazes. O que falhou para não entrar neste lote?
BC: O que falhou comigo, falhou com muitos miúdos que fazem a transição de Júnior para Sénior sem um acompanhamento de um empresário ou algo do género. Não é por falta de qualidade, nem por falta de trabalho, porque o nosso plantel de Juniores fazia inveja a muitas equipas de I Liga, mas como sabes e toda a gente sabe, a aposta na formação em Portugal nunca foi muita, e talvez por isso, é que desse plantel só tenham chegado seis ao topo.

CR: Da formação do Boavista saiu para o Candal, que na altura disputava a I Divisão Distrital da AF Porto. Porquê esta opção? Não teve convites dos Nacionais?
BC:  Como disse na resposta anterior, é difícil, aliás, é muito difícil a transição de júnior para sénior sem um acompanhamento. É como estares num labirinto e não saberes por onde ir. No meu último ano de júnior, no meu último treino pelo Boavista, foi comunicado que o nosso ciclo com o clube tinha chegado ao fim e que podíamos procurar outro clube. Tive convites dos Nacionais, é uma verdade que tive, nomeadamente do Pedras Rubras que nessa altura estava na II Divisão B com o Mister Chaló, do Avanca que na altura estava na III Divisão e tinha lá muitos jogadores que jogaram contra mim pelos Juniores do Beira-Mar, e do Valonguense que também estava na III Divisão. O que falhou, foi o medo de ir, o medo de arriscar. A minha vontade era jogar com os amigos, mesmo que fosse perder muito dinheiro. Sabia que a maior parte deles ia para o Candal, um clube que o Boavista tinha alguma ligação e colocava muitos jogadores nos Juniores. E assim foi, quando já estava a pensar desistir de jogar, ligaram-me do Candal. Se me arrependo de ter ido para lá? Não posso dizer que sim, porque foram anos fantásticos. Se me perguntares se hoje voltava a ter a mesma escolha, não voltava, porque se tivesse arriscado, não sei até onde podia ter ido.

CR: O Candal subiu facilmente à Divisão de Honra, e o Bruninho foi uma das figuras da equipa com doze golos marcados. Depois disso, continuou no Candal por mais dois anos. Acreditou no projecto do clube ou não teve convites mais aliciantes?
BC: Foi sem dúvida uma época fantástica, onde fiz grandes amigos, grandes amizades. Depois dessa época sim, tive vários convites para sair. Para além de acreditar no projecto do clube, sentia que estava em dívida com o Candal, um clube que me recebeu de abraços abertos, e que tudo fez para me manter nas épocas seguintes. Só guardo boas recordações do Candal.

CR: Depois de três épocas no Candal, mudou-se para o vizinho e rival Canidelo, onde jogou durante duas temporadas. Porquê esta mudança? Tinha chegado um fim de ciclo no Candal?
BC: Depois dessas três épocas fantásticas, a direção do clube mudou, e eu senti que talvez fosse o fim de um ciclo. Nessa época depois de jogar contra o Canidelo, o presidente Abílio Novais perguntou se havia alguma possibilidade de eu jogar no Canidelo na próxima época, e como confiava muito nele e sabia que era um Homem do futebol, que me podia ajudar a crescer, depois de uma conversa com ele, nem hesitei e fui para o Canidelo.

CR: Nesses dois anos em que representou o Canidelo, o clube teve bons plantéis, mas não foi além do oitavo lugar, e no ano seguinte, esteve mesmo quase a descer de divisão. O que se passou?
BC: É verdade, toda a gente esperava muito do Canidelo nesses dois anos, tinhamos, sem dúvida, dos planteis mais forte da nossa divisão, um grupo com muita qualidade e bem orientado pelo mister Amorim e mais tarde pelo mister Amarante, um Homem com H grande, e talvez uma das pessoas que mais me marcaram no futebol. Mas era um grupo jovem, um grupo ao qual faltava alguma experiência nos momentos decisivos, e acho que esse foi o principal factor para não ter feito épocas nos primeiros lugares.

CR: Do Canidelo mudou-se para o Progresso, que em 09/10 chegou a ser a revelação da Divisão de Honra. Contudo, a produção do clube cairia a pique, e o Bruninho acabaria por sair a meio da temporada. O que provocou este ‘desgaste’ e a sua posterior saída?
BC: Nesse ano em que me mudei para o Progresso, dei uma alegria enorme ao meu Avô, o meu querido Avô que jogou e treinou o Progresso vários anos. Estávamos a fazer uma época de sonho num clube com poucas condições, um clube que nem campo tinha para jogar em casa, e estávamos nos três primeiros lugares com o Sousense e Alpendorada. Entretanto começou a falhar muita coisa no clube, a nível financeiro foi pago o primeiro mês e nada mais, mas o que não falhava era o apoio dos adeptos e, por isso, foi dos clubes que mais gozo me deu em jogar. A saída de mais de metade do plantel deixou marcas. Quando saímos, o Progresso estava em terceiro lugar e precisava de nove pontos para garantir a manutenção, e acabou por descer.
CR: Completaria essa temporada no Custóias, que jogava na I Divisão, e veio-se a revelar como uma das figuras preponderantes de uma equipa que se sagrou campeã nessa mesma época. Sem olharmos ao campeonato como ele acabou, esta era mesmo a melhor opção para prosseguir a carreira?
BC: Tive mais alguns convites para sair além do Custóias, alguns de divisões superiores e outros da mesma. Mas acreditei no projecto que o mister Manuel Pinheiro me apresentou, pois era um clube em crescimento, um clube que tinha recebido muito dinheiro e que podia crescer num curto espaço de tempo. Acabei por ir para lá com o Félix, com o Pacheco e com o Carlos, todos eles ex-Progresso. E foi onde demos continuação a grande época que estávamos a fazer, conseguindo o objectivo do clube, que era a subida de divisão.

CR: Na temporada seguinte, fez mais meia-época no Custóias, tendo saído numa altura em que a equipa estava estável no campeonato. Porquê esta decisão?
BC: Mais uma vez por problemas financeiros, e nesse ano só tenho que agradecer ao mister Manuel Pinheiro por me ter deixado sair em Dezembro. Disse-lhe que tinha um projecto mais uma vez para subir de divisão, e ele abriu-me as portas.

CR: Voltou ao concelho de Vila Nova de Gaia, desta feita para o Serzedo, conquistando nova subida de divisão. Esperava um regresso a Gaia tão feliz como o que teve?
BC: Sinceramente, esperava. Esperava porque sabia da qualidade que existia no Serzedo, falava várias vezes com o Ricardinho e ele sempre me dizia que o objetivo passava claramente pela subida de divisão. E foi meia época de grande qualidade.

CR: Na temporada passada, o Bruninho continuou no Serzedo, e o clube foi uma das grandes surpresas da Divisão de Honra. Qual foi o ‘segredo’ para tão boa época?
BC: O segredo estava na qualidade, no empenho e na dedicação que todos os domingos se punha em prática. Era um grupo com muita qualidade, e dou aqui um exemplo, porque merece ser dado: o Bruno Cruz que está no Sobrado, é um senhor dentro e fora de campo, uma das pessoas mais puras com quem tive o prazer de partilhar o balneário.

CR: Esta época mudou-se para outro clube gaiense, o Oliveira do Douro. Porquê nova mudança? Quais os objectivos que o clube traçou para esta temporada? Está muito perto do segundo lugar...
BC: A mudança para o Oliveira do Douro foi fácil. É mais um projecto que acredito que tem tudo para dar certo, pois estão pessoas à frente do clube de muita confiança e que trabalham que se fartam, para que não nos falte nada. Tem sido meia época fantástica, a adaptação foi muito fácil. Dos melhores grupos de trabalho que apanhei e com um capitão de topo, Rómulo, que nos ajuda bastante e só tem boas dicas para dar aos mais novos. O que mais me marcou foi a saída do mister Heitor, pois talvez tenha faltado aquele clique, aquela 'pontinha de sorte' em alguns jogos. É um treinador jovem, mas com muita qualidade para dar, e um Homem que sabe o que quer e que defende o seu grupo até não poder mais. Os objectivos passam claramente por ficar nos sete primeiros lugares, mas estamos perto do segundo lugar, é um facto, e é ai que gostamos de andar: perto dos primeiros e pensar jogo-a-jogo.

CR: Em Oliveira do Douro, além de ser colega de Rómulo, que jogou vários anos no Gondomar e na Segunda Liga, voltou a partilhar o balneário com Isidro e Hélder Calviño, jogadores com quem se sagrou campeão Nacional de Juniores. Como foi reencontrá-los passados estes anos, embora num lugar que, certamente, estaria longe das vossas previsões?
BC: É sempre bom reencontrar amigos seja onde for, e este ano, tenho a sorte e o prazer de partilhar o mesmo balneário que eles. Tenho uma relação muita boa com o Isidro e com o Calviño, são grande amigos, e são duas pessoas fantásticas, que sabem estar e com quem sei que posso sempre contar. O Rómulo foi aquele que mais me surpreendeu pela positiva, tanto como jogador como pessoa, pois é do melhor que já vi. Com a idade que ele tem, jogar onde já jogou, e trabalhar da forma humilde e séria como ele trabalha, só merece o respeito de todos e uma grande consideração. Só tem um defeito, é ser portista. (risos)

CR: Oliveira do Douro e Candal têm uma grande rivalidade. Jogou três anos no Candal e subiu de divisão lá, mas isto não bastou para que ficasse ‘imune’ a essa rivalidade, tendo tido alguns problemas no último jogo entre as duas equipas. O que se passou ao certo?
BC: Faz parte do futebol. Sei as amizades que fiz no Candal, sei com quem posso contar, mas também sei do que algumas pessoas são capazes, por isso não fiquei nada admirado com algumas atitudes. O Candal é um clube que me vai marcar sempre pela positiva. Sem dúvida nenhuma que o Candal é um dos melhores clubes de Gaia.

CR: Tem vinte e sete anos, fez a formação toda no Boavista, foi campeão nacional, mas nunca jogou nos Nacionais. Porquê?
BC: Como disse, é certo que tive convites para jogar no Nacional, e ainda agora em Dezembro tive, mas sinto que a Divisão de Honra nada fica atrás da III Divisão Nacional, e não vou jogar num clube que não vou ter prazer e não vou evoluir, só para dizer que jogo no Nacional, isso não. Se surgir um convite que seja interessante e com um bom projecto, aí sim, não vou olhar para trás. E acredito que vai surgir, pois tenho os meus objectivos definidos, sei aquilo que quero, e não vou desistir disso.

CR: Nove anos de sénior, sete épocas e meia passadas em clubes de Gaia, quatro clubes diferentes. O que o ‘atrai’ em VN Gaia?
BC: É uma boa pergunta, isso acontece talvez por ser uma boa referência em Gaia e deixar uma boa imagem por onde passo. Quero acreditar que seja isso e é para isso que trabalho todos os dias de uma forma séria e exemplar, para que nunca tenham nada a apontar ou a dizer de mal sobre a minha pessoa.

CR: Esta temporada está como treinador dos ‘Oliveirinhas’, a escola de formação do Oliveira do Douro. Está a gostar da experiência? Já se vê como treinador principal de séniores?
BC: Estou a adorar a experiência. Sinto que é uma passagem de testemunho, mas todos os dias sinto que eu é que aprendo cada vez mais com eles. É um prazer ver a evolução deles de dia-para-dia. Sim, treinar os Seniores é um sonho que tenho. Mas para já penso jogar ainda mais uns bons anos.
Questões rápidas.
CR: Se pudesse, o que mudava na sua carreira?

BC: O medo de ir, o medo de arriscar, vou ficar sempre com isto na cabeça. E se eu tivesse arriscado?!

CR: Em Custóias, na fase final da pré-temporada de 10/11, viu Derlei, um colega de equipa, falecer de uma forma estranha. Como reagiu o grupo?
BC: Foi dos momentos mais tristes desde que jogo futebol. Foi um choque enorme para o grupo, mas todos ficámos com a lembrança do sorriso que o nosso amigo Derlei trazia com ele.

CR: Jogou doze anos no Boavista FC. Como vê a situação atual do clube, e que expectativas tem para o futuro do mesmo?
BC: O Boavista é um clube que faz falta ao futebol Português, espero que seja feita justiça e que o Boavista possa estar de volta aos grandes palcos o mais rápido possível, porque é onde merece estar.

CR: Além de, como já referi, jogar com um jogador com a experiência de Rómulo, foi colega de Jorginho e Luizão no Custóias, também eles dois jogadores habituados aos palcos profissionais. Consegue descrever estes três jogadores numa só palavra?
BC: Profissionais.

CR: Aparece numa fotografia à entrada do estádio do Candal, festejando um golo. De que forma o clube marcou a sua carreira?
BC: O Candal marcou e muito a minha história no futebol, é sem dúvida um clube pelo qual tenho muito carinho, e um clube que me vai marcar para sempre pelas amizades e pelos bons momentos que lá passei.

CR: É capaz de eleger um 11 formado por companheiros de equipa? (Actuais e/ou passados)
BC: Não é justo eleger apenas um onze, joguei com tantos bons jogadores e acima de tudo grandes homens. Mas fica aqui um onze, com mais estas opções: Ricardo, Pereira, Isidro, Óscar, Steven, Fábio Miranda, Maki, Serginho, Pacheco II, Ramalho, Paulo Figueiredo, Miguel Neves, Napoleão e Bruno Mendes.
1 - Pinheiro: Jogou comigo no Boavista, um grande amigo, um grande guarda-redes.
2 - Pacheco: Joga no Pedras Rubras, dos melhores laterais direitos com quem joguei e um grande amigo.
3 - Bruno Cruz: Joga no Sobrado, é um senhor dentro e fora do campo. Um exemplo para qualquer um.
4 - Rómulo: Joga comigo no Oliveira do Douro, é como o Vinho do Porto, quanto mais velho, melhor. Talvez o central que podia ser dez, nunca vi tanta qualidade num central. Um grande amigo e um grande Capitão.
5 -Luizão: Jogou comigo no Custóias. Muita humildade, trabalho e dedicação. Mais um bom exemplo do que é ser um grande profissional.
6 – Berto Barek: Joga no Viseu Futsal, e não podia deixar de fora o meu primo, pois foi com ele que eu aprendi a jogar futebol. É, sem dúvida, um ídolo e uma referência para mim. Trata a bola como ninguém.
7 - Ricardinho: Joga no Pedras Rubras, finalizar é com ele. Nunca vi igual. Mais um grande amigo de infância.
8 - Ricardo Félix: Jogou comigo no Boavista, e actualmente joga no Pedras Rubras. Muito forte no um-para-um, encara a defesa contrária com muita facilidade. É um prazer ver a forma como ele trabalha nos treinos e jogos.
9 – Pedro Tavares: Jogou comigo no Candal e joga no Coimbrões, um pequeno grande jogador, um pequeno grande homem. Um AMIGO.
10 - Calviño: Jogou comigo no Boavista e agora tenho o prazer de voltar a jogar com ele no Oliveira do Douro. É o melhor número dez com quem tive o prazer de jogar. Um bom amigo.
11- Hugo Figueiredo: Joga comigo no Oliveira do Douro, e não me surpreendeu. É um matador, se estás a precisar de golos, é ele que os faz. Parece fácil a forma como ele os faz, mas fica só no 'parece fácil', porque ou se nasce com esse dom ou não.

O "Conversas Redondas" agradece a Bruninho o tempo despendido para esta entrevista, bem como faz votos para que tudo lhe corra bem, tanto na vida desportiva como na vida pessoal.

Pode ver o trajecto de Bruninho, aqui.