terça-feira, 28 de maio de 2013

Capela: "Nunca atirámos a toalha ao chão"

(Plantel do Sp. Espinho teve uma época complicada, mas acabou em quarto lugar.)
Depois de ter ficado muito perto de subir à II Liga na época passada, o histórico Sp. Espinho obteve esta temporada o quarto lugar, também na Zona Centro da II Divisão, numa época recheada de problemas, principalmente a nível de questões salariais.
Apesar disto, o 'Tigre da Costa Verde' parece dar-se bem com os problemas que todos os anos lhe aparecem, como provam as duas últimas classificações que alcançou.
O Conversas Redondas falou com Capela, avançado e melhor marcador dos espinhenses, que aponta o trabalho como 'segredo' da época, mas refere que não foi um 'trabalho qualquer':
"Posso dizer que o trabalho foi a chave do segredo, mas não foi um trabalho qualquer. Foi um trabalho orientado por uma pessoa como eu nunca vi no Mundo do futebol. Nesse caso, o mister Fernando Valente foi essencial para ultrapassarmos todas, ou quase todas, as adversidades. Faltava-nos quase tudo, quase tudo mesmo. Tivemos, inclusive, casos no limiar da fome. Como era normal, a certa altura, as opções que nos restavam era sair do clube, ou então mesmo naquelas condições, aceitar ficar. E a partir do momento em que a maioria aceitou ficar, aí sim só nos restava uma coisa: trabalhar, e consequentemente, darmos o melhor de nós, pois sabíamos que só assim podíamos aspirar a algo bom. A nível psicológico, o treinador também retirou sempre o melhor de cada um, mas o facto da equipa ser jovem e os jogadores terem aspirações, claro que também ajudou a 'segurar o barco'. O amor ao clube em detrimento de outras condições, ajudou a que a equipa se mantivesse unida, e uma equipa unida vale sempre mais. Se a tudo isto quiserem chamar 'segredo', então, para mim, este foi o 'segredo'."
A três jornadas do fim, o Sp. Espinho visitava o terreno do líder Ac. Viseu, estando a três pontos dos viseenses, que lideravam de forma isolada. A derrota arrumou definitivamente com os Tigres da discussão da subida, e para o avançado, as coisas poderiam ter corrido de forma diferente, caso o plantel não fosse constantemente assolado por vários problemas:
"Os problemas que tivemos sem dúvida que nos afectaram ao longo do campeonato, e deixaram, por vezes, marcas enormes em alguns jogos. Tivemos semanas onde as discussões eram muito intensas, e nos desviavam do essencial, que era treinar. Nas visitas ao São João de Vêr e ao Cinfães, sofremos duas derrotas por 3-0, com exibições pálidas da nossa parte, e que são o espelho dessas semanas onde o nosso foco estava desviado. Isso claro que deixa sempre a pensar "e se não tivéssemos esses problemas, e pudéssemos estar 100% concentrados no essencial, será que seria diferente?" No entanto, nunca atirámos a toalha ao chão, demos sempre a volta mesmo em cima de falsas promessas que nos eram feitas por responsáveis do clube. As condições faltaram sempre, mas se faltasse a união aí estava tudo perdido, e nesse sentido fomos sempre muito fortes, mas conscientes das nossas limitações dentro e fora de campo. Em relação à luta pela subida, penso que podíamos ter lutado mais um pouco se as condições realmente fossem melhores. Por exemplo, no dia do jogo em Viseu, chegámos ao Estádio do Fontelo já passava das três da tarde, e o jogo era às quatro, a chegada foi algo atribulada, e o Ac. Viseu, segundo sei, estava num hotel a preparar minuciosamente o jogo. Claro que são coisas pequenas, mas se pudéssemos ter ido um dia antes e ficar num hotel mais descansados, será que não poderíamos ter feito melhor? Não tenho a certeza, como é lógico, mas talvez fosse possível. Claro que isto tudo são 'ses', mas os 'ses' são legítimos. Aproveito para felicitar o Ac. Viseu, que tinha uma grande equipa, tem um belo estádio, e teve uma cidade a apoiar e a criar um ambiente fantástico para que o clube chegasse onde chegou."
Na escolha dos pontos-chave da época, Capela destaca a boa temporada realizada pelo plantel apesar das já citadas dificuldades:
"O ponto alto da época para a equipa, é o triunfo em casa sobre o Pampilhosa, onde ficamos com a possibilidade de discutir o primeiro lugar. Mas a época em si já foi enorme por tudo o que fizemos. Havia jogadores de outras equipas constantemente a dar-nos os parabéns pelo nosso desempenho, e isso era muito gratificante. Pontos baixos infelizmente foram alguns, as derrotas, principalmente nas últimas três jornadas, onde a equipa praticamente já tinha dado tudo, e após perder no Fontelo, aquilo que ainda nos alimentava acabou, que era o sonho do primeiro lugar."
No segundo ano ao serviço do Sp. Espinho, Capela realizou trinta jogos, vinte e nove como titular, tendo apontado treze golos, sagrando-se o melhor marcador da equipa. A época em termos pessoais foi, por isso, produtiva:
"Esta foi a minha segunda época no SC Espinho, e o clube em geral não sabia bem o que podia contar comigo, uma vez que no primeiro ano mal joguei devido a alguns desentendimentos com a equipa técnica. Ainda assim, voltaram a apostar em mim, e penso que não estão arrependidos. A época foi produtiva. Comecei com golos, depois tive uma quebra física que baixou o meu rendimento, mas após alguns ajustes voltei em força, e dei tudo pelas cores do Sp. Espinho, e essencialmente pelos meus colegas e equipa técnica, que sempre acreditou que o 'melhor ainda estava para vir'. E assim foi, com um momento inesquecível, que foi o segundo golo contra o Pampilhosa. Por isso estou contente com a minha prestação, claro que 'aqui e ali' podia ser melhor, mas estou satisfeito."
Quanto à próxima época, o avançado revela que ainda não sabe qual será o seu futuro, mas não esconde o desejo de jogar nos campeonatos profissionais ou até no estrangeiro:
"O futuro está em aberto. A II Divisão infelizmente acaba muito cedo, muitos dos clubes profissionais não têm a situação resolvida, e a III Divisão ainda não acabou. Gostava de ter uma oportunidade no futebol profissional, sem dúvida, ou até mesmo no estrangeiro, mas para já ainda nada está definido. Vou esperar pela melhor oportunidade, não só financeira, como também desportiva."
Aos 27 anos, Capela cumpriu então a segunda temporada ao serviço do Sp. Espinho, depois de ter sido formado no U. Lamas, clube por quem se estreou como sénior, ainda com idade de júnior. Posteriormente representou FC Marco, Sanjoanense, Esmoriz, Pampilhosa, Coimbrões, Candal e AD Oliveirense, antes de chegar aos 'Tigres' em 2011.

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