sexta-feira, 17 de maio de 2013

Paulo Campos: "Sentimos que estávamos a representar o quarto grande"

(Há quatro temporadas no Boavista, Paulo Campos é o segundo na hierarquia dos capitães.)
As palavras são de Paulo Campos, sub-capitão do Boavista, que falou ao blogue sobre a época algo irregular dos axadrezados na Zona Norte da II Divisão.
Uma troca de treinador à quarta jornada, e uma certa irregularidade nos resultados, fizeram com que o Boavista terminasse a prova na décima posição, o pior registo desde que em 09/10 os portuenses caíram no terceiro escalão do futebol luso.
Paulo Campos começou precisamente por explicar essa tal irregularidade da equipa, destacando o lançamento de jovens da 'cantera' axadrezada, tal como o facto do grupo ter começado a recuperar a todos os níveis com a passagem de Petit para treinador:
"Realmente o nosso início não foi o desejado. Exibições menos conseguidas ditaram o alargamento pontual para os clubes do cimo da tabela. Após a mudança da equipa técnica, iniciamos uma recuperação consistente. Jogo após jogo, a equipa dava amostras de auto-confiança. Jogadores que até à data não estavam a corresponder, conseguiram com maior rigor, maior exigência individual e colectiva, mostrar o seu real valor. A Zona Norte é a mais competitiva das três zonas, e foram muitos os clubes a apostar forte na subida de divisão, aliado também ao facto desta época ser a última da III Divisão Nacional, e os clubes que descessem, irem directamente para os Distritais. Todos estes factores, serviram de catalisador para que se intensificasse ainda mais a luta pela subida e pela permanência. Depois do começo negativo, foi muito difícil recuperar o comboio da frente da tabela classificativa. Depois do jogo em Mirandela, que perdemos 1-0, ficamos a onze pontos do primeiro lugar e arredados da luta pela subida. O mister começou a efectuar alterações no onze, e a dar oportunidade a novos valores, jovens com enorme qualidade e com um futuro repleto de sucesso. Posso citar alguns nomes: Carraça, Cláudio Lopes, Tiago, Miguel Cid, Pedrinho e Rúben Alves."
O lateral/extremo-direito dos axadrezados, refere que o objectivo do clube nunca foi outro a não ser a manutenção, mencionando também o que mudou com a troca de Amândio Barreiras por Petit:
"O objectivo do clube, não era mais do que a manutenção, o que foi garantido de uma forma prematura e nunca esteve em causa. Claro que iriamos entrar em cada jogo para vencer e discutir o resultado. O mister Amândio é um bom treinador, uma excelente pessoa, mas não conseguiu fazer com que o grupo, principalmente os mais novos e inexperientes, percebessem a responsabilidade de representar o Boavista como Seniores. A camisola ao xadrez é 'pesada', pois tem nela uma história como pouquíssimos clubes têm em Portugal. Com o Petit, veio maior responsabilização individual, maior responsabilização colectiva, percepção por parte de todos das dificuldades, mas também da honra que é representar o Boavista Futebol Clube. A mensagem entrou bem, a intensidade e competitividade dos treinos e dos jogos era outra, pois deixou-se de sentir que se estava a jogar no Boavista da II Divisão B, e começou-se a sentir que estávamos a jogar no quarto maior clube português."
Na escolha dos momentos mais marcantes da época, Paulo Campos refere o 'dar a conhecer' da grande qualidade que o plantel tinha, como o ponto mais alto:
"O aspecto negativo da época, foi a derrota em Mirandela, e afastamento definitivo da luta pelo primeiro lugar. O ponto alto da época, foi dar a conhecer a enorme qualidade de um plantel, que o mundo do futebol conotava como fraco e condenado à descida de divisão."
Com três golos marcados em vinte e quatro jogos, Paulo Campos considera que fez uma época positiva, até porque não sofreu nenhuma lesão grave:
"A nível pessoal a época foi positiva, dado que não sofri nenhuma lesão grave. Servir o meu clube e estar disponível para tudo, foi a minha preocupação. Os altos e baixos de forma são normais no futebol. Quando estamos bem, tudo parece simples, quando as coisas não estão tão bem, temos que ter capacidade para minimizar a probabilidade de errar e ter argumentos para contornar as dificuldades. Temos que entender os defeitos e valorizar as virtudes."
Aos 36 anos, e depois de passagens por Castêlo da Maia, Dragões Sandinenses, Machico, Lusitânia, Sp. Espinho, Sanjoanense, Esmoriz e Sp. Covilhã, Paulo Campos representa o Boavista desde a temporada 09/10, tendo feito uma ligeira interrupção neste trajecto na temporada passada, quando saiu em Janeiro para representar o Mondercange do Luxemburgo.

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