(Para Alexandre Fernandes, Lucho foi o jogador do ano, e carregou o Porto 'às costas'.)
Quando em Janeiro deste ano, Lucho González aterrou sorridente no
aeroporto Francisco Sá Carneiro, de gorro na cabeça, óculos da moda, com
a mulher e os filhos, vindo, praticamente, como um renegado do
Marselha, muitos, inclusive portistas - pelo menos os mais racionais -,
apesar de todo apreço pelo passado do argentino no FC Porto, temeram
pela utilidade e principalmente, oportunidade da contratação. Recordo-me
que se suscitaram imensas dúvidas quanto à condição física do
internacional das 'pampas' e que se elogiou, sobretudo, o papel de líder
de balneário que o 'El Comandante' estaria habilitado para exercer, numa
nau, que na altura, se encontrava estranhamente à deriva, ou seja, nos
antípodas do que é usual na mega elogiada estrutura azul e branca. Em
suma, desprezou-se um pouco o sumo futebolístico de Lucho e exaltou-se,
essencialmente, o lado mais humano do atleta.
Na altura, os campeões
nacionais tinham acabado de cair, de uma forma pouco menos que
humilhante, defronte do Gil Vicente e encontravam-se com cinco pontos de
atraso para um motivadíssimo Benfica de Jorge Jesus. O meio-campo
portista, até aí - constituído por Fernando, João Moutinho e
Belluschi…ou Guarín (já com a cabeça fora do Porto), ou Defour - era um
enfadonho tricotar de passes curtos e previsíveis, apenas potenciado
pela capacidade individual de James e Hulk, que lá na frente de ataque,
iam conseguindo manter o Benfica a uma distância visível. Ao futebol de
pose, tão do agrado do técnico Vítor Pereira, faltava a verticalidade e
improviso pelo centro, que no fundo são o garante de diferentes soluções
para atacar adversários que se fecham com alguma eficácia. Essa
verticalidade e improviso nenhum dos médios do Porto da altura poderia
afiançar até à chegada de Lucho. Muito mais do que a capacidade para
liderar um balneário, julgo que o grande contributo de 'El Comandante'
foi, efectivamente, o seu conteúdo futebolístico.
Lucho González, não
sendo um médio rompedor com bola, como é por exemplo, Pablo Aimar - outro dos grandes médios do futebol português -, tem a inteligência para
estar no espaço certo para receber o esférico e a capacidade técnica
para tomar a decisão em um ou dois toques. Sendo que, esta capacidade de
decisão do argentino portista, tem o 'up-grade' do golo. Lucho é um médio
concretizador e isso é muito, muito, importante. E foi, sem dúvida,
decisivo para que o Porto na época transacta, pudesse fazer o seu
trabalho de perseguição e, posteriormente, ultrapassagem a um Benfica em
queda no último terço da época.
Lucho é por estas razões o meu
jogador de 2012 a nível nacional, como poderiam ser James Rodriguez ou
Hulk, outros grandes obreiros da vitória portista na competição mais
importante a nível interno, a Liga Portuguesa. Contudo, escolho Lucho
também por toda a simbologia do seu futebol, marcado pela inteligência,
movimentação calculada, toque, sobriedade e contemporaneidade. Lucho é
uma espécie de atleta modelo do amanhã, pois combina um leque variado de
competências que nunca se esgotam por muito que o futebol mude de
feição. Jogadores como Lucho terão sempre lugar em qualquer equipa e,
principalmente, em qualquer tempo.
Autoria: Alexandre Fernandes.

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