sábado, 29 de dezembro de 2012

Jogador do ano: Lucho González

(Para Alexandre Fernandes, Lucho foi o jogador do ano, e carregou o Porto 'às costas'.)
Quando em Janeiro deste ano, Lucho González aterrou sorridente no aeroporto Francisco Sá Carneiro, de gorro na cabeça, óculos da moda, com a mulher e os filhos, vindo, praticamente, como um renegado do Marselha, muitos, inclusive portistas - pelo menos os mais racionais -, apesar de todo apreço pelo passado do argentino no FC Porto, temeram pela utilidade e principalmente, oportunidade da contratação. Recordo-me que se suscitaram imensas dúvidas quanto à condição física do internacional das 'pampas' e que se elogiou, sobretudo, o papel de líder de balneário que o 'El Comandante' estaria habilitado para exercer, numa nau, que na altura, se encontrava estranhamente à deriva, ou seja, nos antípodas do que é usual na mega elogiada estrutura azul e branca. Em suma, desprezou-se um pouco o sumo futebolístico de Lucho e exaltou-se, essencialmente, o lado mais humano do atleta.
Na altura, os campeões nacionais tinham acabado de cair, de uma forma pouco menos que humilhante, defronte do Gil Vicente e encontravam-se com cinco pontos de atraso para um motivadíssimo Benfica de Jorge Jesus. O meio-campo portista, até aí - constituído por Fernando, João Moutinho e Belluschi…ou Guarín (já com a cabeça fora do Porto), ou Defour - era um enfadonho tricotar de passes curtos e previsíveis, apenas potenciado pela capacidade individual de James e Hulk, que lá na frente de ataque, iam conseguindo manter o Benfica a uma distância visível. Ao futebol de pose, tão do agrado do técnico Vítor Pereira, faltava a verticalidade e improviso pelo centro, que no fundo são o garante de diferentes soluções para atacar adversários que se fecham com alguma eficácia. Essa verticalidade e improviso nenhum dos médios do Porto da altura poderia afiançar até à chegada de Lucho. Muito mais do que a capacidade para liderar um balneário, julgo que o grande contributo de 'El Comandante' foi, efectivamente, o seu conteúdo futebolístico.
Lucho González, não sendo um médio rompedor com bola, como é por exemplo, Pablo Aimar - outro dos grandes médios do futebol português -, tem a inteligência para estar no espaço certo para receber o esférico e a capacidade técnica para tomar a decisão em um ou dois toques. Sendo que, esta capacidade de decisão do argentino portista, tem o 'up-grade' do golo. Lucho é um médio concretizador e isso é muito, muito, importante. E foi, sem dúvida, decisivo para que o Porto na época transacta, pudesse fazer o seu trabalho de perseguição e, posteriormente, ultrapassagem a um Benfica em queda no último terço da época.
Lucho é por estas razões o meu jogador de 2012 a nível nacional, como poderiam ser James Rodriguez ou Hulk, outros grandes obreiros da vitória portista na competição mais importante a nível interno, a Liga Portuguesa. Contudo, escolho Lucho também por toda a simbologia do seu futebol, marcado pela inteligência, movimentação calculada, toque, sobriedade e contemporaneidade. Lucho é uma espécie de atleta modelo do amanhã, pois combina um leque variado de competências que nunca se esgotam por muito que o futebol mude de feição. Jogadores como Lucho terão sempre lugar em qualquer equipa e, principalmente, em qualquer tempo.

Autoria: Alexandre Fernandes.

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