sábado, 29 de dezembro de 2012

Treinador do ano: Marco Silva

(Marco Silva, treinador do sensacional Estoril, é o treinador do ano para Ricardo Nuno Almeida.)
A escolha do treinador do ano normalmente está bastante inclinada para o lado dos técnicos de um dos quatro grandes ou então para o líder da nossa selecção nacional, graças ao mediatismo do posto e ao facto de agradar a mais adeptos. Todavia este não é o caso de 2012, onde nem o campeão Vítor Pereira convenceu os seus sócios, nem os concorrentes Jesus ou Sá Pinto tiveram grandes motivos para celebrar, e nem o outsider Leonardo Jardim conseguiu quaisquer resultados concretos. Mesmo o joker Pedro Emanuel contrabalançou a histórica conquista da Taça de Portugal com prestações muito pobres para a Liga, enquanto Paulo Bento passou (e tem passado) por momentos difíceis antes e depois de um campeonato da Europa simplesmente épico e pelo qual merece todo o crédito e louvor. A escolha recai assim no jovem Marco Silva, que contra todas as expectativas tem conseguido uma estreia fulminante enquanto treinador principal e até já tem títulos no curriculo para exibir no futuro.
Ex-lateral direito, retirou-se do futebol no final de 2010/2011 enquanto capitão do Estoril Praia, deixando uma imagem de enorme profissionalismo e uma carreira digna com passagens fugazes pela I Divisão. O primeiro emprego pós reforma foi precisamente na mesma instituição, assumindo o desocupado cargo de director desportivo, mas acabaria por não durar muito tempo. Apenas dois meses mais tarde Vinicius Eutrópito foi dispensado do comando técnico da equipa de futebol, e fosse por questões financeiras ou por fé nas capacidades do jovem, para o seu lugar o presidente Tiago Ribeiro convidou o seu director desportivo. Estávamos então em finais de Outubro e o Estoril-Praia encontrava-se na décima quinta posição da tabela, em zona de despromoção, sendo o grupo caracterizado pela indisciplina e pela falta de rigor e de eficácia - um trabalho de risco.
Mesmo assim Marco Silva aceitou o apelo para sair do gabinete e trabalhar mais próximo do relvado, dando assim início a uma nova carreira. A comprovar a eficácia da escolha, no início de 2012 o Estoril já seguia no comando da classificação, de onde nunca mais viria a descer, praticando agora um futebol personalizado, inteligente, de controlo do jogo. Marco Silva havia já reformulado o onze e o modelo adoptado, implementando um 4-2-3-1 com o duplo-pivot no miolo e a mobilidade ofensiva como características mais distintivas. Entre vários outros detalhes reinventou Gonçalo Silva como um dos melhores médios da competição e soube potenciar o já reconhecido talento de Licá até outros patamares. Para além do título de campeões da II Liga, a equipa também se afirmou como a defesa menos batida, e nas distinções individuais Licá foi escolhido como o melhor jogador da competição, enquanto Vagner arrebatou o título de melhor guarda-redes.
Face aos resultados apresentados foi naturalmente convidado pela Traffic para se manter em funções para a nova temporada. Soube resistir à tentação ruinosa de mudar todo o plantel por atletas com mais experiência no principal escalão, segurando todas as peças relevantes da equipa-tipo e fazendo apenas contratações com grande critério, escolhendo nomes fortes e consensuais para posições carenciadas. E para encurtar a história, os resultados já estão bem à vista: no fechar deste ano a equipa está na sexta posição, bem longe da linha de água, e tem revelado ou confirmado muitos novos atletas no panorama nacional, valorizando activos para a Traffic explorar. Dentro de campo adoptou um novo modelo mais adequado às características da primeira liga, um 4-3-3 com alas bem abertos que apresenta uma atitude positiva e pratica um futebol de qualidade, assumindo a iniciativa de jogo sem se render a complexos de recém-promovido, e enfrentando olhos nos olhos qualquer adversário. E assim é, a par do Rio Ave, uma das sensações da prova - mas sem precisar do apoio de um super empresário como Jorge Mendes, apenas de atletas motivados e bem orientados.
Marco Silva, campeão da Honra e candidato às competições europeias em menos de um ano. É muito cedo para sequer arriscar até onde pode o jovem técnico, mas o início é auspicioso e é, por isso, o melhor treinador de 2012 para o Conversas Redondas. O próximo desafio é saber gerir o mercado de Inverno: Licá, Diogo Amado e Steven Vitória são apenas alguns dos atletas que estão com cotação muito em alta e que poderão ter de ser rapidamente substituídos. Depois ainda há outros degraus para subir, muitos jogos para vencer e, quem sabe, muitos outros títulos para conquistar.

Autoria: Ricardo Nuno Almeida.

Sem comentários:

Enviar um comentário