sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pedro Ladeira: Dos relvados para o futebol de rua

(Ladeira pressiona um jogador da Académica, em jogo da 29ª Jornada da Liga 03/04.)
Este é um daqueles casos de amor ao futebol, seja lá qual for a vertente. Pedro Ladeira representou o Beira-Mar no primeiro escalão do nosso futebol, mas a falta de oportunidades no clube aveirense, 'atiraram-no' para os escalões inferiores, até que este ano, a Selecção Nacional de Futebol de Rua, lhe 'bateu à porta' com um convite para jogar o Mundial no México.
O facto do agora jogador do Pampilhosa, da II Divisão Nacional, ter ajudado Aveiro a sagrar-se bi-campeão nacional de futebol de rua nos últimos dois anos, fez com que as portas da Selecção se abrissem para si.
Em entrevista ao blogue, Ladeira começou por falar acerca da sua adaptação ao futebol de rua:
"A adaptação não foi muito difícil, porque a base do futebol de rua, é o futebol que jogamos na infância, e também porque nos treinos de futebol de onze, por vezes fazemos jogos em espaços mais reduzidos. Depois é só transferir para o futebol de rua, aquilo que aprendemos no futebol de onze."
De seguida, o médio abordou a questão relacionada com o surgimento do futebol de rua na sua vida, bem como a oportunidade de representar Portugal no Mundial:
"Tomei conhecimento do futebol de rua, através da realização de torneios distritais no meu bairro, pois tive amigos que participaram e que me contaram que era uma boa experiência, quando iam representar o distrito de Aveiro a outras cidades. Depois de ter um 'feedback' positivo por parte desses amigos que participaram, aceitei participar também, defendendo assim as cores do meu bairro, e da instituição 'Florinhas do Vouga'. A minha participação contribuiu para que Aveiro se sagra-se logo bi-campeão nacional, a primeira vez em São Jacinto no ano passado, e a segunda vez este ano em Beja. Esta última participação, em Beja, fez com que os seleccionadores nacionais me convocassem para a Selecção Nacional que iria participar no Mundial no México."
No Mundial, Portugal não foi além do quinto lugar final. Apesar de ter tido um belíssimo arranque, com oito vitórias em oito jogos, a selecção lusa baqueou frente ao Chile nos Quartos-de-Final, saindo de cena com uma derrota por 6-4.
Ladeira aponta à inexperiência e nervosismo de alguns jogadores, como principais 'responsáveis' para o facto de Portugal não ter chegado mais longe no torneio:
"Em termos desportivos, o que faltou a esta Selecção para ser campeã do Mundo, foi a falta de experiência, pois alguns jogadores nunca tinham vivido a pressão de terem de ganhar, e ficaram um pouco nervosos e ansiosos à medida que as dificuldades iam aumentando. Na minha opinião, tinhamos jogadores para sermos campeões do Mundo, mas não tinhamos equipa. Fomos eliminados pelo Chile nos Quartos-de-Final, porque os chilenos tinham uma equipa muito forte mentalmente, e os seus níveis de ansiedade tiveram sempre baixos, mesmo quando estavam a perder. Penso que se fosse possível a cada jogador, jogar mais vezes este evento, Portugal estaria preparado para lutar pelo título dentro de dois anos."
Apesar de tudo, o melhor marcador da Selecção portuguesa, com trinta e um golos em doze jogos, faz um balanço positivo desta experiência:
"Foi uma experiência única, uma vez que no futebol de rua, cada jogador só pode representar a Selecção Nacional no Mundial por uma ocasião, logo não poderei repetir esta participação na condição de atleta. Não tinha a mínima noção da grandiosidade deste evento. Os jogos eram todos transmitidos em directo pela UNOTV, e após os jogos, alguns jogadores iam à sala de imprensa, que era enorme e tinha jornalistas de vários países. Noutro âmbito, a organização fez com que os jogadores se sentissem sempre como verdadeiras estrelas."
No futebol de rua, o tempo de jogo é de catorze minutos sempre jogáveis - vale 'tabelas' -, e que se dividem por duas partes de sete minutos. Obviamente que as diferenças para o futebol de onze são enormes, e essa foi outra das questões que o blogue colocou a Pedro Ladeira:
"As diferenças entre o futebol de onze e o futebol de rua são muitas, desde o tempo de jogo, as medidas do campo e da baliza, e algumas regras. O futebol de rua é um jogo muito mais rápido, porque nunca pára mesmo que haja golo, logo não podes festejar, porque sujeitas-te a sofrer logo de seguida. Também é um jogo que beneficia o futebol de ataque, uma vez que só podes defender com dois jogadores para três atacantes. Resumindo, no futebol de onze existe mais tempo de jogo e pode-se usar a melhor estratégia e mudar quando for preciso, enquanto que no futebol de rua tens pouca margem de erro."
Por último, o médio aveirense reitera a vontade de continuar a praticar e participar nas actividades do futebol de rua, mas com a condição de estas se realizarem durante a interrupção do futebol de onze:
"Em termos de campeonatos nacionais poderei participar, mas apenas se estes se realizarem durante as férias do futebol de onze. Quanto à Selecção, infelizmente não poderei voltar a representá-la, devido à regra da Homeless World Cup, que limita a participação de uma só vez a cada jogador."
Pedro Ladeira fez a sua formação no Beira-Mar, exceptuando o primeiro ano de juvenil, em que esteve emprestado ao Barroca. Já como sénior, representou a equipa principal aveirense no primeiro escalão durante dois anos, até ser emprestado ao Avanca, clube que representou durante três temporadas consecutivas. Depois disso, passou por Nelas, Sp. Espinho e Oliv. do Bairro, até chegar ao Pampilhosa na actual temporada.

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